Concluir Resogun é completamente diferente de completar o exclusivo PlayStation 4 da Housemarque, a produtora finlandesa que ficou conhecida pela série Super Stardust e Dead Nation. Sair vitorioso de todos os seus níveis é apenas o treino para um dos jogos que se vai tornando mais viciante com o passar do tempo investido. O seu ponto mais forte é que há sempre algo a melhorar, algum ponto onde a nossa prestação pode ser melhorada, ou pelo menos é essa a sensação que Resogun dá. Quando nos apercebemos que estamos de regresso ao jogo para uma nova sessão de "mais cinco minutos, apenas mais cinco minutos, prometo", consciencializamo-nos que o jogo nos tem exatamente onde quer: preso pelos dedos.

Mas o que é Resogun? Um shooter 2D em side scrolling. O jogador apenas pode disparar para a esquerda e para a direita, além de usar bombas e um ataque devastador. Se pensam que a jogabilidade é simples, o charme do argumento também não se exume por muitas páginas: com a nossa nave temos que salvar os últimos humanos da nossa espécie. Tudo é desprovido de complexidade até ser conjugado numa amálgama que resulta no vício descrito no primeiro parágrafo da análise.

Para salvarem os humanos têm primeiro que abrir as caixas onde estão guardados. Para tal, o narrador avisa que estão no mapa os Sentinels que o permitem. Quando os abaterem, os humanos caiem no cenário do jogo e vocês passam a jogar em contrarrelógio para os colocar os entregar em dois pontos do cenário rotativo. Na parte superior do ecrã, uma contagem com todos os humanos que compõe esse cenário, os que já salvaram e os que já se perderam para sempre. De notar que esse marcador exibe ainda em cor azul quando um Sentinel está no mapa, assim como quando um humano está livre da sua jaula e no cenário.

Se atentarem apenas nestas últimas frases, perceberão facilmente que a vontade de salvar os vossos semelhantes nem sempre é correspondida pela vossa habilidade de o realizarem. Seja porque estão longe do local onde eles foram destacados, seja porque o ecrã está pejado de inimigos, Resogun é cruel ao ser tão frenético, em colocar a preciosa condição humana nas nossas mãos de forma debilitada e incerta. Depois de passar longas horas com o jogo, este malabarismo de vontade e de possibilidade é algo que nunca deixa de atormentar o jogador.

O jogo permite que o humano seja atirado para um dos pontos de controlo, poupando aos jogadores preciosos nanossegundos que se revelam pequenas bolhas de oxigénio em momentos de maior aperto. Podem terminar todos os níveis sem salvar um único humano, pois o jogo só termina quando perdem as vidas todas, contudo, além de estarem a negligenciar um dos pontos mais interessantes do jogo, perdem as recompensas aleatórias que cada salvamento oferece: vida extra, um aumento na pontuação ou um escudo, além de momentaneamente aumentar o número de misseis que são capazes de disparar. O jogo está dividido em quatro níveis de dificuldade: Novato, Experiente, Veterano e Mestre, contudo, basta experimentarem-no em Veterano ou Mestre e perceberão com bastante rapidez que sem estas benesses não durarão muito em jogo.

Quando não estiverem preocupados com isso, além dos tiros normais - que podem ser melhorados com lasers, misseis, etc - existe ainda a possibilidade de lançar bombas, de entrar em modo Turbo e em modo Overdrive, que basicamente dispara um tiro de canhão que pulveriza todos os que estiverem no cenário a fazer-vos frente. Obviamente, estas habilidades são limitadas, portanto o seu uso tem que ser o mais racional e temporizado possível. A jogabilidade refinada e responsiva ganha assim novas dimensões.

Não existe uma maneira certa e uma maneira errada de jogar Resogun, existem sim padrões que podem ser compreendidos e decifrados, o que levará o jogador a adaptar a sua estratégia de ataque e defesa como melhor o satisfizer. As cartas em cima da mesa são as que foram enunciadas até aqui, todavia, será cada um que gizará as suas prioridades e a ordem pela qual pretende chegar ao fim do nível. Convém não esquecer que o cenário é cilíndrico, portanto existirão métodos de investir pela esquerda, pela direita, ou combinando as direções até que todos os humanos estejam salvos e o boss derrotado.

O conteúdo pode parecer escasso com apenas três naves - Nemesis, Ferox e Phobos - sendo que cada uma delas tem diferentes parâmetros de Agilidade, Turbo e Overdrive; e apenas cinco níveis - Acis, Ceres, Decima, Febris e Mifitis - porém, tal como já disse no início do texto, Resogun é um jogo que vale pelo seu valor de repetição, pois a vossa pontuação está sempre em causa, estão sempre a lutar contra a vossa marca e contra a tabela de liderança da qual fazem parte. Além do modo arcada, poderão escolher jogar apenas um nível.

O jogo oferece ainda um modo cooperativo online. Por um lado é pena que não exista cooperação na mesma PlayStation 4, porém, depois de realizar algumas partidas, percebi que assim é possível que os dois jogadores percorram o mapa como bem entenderem sem atrapalhar a prestação do outro, por diversas vezes estava num lado do cenário enquanto o meu companheiro de destruição estava no lado oposto, sempre sem nenhuma latência ou qualquer tipo de penalização técnica.

E por falar em técnica, o jogo é extremamente apelativo graficamente. O cenário como pano de fundo é bem detalhado e o que se passa na área de jogo é um fogo de artificio constante. Seja com o uso das habilidades especiais, seja com a destruição dos inimigos, que espalham os milhares de voxels de que são feitos por todo o lado, é surpreendente o que o jogo consegue proporcionar, nunca deixando ninguém indiferente. O único ponto negativo prende-se com a variedade dos cenários que é praticamente nula.

A música é o típico do género, com ritmos acelerados para combinar com a ação. De salientar que as instruções são recebidas pela coluna do DualShock 4, não interferindo com a banda sonora. O jogo encontra-se parcialmente em português, ou seja, o texto está localizado mas as instruções permanecem em inglês, sendo que podem-se ir preparando para ouvir ad infinitum "Save the Last Humans".

A Housemarque consegue com o seu exclusivo PlayStation 4 - gratuito para todos os subscritores PlayStation Plus - entregar não só um dos jogos mais impressionantes graficamente na nova consola da Sony, como provavelmente aquele que mais tempo vai ocupar no vosso pensamento quando estiverem longe da consola. A sua simplicidade desarmante é uma fachada para a conjunção de tensão com divertimento e sempre a última tentativa adiada de regressarem para mais uma sessão de jogo.