por - Sep 27, 2016

Psycho-Pass: Mandatory Happiness Análise

Depois de Attack On Titan ter muito recentemente convertido a popularidade e qualidade do Anime numa bastante apreciável obra de ação, agora é a vez de Psycho-Pass, mais uma série de animação originária do território nipónico, dar também o salto para as experiências videojogáveis sem descurar os elementos que a tornaram popular em primeiro lugar. Como é óbvio, o público alvo do título seria sempre reduzido, mas depois de o jogar, fica a sensação de que podemos estar perante uma obra produzida quase em exclusivo para os fãs da série.

Psycho-pass mandatory

Antes de explicar o que funciona e aquilo que funciona menos bem, é importante contextualizar o universo em que o título se baseia. Inspirado no popular Anime de investigação policial, Psycho-Pass tem lugar numa versão futurística do Japão no qual uma máquina é capaz de quantificar a saúde mental dos habitantes, avaliando, entre outros aspetos, o coeficiente de criminalidade, sendo que quanto maior este for, maior será a propensão para cometer atos criminosos e colocar em risco o bem-estar do resto da sociedade.

Aqueles que ultrapassam os valores considerados aceitáveis são internados para o resto da vida ou, em casos extremos, executados. Assim sendo, os inspetores de polícia fazem-se acompanhar por executores, isto é, indivíduos com valores elevados de coeficiente de criminalidade que, em troca de um pouco de liberdade, trabalham em conjunto com os inspetores para capturar potenciais criminosos, mantendo a população segura e longe de ser exposta a todo e qualquer elemento que possa ter um impacto negativo na sua sanidade mental.

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Por sua vez, Mandatory Happiness tem lugar durante o período que compõe os primeiros oito capítulos do Anime, mas conta-nos uma história completamente original, introduzindo um novo e cativante vilão ao mesmo tempo que faz uma utilização inteligente do elenco principal da série. Protagonizado por Nadeshiko Kugatachi e Takuma Tsurugi, duas personagens que não têm presença no Anime, o título oferece-nos a possibilidade de jogar a mesma campanha a partir de duas perspetivas distintas, a de uma inspetora sem memórias do passado e de um executor em busca da sua amada desaparecida.

Apresentando-se como um visual-novel, alguns jogadores poderão ficar desiludidos ao perceber que a jogabilidade do título é incrivelmente reduzida, estando limitada a esporádicos momentos de escolha. Como seria expectável, esses momentos de decisão não afetam o desenrolar da narrativa, mas isso também não significa que sejam de importância reduzida. Pelo contrário, é a escolha de diferentes opções que leva a descoberta de diferentes informações relativamente aos casos e também diferentes momentos de interações com o elenco de personagens já bem conhecidas dos fãs.

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É verdade que a campanha, mesmo com duas perspetivas distintas, mantém-se demasiado similar para justificar uma segunda aventura pela narrativa, sendo também certo que as escolhas apenas têm um verdadeiro impacto para decidir qual das diferentes variações do final é que receberão, mas para os fãs deste género e da propriedade intelectual, existem vários motivos para jogar a campanha mais que uma vez. Seja para obter pedaços de informação adicionais, seja para perceber melhor as motivações dos protagonistas, do antagonista ou das restantes personagens envolvidas, apenas testando as diferentes combinações de escolhas é que poderão compreender na totalidade a história que o título pretende contar.

Mais do que uma jogabilidade interessante, um bom visual-novel precisa sobretudo de uma narrativa cativante e capaz de manter o jogador investido nos eventos que decorrem no ecrã e também motivado para ler uma quantidade considerável de caixas de diálogo. Sim, porque apesar do título estar totalmente vocalizado, a vocalização apenas vos ajudará se forem capazes de perceber japonês, caso contrário, terão longas sessões de leitura pela frente, algo que certamente afastará muitos jogadores da obra.

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Felizmente, o arco narrativo apresentado por Psycho-Pass: Mandatory Happiness cativa verdadeiramente e comprova que o sucesso do Anime está assente no seu peculiar universo futurístico e na qualidade das personagens que o protagonizam. Baseando-se num Anime tantas vezes preocupado em levantar questões sobre o que é de facto a felicidade e os diversos modos como esta pode ser obtida, o vilão deste título é um exemplo perfeito de como a série lida com essas questões de forma bastante inteligente, fazendo-nos questionar, por diversas vezes, a moralidade das decisões e aceitar como válidos os argumentos levantados por aqueles considerados como os heróis da história e também os pontos apresentados pelos antagonistas.

Tecnicamente, Mandatory Happiness é uma obra algo rudimentar. Não existem animações de relevo, os mesmos cenários e ambientes são usados vezes sem conta e o estilo visual limita-se a fazer o melhor para recriar a aparência das personagens e dos cenários que fazem parte do Anime. É competente, mas tendo em conta a simplicidade do departamento gráfico do título, seria estranho se tal não fosse o caso. Já a banda sonora é praticamente inexistente, sendo, no entanto, de destacar o facto de as vozes nipónicas serem as vozes originais da série animada.

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Concluindo, Psycho-Pass: Mandatory Happiness é uma obra excelente para os fãs da série que não se importem de passar horas a ler caixas de diálogo, capturando os melhores elementos da propriedade intelectual para construir uma narrativa original que cativa e rivaliza de igual para igual com aquelas oferecidas pelo Anime. Contudo, uma interatividade reduzida, a ausência de vocalização em inglês, o facto das campanhas das duas personagens jogáveis serem muito semelhantes e o impacto pouco percetível das decisões até ao momentos finais impedem a obra de se fixar como uma experiência fácil de recomendar a todos aqueles que nao têm qualquer ligação à série.

veredito

Retirando partido dos melhores elementos do Anime em que se inspira, Psycho-Pass: Mandatory Happiness é um bom visual-novel que sofre com as limitações do género.
7 Arco narrativo interessante. Duas perspetivas distintas... …mas que se traduzem em campanhas demasiado similares. Pouca interatividade.

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Lançado originalmente:

16 September 2016