Os roguelikes são uma excelente forma para os produtores entregarem uma experiência divertida e, praticamente, inesgotável - no sentido em que não há duas partidas iguais. Pirates Outlaws é um jogo de cartas, onde temos de construir um baralho à medida que se avança na aventura, com elementos roguelike que seguem esta lógica de jogo com uma experiência diferente em cada partida.

A Fabled Game Studio, produtora do jogo, lançou Pirates Outlaws primeiro nos dispositivos iOS e Android e só depois no PC, sem uma alteração profunda na jogabilidade. Se conhecem Slay the Spire, então conseguem perceber facilmente o que Pirates Outlaws é. O jogador navega por mares e oceanos em busca de glória e para obtê-la tem de chegar o mais longe possível, construindo um bom baralho de cartas que o faça aguentar mais tempo possível contra os ataques dos inimigos.

Ser muito semelhante a Slay the Spire pode aproximar a obra de uma cópia descarada, porém, com uma temática de piratas consegue fazer-nos ganhar interesse pela proposta do jogo da Fabled Game. Tudo está bem construído com cartas e inimigos de acordo com a cultura popular em torno destes marinheiros com uma vida de crime, até há um corsário parecido com Davy Jones, o antagonista em Dead Man’s Chest.

Pirates Outlaws vale muito pelas suas mecânicas de jogabilidade que tornam as partidas rápidas. Ou seja, não vão mergulhar em processos complexos, uma vez que o jogo tem regras simples, que é suficiente para tornar a nossa estadia, por mares nunca antes navegados, afável. Ir de ilha em ilha é rápido e simples: normalmente, basta eliminar os inimigos que lá estão para nos enfrentar. Enquanto que títulos como FTL: Faster Than Light dão-nos tempo suficiente para nos aprofundarmos no seu mundo, já Pirates Outlaws mantém a ação constante sem ter uma história ou um ambiente pejado de detalhes.

O ritmo mais rápido é uma escolha sensata para o jogo da Fabled Game. Em vez de mergulhar num mundo meticulosamente detalhado, joga-se Pirates Outlaws para diversão instantânea. A morte permanente não é um elemento que causa frustração em demasia, pois não se perde muito sempre que sucumbimos ao dano dos inimigos que se colocam no nosso caminho.

Contudo, não pensem que Pirates Outlaws é fácil, há uma dificuldade bastante acentuada para ultrapassar quando chegam aos bosses. Tal como em qualquer outro roguelike, há mais probabilidade de uma partida vos levar ao fracasso do que ao sucesso. O jogador nas próximas partidas só tem de melhorar e ver se lhe aparecem cartas melhores ou aproveitar aquilo que as cartas lhe fornecem para a partida. Há tantas possibilidades para vencer, que é raro o jogo se tornar num aborrecimento.

A variedade que o jogo proporciona impede o jogador de se sentir desmotivado em continuar. Um dos grandes motivadores de Pirates Outlaws é o acumular de ouro e de pontos de reputação. Este amealhar de ouro e de reputação permite ao jogador desbloquear ainda mais conteúdo, tornando a escala do jogo cada vez maior. O novo conteúdo a que podem aceder inclui novas personagens (com os seus próprios baralhos de cartas e características únicas), assim como novas áreas para explorar.

Os jogadores podem estar a navegar nas águas cristalinas de um mar ocidental e irem para as águas geladas do norte, isto é uma das recompensas por terem ganho reputação suficiente em inúmeras batalhas. Assim, o nível de variedade mantém o jogo fresco e renovado por tempo suficiente, seja a trocar de personagem ou de cenário (que traz consigo inimigos igualmente diferentes). Desbloquear tudo pode parecer que estamos a fazer grinding para nada, contudo é uma tarefa que vale a pena concretizar.

Todavia, apesar de ser um bom jogo, haverá, certamente, quem não se vá adaptar bem às regras determinadas por este título. Desta forma, o jogo não consegue fazer a retenção de jogadores que não estejam habituados a uma jogabilidade mais desafiante, nem mantê-los tempo suficiente para fazê-los desbloquear a grande quantidade de conteúdo que oferece. Atenção, o jogo é simples e fácil de perceber, mas requer que invistam uma boa parte do vosso tempo para obter em igual parte o que o jogo contém.

Em termos visuais o jogo é bonito, com linhas agressivas e angulares que desenham, cheias de cor, as formas que pertende de um mundo de corsários e piratas. Contudo, se Slay the Spire não vos interessou, nem sequer vale a pena tentarem este jogo. Caso contrário, este é um muito bom jogo que entrega exatamente o mesmo que a Mega Crit Games entregou dois anos antes de Pirates Outlaws.