Não interessa qual é o vosso gosto em videojogos, não interessa a vossa idade, nem tão pouco há quanto tempo fazem deste o vosso hobby preferido: em determinada altura, certamente já terão pensado - ou comentado - que o vosso gosto musical daria uma banda sonora muito melhor do que aquela que estão a ouvir. Um dos pontos mais fortes de Rush Bros. é precisamente esse: a jogabilidade é com a produtora, a sonoplastia fica a cargo do jogador, deixando-o carregar as músicas que tem no disco rígido do seu computador, desde que estejam em formato MP3 ou OGG.

Os problemas de Rush Bros. começaram-se a revelar quando o estado de graça começou a dissipar-se. Sim, permitir que os mais de quarenta níveis sejam concluídos com aquilo que eu escolho ouvir é interessante, contudo, o cerne do jogo não demora muito a revelar-se como algo pouco entusiasmante. Como em qualquer jogo de plataformas, o objetivo é ir do lugar onde somos colocado no nível até à sua conclusão, ultrapassando tudo aquilo que a produtora XYLA Entertainment resolveu colocar no nosso caminho.

Correr, saltar e deslizar pelo cenário é tudo o que precisam de fazer para deixar para trás as complicações do cenário, sejam espigões, material corrosivo, enfim, armadilhas que outros jogos do género já introduziram neste modelo de jogo, vários com um design mais interessante e mais desafiante. Além disso, talvez para aumentar a sua longevidade ou então para obrigar os jogadores a reconhecer todos os cantos a alguns cenários, o caminho que vai do início ao final do nível não é numa única direção: por inúmeras vezes vão ter que encontrar chaves da mesma cor da porta que têm que desbloquear.

O maior ponto positivo é uma oportunidade desperdiçada. Rush Bros. usa a música que estão a ouvir para animar alguns obstáculos, o que condiciona a jogabilidade de uma maneira bastante interessante, pois obriga o jogador a adaptar o seu estilo de jogo ao ritmo da música que estão a ouvir naquele nível. Pessoalmente, foi a funcionalidade do jogo que mais me agradou, contudo, a produtora inexplicavelmente não lhe deu grande continuidade, tornando estas secções demasiado escassas. O mais frustrante é que a produtora calculou tudo isto de uma maneira extremamente funcional, uma vez que se vos calhar uma música rápida numa secção de um nível complicado, podem rapidamente trocar para o próximo tema da vossa lista, facilitando-vos a tarefa. Não consigo compreender - nem encontrar um motivo válido - para que isto não seja prática durante o jogo todo.

Curiosamente, apesar do jogo estar disponível no Steam, o primeiro aviso que aparece antes de chegarem ao menu principal recomenda que usem um comando, o que, pessoalmente, dá mais precisão à jogabilidade, nomeadamente, aos saltos que requerem mais temporização da parte do jogador. Infelizmente, o uso de acessórios não atenua a sua apresentação nem tão pouco uma mecânica de checkpoints que não demorarão muito a perceber que está mal distribuída, o que prejudica o principio basilar: completar cada nível o mais rapidamente possível.

Pegando nesta última linha, a adição de um modo multijogador competitivo torna tudo um pouco mais frenético. Sim, estes problemas continuam lá todos, porém, como estão mais preocupados em ser mais rápidos que o vosso amigo, a competição refresca um pouco os objetivos, atenuando as falhas que sabotam o modo a solo.

Uma das maiores surpresas está na tradução do jogo para português de Portugal ou para português do Brasil, caso estejam a ler esta análise a partir do América do Sul. De uma maneira geral a localização está bem conseguida, ainda que em abono da verdade, a quantidade de texto a traduzir não fosse muito, mesmo para um jogo de plataformas. Contudo, "Quadro de Lideres" e "Steam Multiplayer" podiam facilmente ter sido substituídos por algo mais intuitivo.

Em termos técnicos, Rush Bros. oferece um grafismo que acentua o colorido das várias secções dos níveis com cenários bastante diversificados, ainda que alguns sejam consideravelmente mais apelativos que outros. Tal como foi dito, a sonoplastia fica encarregue ao jogador. Pessoalmente, joguei ao som de Deftones e System of a Down para testar a reação do jogo a músicas mais rápidas e recorri a algumas baladas de Radiohead, Ornatos Violeta e Foo Fighters para contrapor com algo mais calmo. Caso optem por não usarem as músicas que têm no disco, aquilo que o jogo oferece não é nada de considerável, deixando perceber que a produtora confiou plenamente que a maioria dos jogadores o iria ignorar por completo.

Resumidamente, Rush Bros. teve uma ideia interessante que não conseguiu implementar de maneira magistral. O princípio do jogo reagir à vossa música é interessante sem dúvida, porém, peca por ser escasso. Sem isto, estamos perante um jogo de plataformas que permite aos jogadores preencherem os seus tímpanos ao vosso bel-prazer. Se tiverem um amigo com quem possam partilhar a experiência, por momentos a competitividade colocada em cima da mesa faz com que os problemas descritos sejam relegados para segundo plano, porém, a verdade é que Rush Bros. é uma mera sombra daquilo que poderia ter sido.