Há uma grande controvérsia em torno de um elemento de Pokémon Sword e Pokémon Shield, mas a verdade é que não tem a importância que lhe foi dado - e acaba por ofuscar aquilo que o jogo faz bem. Não ter todos os Pokémon, criados até hoje, num só jogo é o menor dos problemas de Sword e Shield. Porém, não deixa de ser um jogo coeso e divertido. Lamenta-se o facto das novidades apresentadas serem tão superficiais.

A apresentação acerta na forma como nos introduz à felicidade que é poder explorar um enorme mundo e aceder a tudo o que tem para oferecer. Uma das principais novidades do jogo são as “Wild Area”, que prometem liberdade, sobretudo para quem gosta de colecionar as criaturas Pokémon. Infelizmente, são nestes novos espaços de exploração que residem tanto o melhor, como o pior que o jogo tem para oferecer.

Era impossível não entrar em Sword ou Shield com a expetativa mais fragilizada de todos os principais jogos da série. Quem andou pelas redes sociais sabe que muitos fãs vocalizaram o seu descontentamento contra o facto de não estarem incluídos todos os Pokémon das gerações passadas. Todavia, ainda me divirto com Pokémon Sword, ou a sua versão Shield. Não é a quantidade absurda de criaturas para capturar que vai ditar a qualidade do jogo, é a forma como a Game Freak juntou todos os elementos do jogo para oferecer a primeira aventura RPG do mundo Pokémon numa consola que se pode (também) considerar doméstica.

Felizmente, a produtora nipónica acertou em muitos aspetos fundamentais do jogo, apesar de, ao longo da campanha, sentir que há determinados aspetos do jogo que melhorariam se tivessem mais tempo de desenvolvimento. Aqui partem à aventura pela região de Galar, onde vos são novamente dados a escolher entre os três tipos básicos de Pokémon: Water, Fire e Grass. A importância desta escolha é uma miragem, porque o que realmente interessa é saber ter uma equipa de criaturas suficientemente variada para enfrentar qualquer treinador ou Pokémon selvagem.

Como ja é costume, um dos objetivos do jogo passa por recolher as medalhas dos líderes dos vários ginásios da região. Em termos narrativos, Sword e Shield não inovam muito, aliás afirmo que não é a melhor história da série. O foco anda em torno da mística dos Pokémon lendários, principalmente pela ligação histórica que têm com Galar. É interessante ficar a conhecer todo este mundo fictício, mas não nos deixa particularmente motivados a manter o foco no que temos pela frente, tendo em conta que não há nenhuma ameaça iminente e a trama arranca aos solavancos.

Depois de terminar a narrativa, ainda me restaram motivos para continuar a jogar. As “Wild Area”, são o local onde podem decorrer as partidas online PvE, para derrotar enormes Pokémon que estão sujeitos ao efeito Dynamax. Os “den” são poços que contêm uma enorme fonte de energia que irradia com uma luz vermelha, para lá do seu exterior, para os poderemos identificar. Quando iniciam uma partida nos “den”, ser-vos-á pedido para procurar outros treinadores online, mas caso não o queiram, ou possam, podem enfrentá-los sozinhos e com mais outros três treinadores gerados aleatoriamente pelo jogo.

A batalha Dynamax não tem nada de particularmente diferente, aliás, simplifica em demasia aquilo que pretende fazer. Enfrentam um Pokémon de proporções enormes, contudo, a batalha decorre nos mesmos moldes reduzindo as animações para dezoito, ou seja, para cada um dos tipos de Pokémon. Se tiverem as técnicas Peck, Drill Peck ou Pluck no vosso Corviknight, no fenómeno Dynamax estas estarão todas reduzidas a Max Airstream, sem os efeitos secundários que podem ter num batalha normal.

Caso não estejam a batalhar com outros treinadores, ou seja, se estiverem a entrar sozinhos nos “den” das “Wild Area”, então as batalhas Dynamax são ótimas formas de obter bons prémios. Além da grande quantidade de pontos de experiência que podem receber, também há boas recompensas. Normalmente, recebem itens que permitem aumentar, significativamente, o nível dos vossos Pokémon. Assim, se por algum motivo desejarem trocar alguma criatura da vossa equipa, podem dar-lhes os rebuçados que os colocarão ao nível dos restantes membros da vossa equipa.

Evoluir os Pokémon é um dos pontos fulcrais da série, porque só assim conseguem completar o vosso Pokédex, visto que nem todas as formas evoluídas existem no seu habitat natural. Normalmente, o fenómeno de evolução, que altera a morfologia de um Pokémon para um ser mais forte, ocorre com um simples subir de nível. Contudo, há casos especiais como o de Eevee, que pode evoluir para oito formas diferentes segundo o cumprimento de alguns critérios.

Pokémon Sword em específico tem Sirfetch’d, que só pode ser obtido através da evolução de Farfetch’d. Para este Pokémon do tipo Fighting evoluir tem de obter três “Critical Hits” numa única batalha. O Linoone evoluiu para Obstagoon (uma criatura que parece pertencer à banda Kiss) somente se subir para o nível trinta e seis, ou outro acima, durante a noite. Ainda há o Yamask que só evolui num determinado local quando sofrer pelo menos quarenta e nove pontos de dano numa batalha. Das duas uma: ou se tem a maior sorte do mundo para acertar em todas estas especifidades, ou vê-se um guia qualquer na Internet.

O online é um ponto onde a Nintendo complica mais do que devia, por isso é bom saber que o processo de troca e de batalhas está bastante mais simplificado. É graças a uma Interface de Utilizador bem implementada que podemos aceder rapidamente a tudo que precisamos, basta carregar no botão Y e temos acesso a tudo o que uma ligação à Internet com uma subscrição Nintendo Switch Online tem para oferecer. E é igualmente bom saber que está de volta Wonder Trade, que foi renomeado para Surprise Trade, para trocas inesperadas de Pokémon.

Uma das melhores implementações de sempre é a possibilidade de podermos aceder ao Pokémon Box a partir de qualquer lugar, excepto durante uma prova nos ginásios. Assim, já não temos a necessidade de ir a correr para um Pokémon Center para voltar onde estávamos. São quatrocentos Pokémon na região de Galar, ou seja, houve um corte para metade de todos os Pokémon existentes. Mas o que é certo, é que jogar um novo Pokémon da série principal tem mais interesse se for para ver os novos design que a Game Freak idealizou.

Sinceramente, por muito que me tenha dado trabalho, em títulos anteriores, evoluir criaturas até ao nível cem, o que quero é uma nova experiência; uma aventura totalmente nova onde os Pokémon me supreendam com as suas novas e surpreendentes formas exóticas. O que é lamentável é não podermos levar os nossos melhores Pokémon para batalhas online, isso é que será o pior. Contudo, assim, veteranos e novatos começam as batalhas em pé de igualdade. É pena não podermos ter um local ou um Pokédex onde estão todos os nossos conhecimentos adquiridos e conquistas, mas este nem é o ponto mais negativo a apontar.

Pokémon Sword e a vertente Shield continuam a ser aventuras para amealhar medalhas e ir de um ponto para o outro, visitar cidades excêntricas. Infelizmente, sente-se que há uma linearidade disfarçada com pequenos atalhos. Longe vão os tempos onde podiamos entrar em caves que funcionavam como autênticas dungeons. Esta experiência que tanta falta faz à série ficou implemementada nas chamadas “Wild Area”. Mete algum dó que esta excelente ideia não tenha sido aplicada de uma melhor forma. É quase um campo aberto ao nosso dispor, praticamente quase sem nenhum obstáculo.

Visualmente, esta oitava geração não impressiona como um Breath of the Wild, mas tem cores, desenhos e animações sólidos para uma aventura com criaturas Pokémon. Porém, não deixa de haver locais com texturas fracas, principalmente a vegetação e algumas rochas. O que realmente impressiona são as animações de certas técnicas mais complexas e vê-se que há técnicas específicas para certos tipos de Pokémon, como por exemplo Drum Beating para Rillaboom, um gorila com um tambor.

Odiar é uma palavra muito forte. E a simples ausência de certos Pokémon nesta nova obra da Game Freak fez uma comunidade odiar o jogo, ainda antes de este de ter chegado ao mercado, sem sequer o terem primeiro experimentado. Pokémon Sword e Shield não são os melhores da série, desde que a série entrou na 3DS que a Game Freak e, obviamente, a The Pokémon Company, se "desleixaram" na criação de uma aventura memorável. Todavia ainda há muito com que ficamos para recordar, sobretudo as boas ideias que precisavam de mais tempo para amadurecer até à altura do lançamento.

Espero que Sword e Shield sejam o ponto de partida para várias melhorias a implementar em futuras entradas na série. Não, não é pela ausência de criaturas Pokémon em Sword e Shield que o jogo fica fragilizado. Fiquem pela descoberta de novos Pokémon e técnicas de batalha - é esta base da série que se mantém inalterada. Os espaços denominados de “Wild Area” também são um ponto de grande interesse que acabam por ser uma janela para o futuro das obras Pokémon, porque acredito que será através desta mecânica que os próximos títulos vão melhorar.