Ser diferente, peculiar ou original pode não ser sinónimo de qualidade, mas é muitas vezes uma característica indispensável para se conseguir o destaque entre a enormidade de títulos com que os jogadores são frequentemente bombardeados. Pool Panic destacou-se aquando do seu anúncio numa das apresentações Nintendo Direct dedicada a experiências de produção independente precisamente por isso, isto é, por se apresentar como algo fora de normal, como um curioso e distinto jogo de bilhar.

Foi dessa forma que me chamou a atenção e também por isso que me mantive atento ao seu lançamento. Agora que já tive oportunidade de passar um número considerável de horas com o jogo e superar uma porção assinalável dos mais de cem níveis que este tem para oferecer, folgo em saber que o título da Rekim faz acompanhar a originalidade do seu conceito com a qualidade necessária para entregar uma experiência bastante agradável que parece encontrar na portabilidade da Nintendo Switch a sua casa favorita.

Não é, claramente, a mais complexa das obras que encontrarão disponíveis no mercado e aqueles que esperam encontrar aqui um mais tradicional jogo de bilhar sairão rapidamente desiludidos, pois não será isso que terão em mãos. Acima de tudo, Pool Panic é um jogo de puzzles à espera de serem resolvidos e que, por design, envolvem a utilização de um taco para a colocação de bolas em buracos. Sim, o objetivo final de cada nível é sempre o mesmo, mas não é por isso que passamos a estar perante um verdadeiro jogo de bilhar.

Aqui, tudo é uma mesa de bilhar. Seja uma parede de escalada, um local de picnic, uma habitação, uma fábrica, uma corrida de motas, um lago, enfim, este é um título que transforma tudo aquilo de que se conseguiu lembrar num local habitado por bolas de bilhar com personalidades e características únicas que tratarão de complicar a tarefa de as colocarmos todas no mesmo saco. No fundo, em Pool Panic há o transformar do quotidiano em locais de bilhar e de uma forma geral resulta com sucesso.

A personagem jogável é, como não poderia deixar de ser, a bola branca e a sua expressão facial é um perfeito indicador da quantidade de vidas pacatas de bolas de bilhar que vai destruir ao longo das várias horas de jogo que passarão neste mundo em que os humanos não têm lugar. As bolas vermelhas são as mais tradicionais, não oferecendo grande resistência ao seu inevitável destino, mas com a introdução de sucessivos novos tipos de bola, o título assegura que os níveis não caiem numa rotina e que não perdem a capacidade para surpreender o jogador.

Por exemplo, existem bolas com patins que se desviam da bola branca antes do contacto, bolas que fogem e se escondem assim que a mira lhes é apontada, outras que insistem em provocar o contacto não solicitado com a bola branca, outras capazes de suster o impacto e ainda outras capazes de nos agarrar e atirar para longe. Apesar da sua pouca cooperação, Pool Panic apenas em raras ocasiões se torna mais exigente e não será certamente por acaso que esses são também os momentos em que a obra acaba por provocar algum cansaço e frustração.

Felizmente, estes níveis são uma minoria na gigantesca quantidade que compõe a aventura, pelo que o aborrecimento nunca permanece durante muito tempo. Mesmo sem complicar em demasia, Pool Panic tem os obrigatórios desafios opcionais para estender a sua longevidade e, claro está, colocar mais à prova a habilidade dos mais destemidos. São eles a colocação de todas as bolas do nível nos buracos, a conclusão do nível em menos de um determinado número de tacadas, a conclusão do nível em menos de uma determinada quantidade de tempo e a conclusão do nível sem deixarem cair a bola branca e preta no buraco antes da sua conclusão.

Obviamente, não precisam de realizar todos estes desafios numa só tentativa - até porque em muitos casos isso é virtualmente impossível -, mas eles estão lá para quem quiser levar a dificuldade para patamares mais elevados. Dito isto, a realização com sucesso destes objetivos opcionais requer um nível de precisão que os controlos - na versão testada - simplesmente não oferecem. Controlar a mira com o analógico, sobretudo quando temos de ser rápidos revela-se facilmente um problema, com este a apresentar uma sensibilidade exagerada. O facto de todos os níveis terem uma câmara fixa também complica os procedimentos em algumas situações.

Para além da mais de uma centena de níveis disponíveis na sua campanha, Pool Panic conta também com o modo de jogo que lhe oferece o seu nome, no qual são atirados para níveis aleatórios e têm de concluir o máximo de níveis de forma consecutiva antes de deixarem o relógio atingir o zero, sendo aqui que a fiabilidade duvidosa dos controlos mais se nota. Dito isto, se quiserem podem igualmente desfrutar de partidas para dois jogadores.

Sem surpresas, até porque foi precisamente por isso que o título chamou a atenção aquando do seu anúncio, Pool Panic é um jogo esteticamente notável, oferecendo-nos visuais desenhados à mão que encaixariam sem grandes problemas numa qualquer clássica banda desenhada ou em desenhos animados do antigamente. Aliado ao sentido de humor que integra um vasto leque dos seus níveis, o estilo visual complementa na perfeição o tom da experiência. É, ainda assim, uma pena que a banda sonora passe quase despercebida durante praticamente toda a obra.

Apesar de alguns percalços, Pool Panic é um jogo de puzzles bastante interessante para aqueles que procuram uma experiência que, embora não muito exigente, é capaz de os entreter e surpreender ao longo das várias horas de conteúdo que tem em oferta. Perfeito para ser jogado em curtas sessões de jogo, o título da Rekim executa com sucesso aquilo a que se propunha oferecer: uma experiência divertida e peculiar disfarçada de jogo de bilhar.