Filipe Urriça por - Dec 13, 2021

Pokémon Brilliant Diamond / Shining Pearl – Análise

Quem gosta de Pokémon tem um favorito, uma lógica que também se aplica aos jogos RPG da Game Freak. Pessoalmente, adoro Pokémon Crystal, uma proposta da segunda geração de jogos da série Pokémon, dada a ligação emocional que tenho com o jogo. Contudo, podia ter escolhido qualquer outro, visto que a fórmula do game design pouco mudou até aos mais recentes Sword e Shield – talvez seja Arceus que vai revolucionar finalmente a série. Desta vez, como forma de quebrar o hiato entre Sword/Shield e Arceus, foi publicado o par Brilliant Diamond/Shining Pearl, que têm como base o primeiro par de jogos lançados na Nintendo DS.

Pokémon Brilliant Diamond e Pokémon Shining Pearl provam que a Nintendo Game Freak precisaria voltar atrás para avançar nas próximas entregas da série. Os mais recentes jogos publicados na Switch e na 3DS foram os mais insípidos em termos de level design do mundo do jogo, o que os tornou jogos extremamente lineares e com zero de dificuldade. As dungeons – ou seja, os ginásios, cavernas, florestas e todos os caminhos a fazer entre as cidades – foram o elemento do jogo que mais sofreu nas entradas mais recentes.

Se há algo que se nota com grande destaque, entre os originais e estas novas versões (que devem oscilar entre as definições de remaster e remake) é o facto do item Exp. Share fazer uma enorme diferença no novo par de versões. O Exp. Share, que serve para partilhar a experiência recebida entre todos os cinco Pokémon que temos connosco e não participaram na batalha ou na captura de uma criatura, encurta muito a aventura, além de facilitar muito o processo de evolução de nível de um Pokémon. Isto é bom e muito útil, apear de não termos a mesma afinidade com os Pokémon que não utilizamos com mais frequência.

Também vemos alguns toques de modernização do design do jogo na própria user interface, como por exemplo, a organização de itens na nossa mochila ou o efeito das técnicas dos nossos Pokémon nos seus adversários. É tudo mais fácil de ler e, por conseguinte, de perceber. Agora também já não precisamos de tornar um ou dois Pokémon como depósitos de técnicas que nos desbloqueiam o caminho, basta termos a técnica na nossa mochila e cumprir condição exigida para podermos usá-la. Embora, consigamos aceder a estes golpes e poderes para podermos avançar, como se tivéssemos a resolver puzzles, no nosso smartwatch, nem vale a pena utilizá-lo, dado que demoramos muito mais tempo do que carregar no botão A no local em que precisamos de avançar.

Apesar de estarmos perante um design mais limpo, no que aos menus diz respeito e a toda experiência da user interface, Pokémon Brilliant Diamond / Shining Pearl ainda é um jogo que dura entre duas a três dezenas de horas – isso se conseguirem manter-se focados nos objetivos principais. Mas caso queiram explorar todos os recantos de todas as cavernas e florestas à procura de itens escondidos, assim como explorarem bem tudo o que podem fazer no Grand Underground e caçar os Pokémon que vos faltam nesta área especial, então contem com mais um bom punhado de horas. Porém, todo o caminho que trilharam até à conclusão do jogo não vos prepara para a exigência que a Elite Four vos pede.

A Elite Four é genial porque é a primeira vez no jogo que nos sentimos verdadeiramente desafiados. Este grupo de excelentes treinadores funcionam como uma montra de bons exemplos que devemos tomar, como ensinar técnicas de tipos antagónicos à própria espécie do Pokémon. Para salientar alguns exemplos, os Pokémon do tipo Bug são fracos contra o tipo Fire, mas se lhes ensinarmos técnicas do tipo Ground, como o poderoso Earthquake, podem aniquilar os seus rivais do tipo Fire com extrema facilidade. Assim o jogador deverá ser inteligente na abordagem que utiliza e aprender tudo o que tem ao seu dispor para que a frase-chave do jogo, “It’s Super Effective” só apareça quando somos nós a atacar.

Tal com em qualquer outro jogo RPG Pokémon, em Brilliant Diamond/Shining Pearl somos um miúdo invadido por uma enorme curiosidade em conhecer o mundo dos Pokémon e o que há para além da porta da nossa casa. Assim, este pequeno rapaz ou rapariga tropeça, literalmente, nos Pokémon do professor da sua região – felizmente, é seu vizinho. Nesta aventura para se tornarem no melhor treinador do mundo (ou, pelo menos, de Sinnoh) também se vão cruzar com os malfeitores da Team Galactic, que, como é óbvio, tem ligações ao Pokémon lendário da capa do jogo respetivo (Dialga ou Palkia). Infelizmente, nesta narrativa só há uma personagem que podemos classificar de memorável, apesar da pouca interação que tem connosco.

Em Pokémon Brilliant Diamond e na versão Shining Pearl, há uma variedade considerável de criaturas Pokémon. Porém, em Sinnoh não se encontram facilmente os Pokémon do tipo Fire, mas há uma abundância de outros tipos de criaturas, nomeadamente do tipo Bug e Flying. Porém, para combater a escassez de Pokémon do tipo Fire podem sempre ir visitar o Grand Underground. Esta área é uma das particularidades que torna o jogo único e expande significativamente a quantidade de criaturas que podem encontrar e, consequentemente, colecionar. No Grand Underground somos convidados a explorar o subsolo de Sinnoh como se fossemos autênticos mineiros, com vários caminhos dispostos em labirinto, onde podem encontrar os Pokémon mais raros do jogo.

Uma das grandes mudanças do original de 2006 para a nova versão de 2021, é o abandono total do pixel art. Sinceramente, acho que é triste ver a Nintendo deixar por completo esta arte de fazer grafismo para os seus jogos que marcou várias consolas da casa de Quioto e, por isso, vários jogos que se tornaram grandes séries. Aqui, em Brilliant Diamond/Shining Pearl temos um estilo que se aproxima de Sword/Shield, mas que fica com um aspeto mais similar a Let’s Go Pikachu (e o seu homólogo Eevee) visto que mantém uma movimentação e colocação de elementos do jogo numa grelha invisível. O jogo não tem mau aspeto, no entanto a passagem de um grafismo cheio de charme em pixel art para algo banal com personagens chibi, não encaixa tão bem no imaginário que mantiveram.

Sinnoh é uma região maravilhosa e o seu design é sublime na forma como frisa este facto. Há uma localidade numa elevada altitude que, por conseguinte, está coberta de neve e atravessá-la é uma experiência fantástica por si só. Sentimos a nossa personagem a afundar-se na neve e, por isso, a ter cada vez mais dificuldades a andar e quando esta se consegue, eventualmente, sacudir da neve e libertar-se, continuamos o caminho que estávamos a fazer. Já noutro lugar, um safari com criaturas únicas para lá capturar, onde temos de aceder às diferentes áreas através de um pequeno comboio. E um dos melhores exemplos da exploração de Sinnoh é a combinação da bicicleta e das técnicas Strength (para mover pedregulhos), Smash (para partir rochas em mil pedaços) e Rock Climb (para subir ou descer encostas com uma inclinação muito acentuada).

 

Não joguei todos os títulos Pokémon, mas há aqui uma seleção sólida de criaturas – tanto em tipos como em design suficientemente interessante. Só há um ou outro que são baseados em materiais não orgânicos, por isso, sem vida, que não fazem grande sentido existirem como “animais selvagens” com poderes. Acho que é com criaturas como Bronzor e Chingling que se vê onde é que a criatividade dos produtores caiu a pique. Isto, claro, para um outro jogador qualquer é um detalhe sem importância nenhuma, mas para dar credibilidade a um mundo vivo, é difícil aceitar a existência de criaturas como estas.

Para ser franco, por muito bons que Sword/Shield e Sun/Moon sejam, já não me divertia assim tanto com um título desta saga inconsistente há algum tempo. Brilliant Diamond e Shining Pearl são bons jogos, com um dos melhores level design da série, já não me lembrava o que era sentir dificuldades para sair de uma caverna sem utilizar uma Escape Rope. Se têm saudades de um bom jogo RPG Pokémon, apesar de ser esteticamente estéril, este par de novas versões do jogo que marcou a estreia de Pokémon na Nintendo DS, é uma boa opção para se divertirem, novamente (ou pela primeira vez), a “apanhá-los todos”.

veredito

Apesar do novo grafismo sensaborão, os níveis, as técnicas, a exploração e os Pokémon conjugam-se tão bem que fazem deste título uma aventura memorável.
8 Sensação de aventura. Variedade da região de Sinnoh. Design limpo. Grafismo desinspirado

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Pokémon Brilliant Diamond & Shining Pearl

para Nintendo Switch

Remakes de Pokémon Diamond e Pokémon Pearl.

Lançado originalmente:

19 de novembro, 2021