Se não fossem as produções de cariz independente, duvido muito que se recuperassem as mecânicas, os conceitos e até o próprio caráter das corridas futuristas que os jogadores relembram em obras como Wipeout ou F-Zero. A Nintendo resolveu deixar a série F-Zero em hiato, enquanto a Sony encerrou a produtora britânica, em 2012, que estava a manter a série Wipeout viva. Felizmente, há quem ainda veja valor neste tipo de jogos, onde Fast RMX foi um dos títulos de maior notoriedade e levou a herança deixada pelos jogos já mencionados. Desta vez, foi o trabalho da italiana 34BigThings, que chegou à consola de Quioto - Redout.

Este jogo de corridas futurista é uma adaptação do lançamento original, em 2016, no PC. Em termos estruturais, o jogo é essencialmente o mesmo. Como já é habitual neste género de lançamentos, a produtora decidiu incluir tudo nesta nova versão Nintendo Switch que foi adicionado ao jogo pós-lançamento. Contudo, passar um jogo que foi pensado primeiro para PC e depois para consolas nunca é fácil. A Panic Button fez um excelente trabalho na adaptação de vários jogos publicados pela Bethesda comparativamente com a falta de brio profissional da Studio Wildcard, que publicou uma muito pobre versão do seu popular Ark Survival Evolved. Redout não chega ao extremo de problemas técnicos atingido com o jogo de sobrevivência da Studio Wildcard, mas também não se pode afirmar que o trabalho é excelente para a consola a que se destina.

Esta versão Nintendo Switch não é magra em conteúdos. Redout: Lightspeed Edition, nomenclatura completa da versão Nintendo Switch, inclui um total de sessenta pistas que se estendem em doze ambientes diferentes, vinte e oito veículos, onze tipos de corridas e cem eventos para a carreira a solo. É conteúdo quanto baste para muitas horas de diversão e ainda temos de contar com os vários power-ups e veículos que têm de ser comprados com o dinheiro amealhado nas diferentes provas. Além de ser um jogo muito completo é também muito variado. Há corridas contra o relógio, as típicas corridas contra outros adversários, pistas com obstáculos, ausência de respawns, eliminação direta ou até correr sem podermos utilizar power-ups

Redout é um jogo de corridas em que temos sempre de pilotar no limite máximo de velocidade e só abrandar quando for estritamente necessário. Enquanto conduzimos temos de avaliar todos os fatores que vão contribuir para não atingirmos a velocidade mais elevada que nos é possível atingir. Um traçado com muitas curvas não vai permitir negociar unidades de quilómetros por hora não muito elevados, mas com o power-up certo, podemos esticar esta limitação. O jogo consegue motivar-nos de tal forma a atingir estas velocidades, que não serão raras as vezes que vamos desfazer a aeronave numa das várias curvas, de tanto dano que vamos infligir ao bólide. O ideal é acabar sempre com a viatura intacta e sofrer a menor quantidade de atrasos possível. 


 
Acabar nos lugares cimeiros, principalmente se for uma posição no pódio, significa receber mais dinheiro e mais pontos de experiência. Este sistema convida à experimentação daquilo que torna Redout único. Os pontos de experiência servem para aumentar o nosso nível, que quanto maior, mais utilidades e funcionalidades permite desbloquear. Assim há uma progressão linear em crescendo e, mesmo que não tenhamos experiência suficiente para continuar, podemos comprar outras naves para uma condução substancialmente diferente. 

Trinta fotogramas por segundo foi o que conseguiram atingir para Redout. Bom ou mau, dependendo das preferências de cada um, é perfeitamente viável para nos divertirmos. E esta quantidade de fotogramas é a mesma para o modo de televisão ou para o portátil, assim a experiência é a mesma caso tenhamos de ficar, por qualquer razão, sem o grande ecrã. Infelizmente, é na resolução que o jogo desilude, principalmente no modo portátil. Há texturas muito fracas durante a corrida, nomeadamente as que vemos mais perto da nossa nave. Às vezes, ficamos confusos com o que nos é mostrado na pista, tal é a baixa qualidade das texturas, isto cria uma estranha mistura de cores nas situações mais agitadas e rápidas que não é realmente nada agradável de se ver. 

Mas, tecnicamente, Redout acerta no que é necessário para trazer à Nintendo Switch: uma boa sonoplastia e um grafismo mais que decente como um todo. Redout: Lightspeed Edition vem com todas as características fundamentais da obra italiana, que se propõe a homenagear clássicos de um género com tendência a desaparecer. Tem bastante conteúdo para nos divertirmos durante largas horas. Por isso, se têm saudades de um bom Wipeout ou de um F-Zero, Redout é uma boa escolha, apesar de Fast RMX estar muito melhor em termos técnicos.