Nestes últimos anos temos visto uma tendência para grandes produtoras focar o seu desenvolvimento no modo multijogador online, abdicando totalmente de uma campanha a solo. Há algumas questões preocupantes quanto a esta prática, mas caso os jogadores entrem nessa aposta, convém saber se será uma boa oportunidade para lá ficar. A Ubisoft é a mais recente editora a publicar uma obra, dos seus estúdios em Montreal, nestes moldes em Rainbow Six Siege, depois de deixar de lado a campanha que parecia ter o título que foi substituído por Siege, Rainbow Six Patriots.

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O currículo da editora gaulesa é bem conhecido em atiradores táticos, pois esta ainda continua a ter os direitos da franquia do falecido autor literário Tom Clancy com três séries predominantes Rainbow Six, Ghost Recon e Splinter Cell. E é por isso que consegue entregar mais uma obra divertida e diferente do que as outras editoras andam a preparar anualmente.

Uma experiência cooperativa requer um pensamento proactivo às vossas futuras ações, do que fazerem uso dos vossos reflexos visuais e auditivos. Em Rainbow Six Siege, o prazer de jogar chega a longo prazo, quando o objetivo foi cumprido após várias partidas, não em pequenas doses momentâneas depois de um inimigo tombar e desbloquearem a Killstreak tão desejada.

No entanto, há uma pequena barreira a ultrapassar e que não se pode ignorar. Isto é um atirador tático, como já mencionei, ou seja, o caminho para a vitória faz-se com o uso eficiente de gadgets, não apenas com a melhor arma que encontrarem. Há tutoriais com o nome de Situations que vos darão objetivos para cumprirem sozinhos, com a sua dificuldade em crescendo, mas sempre com os meios disponíveis para atingirem o que vos é pedido. À medida que jogam, a memória a curto-prazo que desenvolveram a jogar títulos como Call of Duty, ou outros da mesma família, será substituída por uma atenção redobrada, jogadas cuidadosamente planeadas e uma flexibilidade para se adaptarem a novas situações.

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As partidas de Rainbow Six Siege envolvem duas equipas de cinco jogadores com diferentes turnos. Como este é um título de objetivos, como por exemplo resgatar um refém ou desativar uma bomba, haverá dois objetivos: os atacantes que têm de fazer o que mencionei e os defensores que têm de fazer exatamente o contrário, ou seja, impedir que os atacantes cumpram os seus objetivos.

Porém, mesmo que este jogo seja regido por um pilar de objetivos, as partidas raramente acabam com a sua resolução, mas antes com a aniquilação total da equipa adversária, por que neste título não há respawns que vos darão mais uma oportunidade a algo que vos correu mal. O ideal é jogar com amigos e microfones, mas mesmo que não possuam nenhum desses, não há problema nenhum. O jogo é claro naquilo que quer e uma vez que tenham captado a noção do que é preciso fazer nos tiroteios e, mais importante, no uso de gadgets e equipamento de defesa ou ataque, jogar com desconhecidos não será um fator de desvantagem para o vosso sucesso.

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Além deste multijogador competitivo, ainda existe um modo unicamente cooperativo, denominado de Terrorist Hunt. Francamente, esta é uma adição para variar a jogabilidade de Siege, fortemente inspirada em Horde Mode, popularizado nos atiradores na terceira pessoa. Com o vosso grupo terão de objetivo a objetivo, manter vários pontos de maior importância e esperar a aproximação da vaga inimiga para que usem o que esteja a vosso favor para os eliminar e avançarem para o próximo objetivo.

Não terão acesso a tudo e mais alguma coisa de mão beijada, terão que escolher muito bem o leque de oficiais da polícia à vossa disposição. O elenco é composto por vários elementos de forças da autoridade especializados em lidar com situações de terrorismo, reféns e de ameaças com recurso a explosivos. Têm por isso de escolher com muita cautela os vossos operativos que serão posteriormente usados no multijogador.

Um deles é muito útil, com um martelo que derruba mais facilmente fortificações ou paredes para um ataque surpresa. Também há um médico com a habilidade de recuperar a saúde dos seus companheiros tombados no campo de batalha após uma intensa troca de disparos. Uma unidade das forças alemãs tem a capacidade de anular o uso de dispositivos eletrónicos. Enfim, como devem perceber, existe muito por onde escolher e essa tem de ser feita com a certeza absoluta e total conhecimento das vossas preferências e valências em batalha.

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Um grande fator que podia ditar o sucesso desta obra da Ubisoft Montreal são os mapas onde as partidas se desenrolam. Felizmente, a equipa canadiana conseguiu captar o que é estar numa situação desta natureza. Nos onze mapas que foram entregues - e com uma promessa que os próximos chegarão em formato de DLC gratuito - há uma clara importância nos espaços fechados e da evolução que se pode dar ao longo da partida.

Paredes de madeira são facilmente destruídas com recurso à força bruta, abrindo novos acessos a uma determinada divisão e apanhando a equipa adversária de surpresa. Porém, caso estejam a defender, também se pode evitar essa mesma destruição reforçando paredes mais frágeis ou colocando estrategicamente arame farpado em pontos importantes para abrandar o inimigo. Não faltarão abordagens para que possam atingir o triunfo, tudo graças a mapas bem elaborados com pontos de interesse onde vão ocorrer tiroteios. Contudo, como os mapas são "maleáveis" pelas ferramentas dadas aos jogadores, são estes que determinam onde e quando se darão as situações de maior tensão.

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Não foi por acaso que disse que terão de escolher com muito cuidado as vossas personagens, pois cada uma requer uma determinada maquia de uma unidade monetária do jogo. É pedido 500 Renown - a tal unidade monetária adquirida a jogar - por uma qualquer personagem escolhida de cada uma das cinco equipas que representam, uma segunda requer mais 500 e assim sucessivamente até desbloquearem todos os quatro operativos de um determinado esquadrão. Ou seja, fazendo as contas, terão de conseguir conquistar 20 mil Renown e isso não é pera doce.

Mas claro, a Ubisoft sabia exatamente no que se estava a meter e criou todo um mercado para se poder usar dinheiro real com skins para as armas e todo um catálogo de material cosmético para exibir aos outros jogadores. Também há, obviamente, pacotes de aceleração para receber experiência com uma certa percentagem de acréscimo. É tudo muito duvidoso quanto a estas práticas serem corretas ou não quando esse mesmo modelo é aplicado em jogos gratuitos. Rainbow Six Siege é um jogo a pagar por inteiro e ainda com uma Season Pass para conteúdos vindouros.

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A componente técnica tem um papel muito importante em Rainbow Six Siege, nomeadamente os efeitos sonoros sublimes que têm de ser reconhecidos facilmente para uma melhor antecipação a situações que possam a vir a ocorrer no minuto seguinte. Uma das ferramentas mais úteis e mais exibidas nos trailers do título da Ubisoft é o explosivo que se desdobra e cola numa parede para esta explodir. Distinguir o som da sua aplicação é ainda mais importante do que a sua própria explosão para tomar medidas preventivas e precaverem-se contra um assalto repentino. Ter noção de todos estes aspetos é crucial, algo que a produção não descartou e fez um exímio labor neste departamento.

O grafismo aqui não é de todo vistoso, com uma aproximação quase milimétrica à realidade, mas faz o que lhe compete. O ponto mais curioso é que foi decidido colocar os modos Terrorist Hunt e Situations a trinta fotogramas por segundo, enquanto que o multijogador - o miolo do jogo - a sessenta. Isto na versão PlayStation 4, que nos foi fornecida para análise. Pessoalmente, não tenho nenhum problema com títulos a terem uma ou outra performance, no entanto dou mais valor à consistência do que a esta opção. A diferença vê-se, e é crucial no desenvolvimento das reações a diferentes níveis de fotogramas, principalmente quando essa diferença existe entre o tutorial e o modo multijogador principal.

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Independentemente da plataforma em que adquirem Rainbow Six Siege - convém relembrar que Rainbow Six Vegas e Rainbow Six Vegas 2 são oferecidos na Xbox One caso lá o comprarem -, têm aqui um atirador tático muito bom e divertido para jogar com amigos que tenham na vossa lista.

Porém, convém não esquecer que estão a pagar por um título que tem as mesmas práticas financeiras utilizadas num jogo free-to-play. Mas mesmo com estas limitações de progressão, que vão requer muito grinding da vossa parte, Siege consegue proporcionar largas horas de divertimento onde prevalece o uso da massa cinzenta em vez do pressionar errático do gatilho da vossa arma de fogo.