Depois de uma última entrada que deixou um sabor amargo na boca dos mais acérrimos fãs da série Resident Evil, a Capcom tem tentado nos últimos anos assegurar que as suas obras de terror permaneçam presentes na mente da sua audiência, uma vez que esta é provavelmente a propriedade intelectual da produtora nipónica com maior relevância e expressão no mercado atualmente.
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Seguindo a estratégia popular de relançar os clássicos do passado nas novas plataformas com uma pintura renovada, o sucesso da versão remasterizada do título original da série relembrou muitos jogadores da qualidade da experiência que colocou Resident Evil nas bocas do mundo. Com o lançamento de Resident Evil 0 no PC e nas consolas mais recentes, a produtora oferece-nos a oportunidade de desfrutar as duas obras que serviram de catalisadores para todas as restantes entradas da série.
Infelizmente, se a obra original conseguiu sobreviver sem grandes dificuldades à passagem dos anos por si, a sua prequela é uma obra com inúmeros problemas que apenas servem para enfatizar as mecânicas datadas em que assenta a sua jogabilidade. De forma sucinta, jogar Resident Evil 0 é como viajar no tempo para uma era diferente dos videojogos, com tudo o que de positivo e negativo isso acarreta.
Lançado originalmente durante o ano de 2002 na velhinha GameCube, a obra que prometia oferecer mais informações sobre o universo da série de terror está longe de ser uma das mais bem conseguidas e populares entradas da mesma. Com o propósito de oferecer um vislumbre sobre as origens dos zombies e criaturas que têm marcado presença em todos os títulos, o jogo tem o condão de responder a algumas perguntas levantadas pela entrada original, embora seja claro desde cedo que a narrativa é um dos pontos mais fracos e de menor importância da obra.
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Tendo lugar antes dos eventos de Resident Evil e da sua emblemática mansão, Resident Evil 0 segue a história da jovem agente Rebecca Chambers, membro da equipa Bravo da S.T.A.R.S., chamada para investigar a fuga do prisioneiro Billy Cohen, Marine dos Estados Unidos condenado à morte por homicídio. Durante as operações de busca, a protagonista dá por si num comboio parado e com toda a sua tripulação morta e transformada em zombies no interior. Após um encontro com Billy, os dois são forçados a trabalhar em conjunto para sobreviver e descobrir a verdade sobre os acontecimentos estranhos a acontecer em Raccoon City.
No entanto, como disse anteriormente, apesar de fornecer informações sobre as origens do T-virus e as motivações do seu criador, todos os restantes elementos da narrativa da obra não fazem qualquer tipo sentido e parecem estar lá apenas para guiar o jogador e fornecer algumas cinemáticas completamente desnecessárias. As motivações do vilão, a aparente obsessão com lesmas, as informações sobre o passado de Billy, nada disto é verdadeiramente explicado e, quando o é, está longe de ser minimamente interessante.
Talvez tenham algum tipo de afeção por Rebecca devido à sua presença na obra original, mas caso contrário, o jogo faz um péssimo trabalho em fazer-vos importar com o que acontece aos protagonistas, estando ambos longe de serem carismáticos ou pelo menos cativantes. Tudo isto é ainda mais acentuado pelo fraco trabalho de vozes que ou entrega as linhas de diálogo com a frieza de um cubo de gelo ou com o entusiasmo de uma criança num parque de diversões.
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Na verdade, tudo o que é interessante e relevante para o universo Resident Evil é nos fornecido através dos papéis que vamos encontrando durante a exploração das várias áreas do título. E isso não só é suficiente para manter o jogador motivado para continuar, como seria capaz de fornecer uma narrativa bastante melhor conseguida, tivesse a produtora apostado nesta mecânica em detrimento de tudo o resto que circunda a campanha.
Uma vez que estamos a falar de uma versão remasterizada de um título com já alguma idade, é importante dar o devido destaque ao fantástico trabalho realizado pela Capcom na revitalização da componente técnica da obra. Com destaque óbvio para os cenários pré-renderizados, Resident Evil 0 HD apresenta ambientes incrivelmente detalhados, com texturas melhoradas e uma variedade de locais que emanam uma personalidade própria, fornecendo informações sobre como estes locais eram habitados antes do vírus ser libertado.
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Para além de controlos de atualizados, a nova edição da prequela da série oferece a opção para jogarem tanto em proporções 16:9 como em 4:3, conforme a vossa preferência por algo mais moderno ou algo com maior valor nostálgico associado. Estranhamente, as cinemáticas CG parecem ter sido completamente ignoradas pela produtora, acabando por funcionar como um excelente lembrete da evolução gráfica a que temos assistido nos últimos anos, tal é o contraste entre a qualidade do grafismo nestas cinemáticas e durante os momentos de jogabilidade.
No que diz respeito à jogabilidade, Resident Evil 0 diferencia-se dos demais por contar com duas personagens jogáveis pelas quais o jogador pode alternar praticamente a qualquer momento, excetuando quando a narrativa não o permite, e assim tirar partido das diferentes características de Rebecca e Billy com o pressionar de um único botão. Se Rebecca é mais frágil em combate, mas pode fazer uso de ervas medicinais para produzir antibióticos e antídotos, bem como fazer uso da sua menor estatura para chegar a locais de outra forma inacessíveis, Billy é mais poderoso em situações de combate, mas limitado nos restantes departamentos.
Tal como em praticamente todas as obras da série, a gestão das munições e do limitado inventário das personagens é uma componente importantíssima da jogabilidade deste título. Na verdade, será esta gestão que ocupará a grande maioria do tempo com o jogo. Uma vez que o título nunca torna verdadeiramente claro os itens que serão necessários para avançarem pelos cenários seguintes, podem ter a certeza que terão de recuar várias vezes a locais previamente explorados para recuperar armas ou itens que pensavam já não vir a precisar.
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Aliando esta constante gestão de inventário, habitual nas entradas iniciais da série, mas amplificada pelo facto de existirem duas personagens jogáveis, aos inúmeros quebra-cabeças que terão de resolver para progredir pela campanha, e o produto final transforma-se numa experiência com um ritmo completamente irregular e maioritariamente pautada por momentos em que nada acontece para lá do incessante avanço e recuo pelos mesmos cenários inúmeros em busca dos itens necessários para conseguirem finalmente avançar para a área seguinte. Esta sensação de aborrecimento, repetição e frustração é ainda mais agravada pelo facto de muitos puzzles envolverem uma lógica e raciocínio bastante rebuscados para serem resolvidos.
Embora seja um título de terror e sobrevivência, Resident Evil 0 deixa bastante a desejar no primeiro departamento. Fazendo uso dos ângulos de câmara fixos e das curtas cinemáticas sempre que mudam de área, o título tem inúmeros momentos e oportunidades para apanhar o jogador desprevenido com um jump scare. No entanto, os momentos em que estes acontecem são poucos e demasiado espaçados entre si, preferindo a obra apostar numa atmosfera de tensão que permanece universal a todos os ambientes.
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O problema é que a forma como a gestão de inventário e os quebra-cabeças nos obrigam a visitar várias vezes os mesmos locais faz com que essa atmosfera de tensão vá gradualmente desvanecendo, transformando o título, em várias ocasiões, numa tradicional experiência de puzzles. A atmosfera de tensão palpável é indispensável num título de terror, mas sem os momentos capazes de provocar um repentino acelerar do batimento cardíaco do jogador, esta rapidamente perde o seu efeito e capacidade de manter o jogador em alerta constante. A banda sonora bastante minimalista ajuda a manter um clima de suspeição no ar, mas também tem poucas oportunidades para brilhar.
Se o grafismo é capaz de nos fazer esquecer por breves momentos que estamos a jogar uma obra com já 14 anos de idade, as mecânicas de tiro arcaicas e a ausência de gravação automática do vosso progresso certamente vos farão sentir nostálgicos por tempos passados. Isto até terem de repetir uma hora inteira de jogo porque um sapo mutante decidiu aparecer sem aviso prévio para ingerir uma das personagens. Nesse momento, a nostalgia é substituída por frustração e somos relembrados do quão mal-habituados temos ficado nestes últimos anos.
Para lá das melhorias técnicas, a principal novidade da versão remasterizada de Resident Evil 0 é a introdução do modo Wesker. Oferecendo a oportunidade de assumir o controlo de uma das mais populares personagens da série, este modo destaca-se sobretudo pela forma como altera a experiência da obra. Substituindo o papel de Billy na campanha, Wesker é uma personagem claramente demasiado poderosa que dispara lasers dos olhos e é capaz de esquivar-se, movimentando-se bastante mais rápido pelo cenário. Ainda assim, o facto deste modo estar bloqueado até à conclusão da campanha original, faz com que seja apenas um bónus que não justifica uma segunda conclusão pela longa narrativa.
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Enquanto versão remasterizada de um título lançado há mais de uma década, Resident Evil 0 HD é uma obra revitalizada com o cuidado e respeito que a Capcom lhe merece, apresentando um grafismo bastante apelativo que apenas é prejudicado pelas datadas cinemáticas CG. Infelizmente, enquanto prequela da série de terror, o título sofre significativamente com puzzles rebuscados e uma gestão de inventário aborrecida que levam a uma constante deslocação pelos mesmos cenários, destruindo por completo a atmosfera de tensão dos seus ambientes.

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