Pinstripe desperta a nossa curiosidade graças ao seu fantástico estilo visual, mas não é só isso que o título de Thomas Brush tem para oferecer ao jogador. Não, existem também ideias interessantes para impedir que a jogabilidade se torne demasiado repetitiva e uma narrativa que embora esteja longe de ser original, é executada com a qualidade necessária para manter o jogador investido durante a sua curta, mas de uma forma geral agradável duração.

Pinstripe Imagens Analise

Acima de tudo, esta é uma obra que opta pela eficácia comprovada do minimalismo ao invés de tentar arrastar o relógio durante mais alguns minutos e horas, correndo o risco de diluir a sua experiência e também de colocar em maior evidência os seus pontos mais fracos. Na sua essência, Pinstripe é uma tradicional aventura de puzzles e plataformas que pede ao jogador para explorar e interagir com o cenário no sentido de atingir o seu objetivo e continuar a sua progressão.

Ainda assim, a variedade de puzzles merece ser destacada. Desde minijogos em que temos de encontrar as diferenças entre duas imagens, um minijogo que se assemelha perigosamente à jogabilidade do fenómeno que foi Flappy Bird e até um puzzle que nos força a prestar atenção aos cenários pelos quais passamos para obter as pistas necessárias para avançar na aventura. Contudo, este último exemplo, embora seja aparentemente o mais interessante, acaba também por ser um pouco obtuso, uma vez que o jogo faz um mau trabalho em nos dar as indicações necessárias para sabermos aquilo que deveríamos estar a fazer.

Pinstripe Imagens Analise

A dada altura da aventura, Pinstripe obriga-nos a amealhar 300 Frozen Drops para avançar para a área seguinte, isto é, recolher pequenos cristais presentes no cenário através de segmentos de exploração e plataformas ou da destruição de determinados objetivos. Contudo, isso requer que façam um backtracking por todo o mapa já explorado para utilizar uma habilidade recém-adquirida e amealhar os cristais necessários.

O mapa não é propriamente longo e a nova habilidade permite-nos chegar a novos locais, contudo, mais uma vez, o problema passa pela forma pouco eficaz como o jogo nos indica de que temos mesmo que fazer isto. Para além disso, é um processo que podia facilmente ter sido evitado. Será sempre mais interessante fazer o jogador explorar novos e distintos locais do que fazê-lo regressar a espaços já visitados apenas para recolher algo que, na melhor das hipóteses, deveria ser um bónus para os colecionistas.

Pinstripe Imagens Analise

Dito isto, Pinstripe é, de uma forma geral, mecanicamente sólido. Os segmentos de plataformas nunca complicam em demasia e a fiel fisga que nos acompanha durante a aventura também nunca se revela difícil de controlar. Não fossem alguns entraves a uma progressão mais fluída e constante e o título da Atmos Games ofereceria uma experiência ainda mais agradável, uma experiência que, ainda assim, teria sempre nos seus visuais e narrativa os principais trunfos.

Assumindo o controlo de Ted, um pastor religioso, o jogador terá de embarcar numa viagem por um estranho mundo alternativo para recuperar e salvar a sua filha que foi raptada por uma estranha figura chamada Pinstripe durante uma viagem de comboio. Servindo-se dos minutos iniciais para estabelecer desde logo esta relação entre pai e filha, o título dá-nos uma motivação simples, mas altamente eficaz para a aventura que se segue, preservando a nossa atenção através de um antagonista detestável.

Pinstripe Imagens Analise

Como facilmente perceberão à medida que progridem pela campanha, Pinstripe é uma experiência envolta num tom surrealista, um meio para nos contar uma história de perda, morte, amor e família de forma menos óbvia ou direta. Embora não seja capaz de manter o mistério sobre este mundo e sobre os eventos a que vamos assistindo durante muito tempo, o jogo consegue contar a sua história de forma cativante, utilizando um caricato elenco de personagens secundárias para suportar a aventura até à sua natural conclusão. Não é uma história original, como já mencionei, mas é executada de forma bem conseguida.

Apesar disso, não será muito surpreendente dizer que é no seu departamento visual que Pinstripe mais se destaca, algo que é facilmente percetível através das imagens que acompanham este texto. Bastante atmosférico e visualmente estimulante, a fluidez das animações e os seus cenários que parecem pintados à mão traduz-se numa experiência extremamente bonita. A banda sonora não brilha tanto, uma vez que o joga opta por uma intervenção minimalista das suas sonoridades, uma decisão acertada já que permite que o vazio provocado pela ausência da filha do protagonista seja ainda mais notório.

Pinstripe Imagens Analise

Pinstripe não é uma obra brilhante, mas é uma obra eficiente naquilo que se propõe a oferecer, isto é, uma sólida experiência de puzzles e plataformas. Comete alguns erros na forma como mantém o jogador no caminho correcto para progredir e em opções de design, contudo, um grafismo lindíssimo e uma narrativa bastante eficaz são suficientes para mitigar um pouco essas questões. É uma experiência que pode facilmente ser concluída numa tarde, mas está longe de ser uma recomendação óbvia. A existência de um New Game + - que oferece novos segmentos de jogabilidade - é também um ponto positivo.