Ninguém estava à espera de receber um jogo gratuito da série Pokémon na Nintendo Switch, muito menos sem aviso prévio. É, por isso, de esperar que este não seja um título com o mesmo desenvolvimento que tem um tradicional RPG Pokémon. Depois de dedicar uma quantidade assinalável de horas em Pokémon Quest, percebe-se que esta obra aproxima-se bem mais de um jogo para telemóveis do que de um jogo para consolas. Aliás, percebe-se de imediato que a versão Android e iOS vai ter bem mais vantagens do que esta. 

Porquê lançar um jogo da série Pokémon sem a mesma importância da série RPG? É simples: os jogadores querem Pokémon na Switch e a Nintendo já percebeu que teve de arranjar uma solução enquanto a série principal não regressa. Simultaneamente, a Nintendo consegue assim uma oportunidade para fazer umas experiências ao lançar títulos mais acessíveis a uma audiência que ainda resiste em se afastar da série principal e ficar-se por Pokémon GO. 

A Switch é um sucesso. Este facto inegável tem que ser capitalizado pela Nintendo e é a lançar as suas propriedades intelectuais mais famosas que consegue manter a popularidade. Aproveitar o catálogo Wii U tem um limite e é por esta razão que tentar captar a enorme base de jogadores de Pokémon GO com “Pokémon Let's Go, Pikachu!” e “Pokémon Let's Go, Eevee!” é uma boa preparação para o que aí vem em 2019. Pokémon Quest serve sobretudo para o interesse ganhar tracção nos títulos que chegam este ano à Nintendo Switch em duas versões. 

Porém, com tanto jogo gratuito no mercado, inserido no modelo de rentabilização free-to-play, tem todo o interesse saber se este é um título que merece a vossa atenção ou se pode ser mantido na eShop, sem se preocuparem em descarregá-lo. A Nintendo classificou este título como “free-to-start”, uma definição errada se estiverem dispostos a esperarem alguns minutos após concluírem cinco expedições. À medida que se avança é cada vez mais difícil aguentar tanto tempo sem jogar, as vossas sessões serão inevitavelmente um processo de gestão para amealhar a maior quantidade possível de PM tickets - a unidade monetária do jogo. 

O jogo propõe-vos terem uma equipa de três criaturas Pokémon e sempre que entram numa determinada expedição, batalham contra outras criaturas no seu habitat natural, até chegarem ao boss que encerra o nível. Não há treinadores, por isso o colecionar de criaturas Pokémons realiza-se por um processo diferente. Há toda uma dinâmica entre o ir em expedições, melhorar o acampamento e cozinhar para atrair novos Pokémon.

Uma vez em expedição, não são obrigados a regressar à base quando esta terminar. É muito mais importante fazer uma revisão ao nosso inventário e ver o loot que amealhamos da mais recente viagem para mais tarde associá-lo aos membros da nossa equipa de criaturas Pokémon. É imperativo fazer subir todos os nossos números, relativos à nossa defesa e força, para que estes sejam maiores do que os dos nossos adversários. 

Há um ciclo que se repete para uma subida contínua do nosso progresso. Fazem uma expedição, encaixam as power stones recebidas nos Pokémon que bem entenderem para melhorar as suas capacidades e, caso tenham a cotação desejada para enfrentar a próxima expedição, repete-se este processo. Porém, o progresso será interrompido por diversas situações. O problema principal é conseguir ter um valor mais elevado do que aquele que é recomendado para enfrentar uma nova expedição, pois a dada altura este sofre subidas mais elevadas, ultrapassando as capacidades das nossas criaturas. 

Ainda assim, há várias formas de suplantar estas pedras que estão colocadas no nosso caminho. Enquanto fazem uma expedição convém deixarem o fogão ligado com a panela cheia de ingredientes a cozer uma refeição que fará com que certos Pokémon se sintam atraídos pelo cheiro da comida. É um processo lento, mas essencial para chegarem mais longe em Pokémon Quest.

Será também fulcral encontrarem novas receitas para que certos tipos de Pokémon venham ter ao vosso acampamento, porque há expedições com criaturas Pokémon mais aptas para enfrentar certos tipos de inimigos, como por exemplo o tipo Água que é mais forte contra Rocha ou o tipo Inseto que é mais forte contra inimigos do tipo Psíquico. 

Como é óbvio, convém evoluir os Pokémon para que estes se tornem muito mais fortes de forma a elevar os seus valores de ataque e defesa. Evoluí-los é um processo natural do combate, onde recebem a experiência correspondente a cada vitória. Contudo, cada pequeno incremento na obtenção desta preciosa experiência torna esta função ligeiramente menos lenta do que já é. Assim, têm que decorar o vosso acampamento com estatuetas que são ganhas e decorações que são compradas com PM tickets. São esses mesmo PM tickets que vos permitem continuar a jogar após a bateria do jogo se ter esgotado completamente. 

Há imensas formas de receber mais PM tickets e é precisamente este que passará a ser o foco do nosso jogo a longo-prazo para termos sucesso em Pokémon Quest. A melhor forma de os conquistar é a completar as “quests” do jogo, isto é, uma lista enorme de pequenas tarefas que vão ficando completas à medida que jogamos normalmente. Aniquilem um determinado número de inimigos, descubram novas receitas e conquistem novas áreas; joguem normalmente e variem a vossa party de três Pokémon para amealhar preciosos PM tickets. São com estes créditos que vão poder comprar novas decorações e tempo adicional de jogo, como já o mencionei. E é com estes que também podem adquirir mais espaço para criaturas Pokémon e as power stones com as quais se associam.

Apear de ser um título free-to-play, não há uma forma direta de se comprar PM tickets. Era impensável a EA ou a Activision terem feito o mesmo nos seus jogos. Há conjuntos de conteúdo adicional que é possível comprar, basta selecioná-los e somos encaminhados para a eShop. Um dos três conjuntos, ou o pacote que engloba os três, inclui novos Pokémon para a nossa coleção, peças decorativas que têm sempre um melhoramento das nossas condições para receber uma maior quantidade de ingredientes ou power stones, assim como uma boa quantia de PM tickets. O melhor é o incremento diário de PM tickets que vai dos cinquenta sem pagar por nenhum DLC, até a um máximo de cento e noventa se adquirimos os três pacotes de conteúdos. 

No final de contas a decisão de adquirir este material complementar ao jogo, cabe sempre ao jogador. É esta a decisão vai afetar a experiência que terá a longo-prazo. Se querem uma experiência tradicional, sem terem que esperar muito para obter resultados, o melhor será comprar os DLC. Caso contrário, visto se tratar de uma obra Pokémon muito mais simplificada, podem sempre esperar enquanto intercalam com outros títulos. Seja como for, Pokémon Quest serve, sobretudo, para gerar interesse ou o tal hype que tanto se fala na indústria dos videojogos. 

Pokémon está diferente, mas para melhor no cômputo geral. Já não existe aquela dificuldade associada aos grandes RPG, conseguindo-se assim captar uma maior audiência, sem perder por completo a geração que jogou Pokémon Red, Blue ou até Yellow. O visual cúbico colorido foi uma boa escolha para a diferenciar este jogo dos outros que têm muito mais tempo de desenvolvimento e, por isso, mais importância para a própria Nintendo e para quem joga. Pokémon Quest é uma boa opção para quem quer acabar com o jejum de títulos desde Ultra Moon e Ultra Sun, apesar de ser algo muito mais simplificado em temos dos sistemas que regem a jogabilidade.