por - Oct 11, 2021

Pokémon UNITE – Análise

Pokémon, no espectro dos videojogos, é conhecido sobretudo pela série RPG com combates por turnos. Embora haja alguns spin-off muito interessantes que nos fazem querer jogá-los por motivos bastante diferentes do que os da série produzida pela Game Freak, não deixa de ser surpreendente que Pokémon UNITE exista. Os MOBA são um género muito peculiar, onde DOTA 2 e League of Legends dominam o mercado. Curiosamente, Pokémon UNITE poderá ter o seu espaço próprio, visto que consegue ser muito menos complicado de entender do que os colossos da Valve e da Riot. Há aqui uma boa oportunidade que a The Pokémon Company pode aproveitar, dado que a Activision Blizzard não conseguiu fazê-lo com Heroes of the Storm.

A ideologia de um multiplayer online battle arena está toda lá, até o grinding que é, por vezes, necessário fazer a meio do jogo. Em Pokémon UNITE controlam um Pokémon que batalha contra outros, quer seja da equipa adversária ou não. Como é óbvio, vencer os Pokémon da equipa contrária é fulcral para conseguirem alcançar a vitória. Para se sagrarem vencedores de uma partida normal, que dura cerca de dez minutos, têm de conquistar o maior número de pontos possível até o tempo se esgotar.

Os pontos são obtidos através de uma energia que vocês transportam, que foi previamente recebida de um Pokémon que derrotaram. O Pokémon pode fazer parte equipa que estão a defrontar ou ser uma criatura selvagem que faz parte da arena na qual estão a combater. Quando tiverem pontos suficientes e acharem que é o momento certo, devem encestar nos aros, localizados em sítios estratégicos do lado adversário, para pontuar. Caso sejam derrotados, perdem uma boa parte da energia que transportavam e os vossos inimigos podem recuperá-la para pontuar contra vocês. É claro, o contrário também se aplica, daí a importância dos confrontos com um ou vários oponentes.

Esta é uma boa abordagem para novos jogadores, sem que tenham de se sentir assoberbados pela rica e complexa jogabilidade dos típicos MOBA. Este sistema de pontuação é fácil de perceber: basta acumular energia a derrotar outros Pokémon e marcar pontos nos aros da equipa adversária. Os próprios Pokémon selvagens que estão espalhados pela arena não são difíceis de derrotar (salvo algumas excepções), o que é bom para novatos, dado que há uma clara linha de progressão que se deve seguir. Depois de pontuar o número de pontos máximo num dos aros, este quebra-se e temos de passar para o aro seguinte, a partir daí a dificuldade vai aumentando. Passa a haver criaturas selvagens mais fortes, assim como os vossos oponentes (tal como vocês) já estão numa fase em que os Pokémon já tiveram oportunidade de aumentar de nível e, possivelmente, de evoluir. Se escolherem, por exemplo, um Charizard, começam com Charmender até chegar à segunda e última evolução.

Este novo MOBA faz um bom trabalho a garantir que cada partida seja entusiasmante. No entanto, é preciso que tenham sorte no matchmaking e que fiquem numa equipa que respeite as funções que escolheram. Quando um defesa defende, um atacante ataca e um apoiante, bem, apoia, ou seja, quando cada jogador assume corretamente o papel que escolheu desempenhar, a partida corre melhor e a vitória (ou uma partida bem disputada) é quase uma certeza. Obviamente que os vossos oponentes não vos vão facilitar a vossa vida e é essencial perceber como contra-atacar, ou arranjar outras estratégias para saírem vitoriosos da partida.

As duas dezenas de Pokémon disponíveis encaixam numa de cinco categorias: Attacker, All-Rounder, Speedster, Defender ou Supporter. Cada categoria tem a sua própria forma de jogar, que acaba por permitir desenvolver estratégias específicas à sua função. Assim, os jogadores vão ter muito por onde escolher e até dentro da mesma categoria é possível escolher uma criatura que ataque à distância ou corpo-a-corpo. Este leque de possibilidades dá variedade ao jogo e deixa-vos sentir confortáveis na seleção do Pokémon que vão utilizar na batalha que está prestes a começar.

Algo que é crucial para se vencer em qualquer MOBA é o equilíbrio da equipa. Felizmente os produtores deste jogo não se esqueceram deste importante factor. Durante a fase de seleção da criatura com a qual vão combater, os jogadores podem ver que funções para desempenhar é que ainda estão disponíveis à medida que os vários membros da equipa fazem as suas escolhas. Se um Pokémon já foi escolhido, mais ninguém pode escolhê-lo e é bom que assim seja para as partidas não serem demasiado frustrantes ao ponto de quebrar o design fundamental do jogo – uma equipa só com criaturas Pikachu ou Snorlax nunca poderia correr bem por razões óbvias.

Embora haja várias classes, todos os Pokémon se controlam da mesma forma. À medida que se ganham pontos de experiência, os Pokémon ficam mais fortes e com novos ataques ou habilidades especiais que não são necessariamente ofensivas. Quando a vossa criatura aumenta de nível poderá dar-vos a opção de escolher entre dois novos poderes (ataques ou habilidades) ou melhoramentos de técnicas que já tenham. Isto não é um processo de escolha automático, têm de tomar esta decisão em tempo real, provavelmente no claro da batalha, mas fazer esta opção nunca se torna um problema por ser tão simples de executar. Se há uma crítica a fazer, é que em termos de jogabilidade, não há diferenciação de sistemas mecânicos entre os vários papéis que se podem desempenhar.

A jogabilidade de Pokémon UNITE é tão acessível que acaba por ser um dos melhores aspetos do título da The Pokémon Company, para assim conseguirem chamar novos jogadores a um MOBA. No entanto, esta simplicidade não oferece a mesma profundidade dos grandes jogos do género. O que, por outro lado, poderá afastar veteranos que jogam títulos MOBA há quase duas décadas, depois da génese do célebre mod de Warcraft III. Assim, UNITE é uma muito boa porta de entrada para o mundo dos MOBA, mas quem já lá mora não se sentirá satisfeito com o que este jogo tem para entregar.

A rapidez e fluidez das partidas, juntamente com as boas mecânicas que sustentam a jogabilidade, fazem com que Pokémon UNITE nunca nos faça sentir aborrecidos. Mesmo que haja alguma repetição em determinados processos de jogabilidade, que formam o intitulado grinding, somos devidamente recompensados com um jogo que, primeiro diverte e que nos motiva a continuar a sessão que começamos. O grande problema deste MOBA surge na forma como está a vender e gerir as suas microtransações.

Visto ser um jogo com um sistema free-to-play, UNITE poderá sofrer a longo-prazo se as microtransações não forem justas para quem está em dúvida em comprar novos Pokémon, indumentárias meramente ornamentais ou um “Battle Pass” com diversas vantagens. Quando um jogo está assente numa economia com cinco unidades monetárias diferentes é porque algo foi mal pensado, mesmo que só uma delas seja adquirida através dos nossos euros.

Pokémon UNITE deveria ter um melhor equilíbrio entre o que se obtém de uma experiência sem gastos e o que recebemos do jogo quando tomamos a decisão de dar uso ao nosso cartão de crédito. Quem for gastar dinheiro terá acesso antecipado a itens que dão melhoramentos permanentes ou temporários aos seus Pokémon. Se ainda estão numa fase de experimentação do jogo, para ver se vale a pena fazer um investimento, ou se é preferível tomar a decisão legítima de não se querer gastar um único cêntimo, então vão se sentir injustiçados quando já tiverem algum calo com o jogo. Não faltarão momentos em que vão ver adversários com Pokémon bastante mais eficientes que os vossos, a razão que vão encontrar cairá provavelmente nas microtransações.

Pokémon UNITE é um MOBA tecnicamente funcional. Ou seja, é bonito, com modelos semelhantes aos de Pokkén Tournament em ponto pequeno, para assim poderem estar bem representados na perspetiva isométrica em que jogamos. Não estamos perante um jogo que é uma autêntica obra de arte, onde os olhos dos curadores do Smithsonian American Art Museum estão postos neste jogo para o juntar à coleção de grandes títulos que lá estão expostos. Este MOBA consegue ser eficiente, não ter travagens na taxa de fotogramas por segundo e ter um design onde podemos distinguir bem os seus elementos para não gerar confusões visuais em qualquer situação da partida.

Apesar da injusta vantagem que os jogadores que pagam pelas microtransações têm, Pokémon UNITE proporciona boas partidas que encaixam perfeitamente nos pilares dos MOBA. Contudo, se são jogadores que já têm uma boa quantidade de horas investidas em League of Legends, este jogo não é, decididamente, para vocês. Caso tenham curiosidade em experimentar este género, não se afastem, esta é a porta de entrada que procuravam.

veredito

Pokémon entrou no género dos MOBA e deixou sinais claros que é por aqui que os novatos devem começar. Infelizmente, as microtransações acabam por ser desajustadas.
7 Jogabilidade bem construída. Bom equilíbrio na escolha dos Pokémon. Economia injusta. Unidades monetárias em excesso.

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Pokémon Unite

para Android, iOS, Nintendo Switch

Um MOBA gratuito para jogar no universo Pokémon.

Lançado originalmente:

21 July 2021