Quando uma ideia para a criação de um videojogo é limitada pela emulação de um qualquer hardware arcaico, o desenvolvimento tem que passar pelo ultrapassar das barreiras que existiam para um público que joga numa plataforma que já não as tem. Este é um caso óbvio para Pocket Rumble, principalmente por ser um jogo de luta que tenta recriar a experiência de uma consola que ainda teve um pior desempenho comercial que a PS Vita, pois só esteve disponível entre 1998 e 1999 no Japão, a portátil Neo Geo Pocket. E é o explorar para além destas impossibilidades que torna um jogo como Pocket Rumble tão interessante.

O que Pocket Rumble consegue é um equilíbrio por toda a extensão da obra, de tal forma que nenhuma personagem seja demasiado poderosa em relação aos outros elementos do elenco de lutadores. Todavia, também é relevante o facto de este ser um jogo moderado relativamente a outros jogos do mesmo género. É um jogo direto ao assunto: ou jogamos o multijogador (online ou local), ou ficamos sozinhos a treinar. E ainda tem um conjunto de lutadores muito limitado, pois só tem oito lutadores para escolher.

O pilar central do jogo é, evidentemente, a jogabilidade. É um caso estranho, porque só podemos efetuar golpes através de dois botões, além do botão direcional para movimentar a personagem num plano bidimensional. Não parece, mas este esquema de controlos permite efetuar uma quantidade de combinações de ataques consideravelmente grande para sair vitorioso de todos os combates. Isto contribui, significativamente, para incluir jogadores que tenham pouca experiência com jogos de luta.

O jogo tem uma peculiar característica para que se vençam os combates. Todos os lutadores tem a barra de saúde dividida em doze pequenos pedaços, estes vão ficando vazios à medida que golpes vão sendo dados com precisão. Ou seja, não importa que o golpe que vocês apliquem tenha aspeto de ser poderoso ou fraco, todos valem o mesmo. Assim, para vencerem, só têm de acertar doze vezes no vosso adversário. Por isso, é importante saber atacar com precisão. Saber o vosso posicionamento no campo de batalha é imperativo para acertar em cheio no adversário, como para não terem que estar demasiado perto para que possam evitar os golpes do oponente.

Com este sistema todos os jogadores, dos mais experientes aos casuais, têm uma hipótese de vencer uma partida de Pocket Rumble. É claro que quem aprofundar as técnicas que o jogo da Cardboard Robot Games irá, certamente, aumentar as suas probabilidades de vitória nos próximos combates. Todavia, não gostei do tutorial do jogo, porque sempre que me davam as indicações para efetuar um determinado golpe não sabia se o tinha feito corretamente, uma vez que é mostrado um exemplo da animação do golpe pretendido.

Visto replicar uma consola portátil do final dos anos noventa, a direção artística reflete bem esta época com o seu aspeto reproduzido com a conhecida técnica em pixel art, com um baixo teor de píxeis no ecrã. Todavia, isto não quer dizer que o jogo tenha alguma ausência de charme. Há uma boa quantia de animações ricas em efeitos especiais que foram dados aos golpes e ataques extravagantes. Até as celebrações das vitórias dão ainda mais personalidade ao reduzido grupo de personagens.

Pocket Rumble não é um jogo caro e está de acordo com o conteúdo que oferece. É um jogo bastante acessível, mas não julguem a vossa capacidade de combater com os difíceis modos a solo que estão incluídos, pois foi imbutida uma inteligência artificial com base nos registos dos melhores jogadores que experimentaram o jogo durante a sua fase de Early Access. Se têm amigos que possam visitar-vos para umas sessões de Pocket Rumble, esta é uma escolha que não se vão arrepender de ter feito.