Finalmente, a The Pokémon Company não vai lançar quatro versões do mesmo jogo como costumava acontecer. Quem quis comprar a oitava geração de Pokémon tinha para escolher entre Pokémon Sword e Pokémon Shield, e os conteúdos posteriores a este lançamento serão adquiridos através da Expansion Pass que está dividida em duas partes. A primeira parte, que já está disponível, é The Isle of Armor, enquanto a segunda, The Crown Thundra, chegará no outono deste ano.

Uma das melhores implementações de Pokémon Sword & Shield é a exploração das Wild Areas, este é o habitat natural da vida selvagem do jogo, as criaturas Pokémon. Ali podemos andar a pé ou na nossa bicicleta por florestas verdejantes, em dunas numa vastidão desértica, ou em extensas planícies com vários tipos de condições meteorológicas. Enfim, é uma boa forma de nos manter ocupados a caçar as quatro centenas de criaturas Pokémon que existem no jogo. E é precisamente neste aspeto, as Wild Areas, que The Isle of Armor melhora e se foca.

Na verdade, The Isle of Armor é, basicamente, composto por uma enorme Wild Area, com muito mais variedade e locais bem mais interessantes para explorar. Apesar de não alterar o jogo de uma forma significativa, The Isle of Armor recorda-nos o porquê de gostarmos desta oitava geração de jogos Pokémon. Contudo, depois de entregar este conteúdo, ficamos com curiosidade para ver onde é que esta Expansion Pass nos levará, em termos de conteúdo, com The Crown Tundra.

Embora não tenha ficado imediatamente convencido com as Wild Areas, quanto mais tempo lá passei, fui capaz de apreciar mais esta novidade na série Pokémon. Quando acabei a história e me dediquei a capturar os Pokémon que me interessavam ter na minha equipa, ou aqueles que considerava ter um design mais interessante, vi o verdadeiro valor destas Wild Areas e como estas brilham como deviam em The Isle of Armor.

The Isle of Armor foi trabalhado pela Game Freak de forma a melhorar todos os aspetos das Wild Areas. A ilha deste conteúdo, acedida através de uma viagem de comboio, é maior e melhor do que as Wild Areas até aqui conhecidas e todos os seus ecossistemas têm uma ligação mais natural entre si. As extensas planícies estão ligadas a pantânos numa transformação progressiva, sem vermos uma mudança brusca do ambiente.

O melhor resultado desta transição gradual e natural é seguir um dos rios e vê-lo a desaguar no oceano. Ou então seguir o rio no sentido contrário até encontrarem uma caverna. Isto faz com que The Isle of Armor seja mais interessante de explorar do que a Wild Area da região de Galar.

Com este conteúdo adicional voltam cerca de uma centena de criaturas Pokémon de jogos anteriores. The Isle of Armor foi desenvolvido de forma a que este regresso faça algum sentido. Bouffalant e Quagsire dominam uma boa parte dos pantânos, enquanto as criaturas Amoonguss e Tangela escondem-se nas florestas. Mas se forem para o oceano, não será raro cruzarem-se com um Sharpedo, que se dirigirá a alta velocidade contra vocês. Podem também ver um Wailord, que é essencialmente uma baleia, com as proporções corretas, visto que o podem admirar em terra quando olham para o oceano.

Uma das forças motrizes para vos manter ainda mais entusiasmados com The Isle of Armor, para além de poderem apanhar ainda mais criaturas, é a narrativa. Este pequeno capítulo de história não aprofunda o que se propõe a entregar, o que acaba por tornar personagens cheias de potencial ficarem-se pela superficialidade.

A narrativa debruça-se num dojo e num adorável novo Pokémon denominado de Kubfu. A história tem o mesmo vigor que um filme de artes marciais como Karaté Kid. Temos um rival, assim como um mestre que nos ensina as artes marciais através da realização de tarefas para que Kubfu, um Pokémon do tipo Fighting, se possa tornar um mestre da arte de combater outras criaturas da sua espécie.

O colecionismo não deixa de estar presente, ou não fosse este um jogo Pokémon, porque há uma atividade que vos pede para encontrar cento e cinquenta - e um Diglett. É uma boa maneira de ficarmos focados em explorar o mapa, para assim vermos o que há de escondido nas partes da ilha que a narrativa não explora.

The Isle of Armor pode ser totalmente explorada desde o momento que lá chegam, contudo, não há muitas atividades para realizar após o fim do conteúdo adicional do jogo. Há uma área de combates curiosa para experimentar, visto que o desafio reside na limitação da utilização de um único Pokémon, de um único tipo (Dark ou Electric, não uma mistura de dois tipos), numa série de combates com vários treinadores.

Como dissse no início deste texto, temos finalmente um incremento de conteúdo através dos típicos DLC. Assim, não somos obrigados a jogar outra vez o jogo de uma ponta à outra até experienciar o que há de realmente novo. Sente-se que há uma evolução das novidades que foram levadas à ilha de Galar, mas estas acabam por nos fazer questionar o motivo de não terem sido sempre assim no jogo original. The Isle of Armor não muda nada de forma significativa, todavia, mostra-nos como é que Sword ou Shield poderiam ter sido desde o lançamento.