Obras que vão pela via do minimalismo acabam quase sempre por sofrer do mal expresso neste ditado popular, "não julgues um livro pela sua capa". Tantos títulos independentes que querem usar o meio dos videojogos para contar uma história mais simples e madura que deixam para trás o que muitos videojogos têm de único graças ao seu uso: a jogabilidade. Muitos denominados de walking simulators quando o "passeio" em si é apenas um dos veículos para levar as emoções ao jogador.

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Contrariamente a esta tendência que mina as obras dos produtores que seguem por este caminho, Prune faz da jogabilidade o seu grande aliado para evocar momentos geniais que vão acompanhar o jogador por toda a obra.

Ser-vos-á pedido para se tornarem em jardineiros digitais, mais propriamente jardineiros especializados na arte de podar. O vosso dedo é a vossa ferramenta para cortar ramos e assim guiar todas as árvores que vão crescer pelos vossos dedos, até à luz para que a fotossíntese faça o seu trabalho e forneça o arranque para o desabrochar das flores.

Porém, nem tudo é tão simples quanto o parece. Haverá vários fatores a ter em conta que poderão impedir que a vida se estenda até às ramificações mais elevadas dos troncos e ramos mais espessos. Vento forte, uma bola de fogo, espaços apertados, são muitos os perigos que têm de afastar a vossa árvore.

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Com o vosso dedo terão de cortar ramificações que são desnecessárias, pois vão impedir o crescimento vital para a planta atingir a maturidade, os raios solares e florescer. Corte a corte vão encaminhando a vossa pequena árvore para a vida, para o objetivo final que é poder abrir em flor. Mas tudo começa no solo, onde poderão definir a sua inclinação conforme os obstáculos que irá encontrar, nomeadamente um vento forte que poderá decidir cedo a sua direção de crescimento.

Tudo isto é feito em sintonia com o capítulo técnico que envolve Prune. Primeiro, é altamente recomendável que façam esta experiência com os auscultadores ligados no vosso dispositivo, para assim terem sessões mais íntimas com o jogo, nomeadamente para ouvirem na perfeição e com o mínimo de distrações possíveis a bela atmosfera de sons e melodias relaxantes preparadas por Kyle Preston.

Já Joel McDonald, que construiu todo o jogo para além da secção sonora, produtor com um currículo invejável que inclui contribuições em Wolfenstein e Call of Duty, fez um exímio trabalho a aliar a jogabilidade com o design minimalista de Prune. Este sabia exatamente os resultados que conseguia obter em Prune, que exibia uma verdadeira obra de arte no final de cada nível que podia ser contemplada para a eternidade e partilhada pelas redes sociais para ser vista por mais jogadores que pudessem ganhar interesse em comprar este título.

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Contudo, mesmo com uma jogabilidade simples e intuitiva, esta pode ser traída quando for jogada em ecrãs mais pequenos. Jogar no tablet será sempre a opção mais acertada, pois quando a árvore vai crescendo, poderá ter ramificações muito finas ao lado de outras mais grossas, que normalmente são as que deram origem a essas mais frágeis. E quando a câmara se encontra mais afastada, um simples deslizar pode cortar um ramo de maior importância e deitar por terra a progressão até então atingida.

Prune não será um jogo para muitos, como é evidente. Mas caso tenham a disponibilidade de gastar uns meros euros que vos tenha sobrado de alguma compra, serão recompensados por uma experiência sem igual, única no mar de aplicações que inundam os mercados da Apple, Google e Microsoft.