Num mundo incógnito, é normal que sejamos surpreendidos mais vezes do que o esperado. Em Planet Alpha, um jogo de plataformas publicado pela produtora de Worms, o que melhor funciona é o elemento surpresa. O que não significa que todas as surpresas sejam boas ou más, como também não quer dizer que sejam uma constante. Mas, em todo o caso, a surpresa, dá novo fôlego à jogabilidade.

Nesta obra, com uma narrativa que tem que ser interpretada por aquilo que vemos e fazemos, nós somos o alien do planeta em que estamos. Vivemos numa constante fuga aos perigos que se encontram neste estranho planeta. Graças à nossa habilidade de saltar e de agarrar objetos, vamos tentar chegar a um ponto em que a fuga já não é necessária. 

O jogo começa com um astronauta numa marcha lenta, com uma expressão corporal de esforço e dor, mas que cedo recupera para se afastar dos perigos que avista no caminho adiante, ainda por percorrer. Não sabemos ao certo qual é o objetivo a cumprir, no entanto para o saber caminhamos, porque como é sabido por um ditado popular “para a frente é o caminho”. E, assim, lá fui eu. 

Planet Alpha tem algumas mecânicas que eu não esperava encontrar num jogo de plataformas. Há alguns momentos de ação furtiva, onde a nossa única forma de ultrapassar certos inimigos é desaparecer da vista deles. É por isso que se vão ter de esconder muitas vezes, seja no meio da vegetação ou atrás das rochas. Como não nos conseguimos defender, nem responder com a mesma moeda aos disparos aos quais estamos sujeitos, temos de nos esquivar de tiros, de monstros que fazem o seu caminho habitual ou de fungos que libertam esporos explosivos.

A primeira leitura que faço do jogo, é que o meu protagonista é um explorador em fuga de um planeta em colapso, que foi invadido por um exército de robôs. Há ruínas de uma civilização que prestava louvor a uma entidade estranha e desconhecida. Por isso, o meu objetivo não passa somente por fugir, mas sobreviver à fauna e flora que estou a incomodar. Afinal, esta não é a minha casa. Mas enquanto exploramos, não podemos ficar indiferentes aos indícios que indicam alguma atividade dos residentes deste planeta.

Um dos aspetos que acaba por ser um dos principais fundamentos basilares da jogabilidade, é a nossa capacidade de poder controlar o ciclo diurno e noturno. A presença - ou ausência - do sol permite que alguns materiais se coloquem num certo local, enquanto que à noite se colocam numa posição oposta. Imaginem um girassol que, como o próprio nome da flor indica, se move consoante a posição do sol. Há um desabrochar de certas plantas que servem de plataformas para ultrapassarmos vários abismos para o vazio infinito. Há rochas que se movem consoante a posição da estrela que fornece luz ao planeta e em certas ocasiões podemos aproveitar a alteração desta localização como arma contra um determinado inimigo. 

O ato de saltar é genial. Por vezes estamos sujeitos a forças gravíticas diferentes, o que torna a nossa progressão mais cuidada. Há uma adaptação da percepção do nosso salto que tem de ser reajustada. Se antes um salto permitia-me alcançar um certa distância, nesta nova situação já me deixa chegar a um sítio anteriormente inalcançável. Existe um ajuste à jogabilidade que deixou os produtores do jogo brincar com certas situações, numa delas até existem rochas em rotação para que estejamos a alternar entre o correr e o saltar. 

Contudo, há más surpresas que normalmente coincidem com a introdução de um novo inimigo. A primeira lição que é aprendida, no encontro inesperado, serve para termos noção da agressividade do novo ser vivo. Uma vez entendida a sua capacidade de nos detetar, sabemos exatamente o que fazer para evitar este novo perigo. O mal é que nem sempre conseguimos saber o que devemos fazer para passar despercebidos, aos sentidos que permitem ao inimigo saber que estamos perto da sua localização. É um longo momento em que morremos constantemente à procura de uma abertura, de uma distração que nos permita fugir ao perigo.

Visualmente, Planet Alpha é muito interessante, não só pelas cores, mas pelas formas como apresenta o seu mundo. As rochas têm um formato muito poligonal, enquanto que os inimigos variam bastante. Nota-se que a fauna tem inspirações em insetos, dinossauros e algumas aves. No cômputo geral, a tela pintada na Nintendo Switch revela um obra bastante interessante.

O jogo não é, obviamente, para todos. Planet Alpha convém ser experimentado por apreciadores de plataformas, como por aqueles que ficam na dúvida com este género, pelo simples facto de jogar muito bem com o fator surpresa e a jogabilidade que se mantém interessante ao longo do jogo. Se estão à espera de algo monótono, que não altera a forma de jogar do princípio ao fim, então estão com uma impressão errada: Planet Alpha tem à vossa espera um planeta maravilhoso de jogabilidade e mecânicas por descobrir.