Desde há uns anos a esta parte que a indústria dos videojogos tem vindo a ser vista por muitas produtoras como o local perfeito para expandirem as suas marcas. Este facto é especialmente evidente no que diz respeito a séries Manga e Anime japonesas de enorme sucesso, como Naruto e One Piece. Num patamar inferior de reconhecimento por parte do mais comum dos jogadores existe igualmente Saint Seiya, também conhecido como Cavaleiros do Zodíaco, que viu a sua segunda entrada na PlayStation 3 ser lançada no final do mês de novembro.

Tal como muitas outras adaptações, Brave Soldiers conta com uma história produzida especialmente para o jogo, oferecendo uma nova aventura através de uma perspetiva diferente do universo Saint Seiya. Para os menos familiarizados com a Manga, o título informa-mos que os Saints são os guerreiros que lutam ao lado da deusa Atena, responsável por assegurar a paz no mundo e impedir que se inicie uma guerra que o poderá destruir. Já o papel de vilão principal fica entre ao Grand Pope Arles que procura exercer o seu domínio sob o mundo que o rodeia.

De uma forma sucinta, o principal objetivo do jogador será salvar Atena da Seta Dourada com que foi atingida e que cravará o seu coração dentro de um espaço de doze horas, sendo que apenas Pope a pode retirar do seu corpo. A história é contada na sua totalidade através de texto narrado em japonês e diálogo entre personagens, mas o seu principal problema é a falta de interesse que provoca nos jogadores que não são fãs da Manga, embora seja possível avança-las imediatamente. Ainda assim, é de salientar as largas horas de conteúdo que oferece.

Saint Seiya: Brave Soldiers é um título de combate com batalhas num cenário a três dimensões. No entanto, não é preciso muito tempo de jogo para chegarem à conclusão que os combates são desinteressantes e repetitivos. O número de ataques e consequentes combinações possíveis é extremamente curto e darão rapidamente por vocês a ver as mesmas animações vezes sem conta. É também um pouco irritante que os controlos não sejam sofisticados o suficiente para garantir uma aproximação ou afastamento rápido, acabando por ser normal passarem muitos momentos a atacar impiedosamente a atmosfera. A ausência de um tutorial também não ajuda o jogador a diversificar o seu leque de ataques, existindo apenas um modo de treino onde terão de parar o jogo e ir ao menu para a ver a lista de combinações.

Para além do modo história, o segundo título da série na PlayStation 3 conta com os habituais modos de batalhas, mas aquilo que o torna bastante mais interessante é o facto de existirem vários tipos de combates com regras especiais, conferindo boas alternativas à monotonia que se pode rapidamente associar aos combates normais. Entre as escolhas possíveis, destaco os combates que terminam quando uma das personagens é derrubada três vezes, quando alguém consegue aplicar o primeiro ataque e outro em que as barras de HP estão ausentes do ecrã. Brave Soldiers conta também com o tradicional modo de sobrevivência, e o modo Galaxy War que funciona como um modo de torneio no qual podem participar até oito jogadores. Se assim desejarem, poderão também combater contra outros jogadores online, embora as opções dos combates sejam muito reduzidas.

Como não poderia deixar de ser, o título produzido pela Namco Bandai possui um leque bastante extenso de personagens e arenas, todas certamente familiares aos fãs da série, que são desbloqueadas à medida que avançam pela história do título. Todas estas personagens podem ser personalizadas com "orbs" para melhorar as suas habilidades. Adquirir orbs custa dinheiro que é angariado consoante o nosso desempenho em todas as batalhas em que participarem, embora este elemento de personalização apenas possa ser usado em combates específicos. Os fãs da Manga ficarão também contentes por saber que o jogo possui um número gigantesco de itens e galerias relacionadas com a série para serem desbloqueadas.

Graficamente, Brave Soldiers possui um estilo visual com muitas semelhanças à propriedade em que é baseado e também a tantas outras adaptações do género. O título é pautado por cores coloridas e apelativas, mas nada que consiga deixar qualquer jogador verdadeiramente surpreendido. Sobre a banda sonora, o melhor elogio que lhe posso fazer é que se enquadra perfeitamente no universo e faz mais do que suficiente para acompanhar de forma positiva toda a experiência.

Assim sendo, Saint Seiya: Brave Soldiers é um título de combate que falha em ser isso mesmo, possuindo um combate demasiado simples e repetitivo para manter o jogador interessante durante a sua longa campanha. Dito isto, os fãs da série encontrarão aqui uma história interessante para acompanhar, várias personagens e arenas familiares e um número gigantesco de desbloqueáveis para se entreterem durante algumas horas.