Um estabelecimento de restauração pode ser um sítio caótico e sem a mínima organização não há como se movimentar sem chocar contra colegas de trabalho ou, na pior das hipóteses, clientes. Quando se tem a cabeça a pensar em ideias para uma Game Jam, Served! A Gourmet Race, parece um conceito bem pensado, com a diversão multijogador como foco principal do jogo.

Quando se joga Served! a sensação predominante é que estamos a experimentar um projeto saído diretamente de uma sessão temática de criação de videojogos. Contudo, se o estamos a analisar, é porque Served! está concluído e pronto a ser vendido na eShop ou qualquer outra plataforma digital onde foi disponibilizado.

Infelizmente, a sensação que estamos perante um produto magro em conteúdo não nos abandona, mesmo sabendo que custa cerca de um décimo do que um jogo que teve um orçamento milionário para ser desenvolvido. Qualquer jogo de orçamento muito inferior, do que uma obra produzida pela Nintendo, Rockstar Games ou Blizzard, por exemplo, pode e deve ter conteúdo que o enriqueça sem que fique dependente do multijogador.

O conceito de Served! é estranho, mas divertido. São quatro trabalhadores na área da restauração que estão, por qualquer razão desconhecida, a competir numa corrida efetuada num restaurante e no seu espaço circundante. Temos dois empregados de mesa e dois chefs de cozinha, todos provenientes de países diferentes.

No que à jogabilidade diz respeito, controlam uma destas quatro personagens que corre contra as outras três, com uma perspetiva em quem vêem a pista quase toda de cima para baixo, tal como faziam alguns títulos de corridas mais antigos. Para correr, basta inclinar o analógico do Joy-Con para a direção desejada e carregar no botão B para dar um impulso à velocidade, o que tipicamente chamamos de boost. Escolher uma ou outra personagem depende unicamente do ataque especial que este tem, nada mais. O ataque, quando bem efetuado serve para abrandar os outros jogadores que desejam chegar ao primeiro lugar.

Apesar dos controlos simples, a jogabilidade é caótica. O que não falta nas corridas de Served! são elementos para vos fazer abrandar. Se embaterem contra o cenário, seja uma mesa, um cliente ou uma máquina qualquer da cozinha, abrandam consideravelmente. Manter uma corrida a alta velocidade (à rapidez que o boost nos permite) é praticamente impossível - só com muita prática e conhecimento de quando é que um elemento do cenário se vai mover para se desviarem atempadamente.

Além disto, o impulso que podem dar à vossa velocidade não dura para sempre. Por isso, convém passar pontualmente por faixas que recarregam a vossa barra de energia para ativarem este impulso e perderem o mínimo de velocidade possível. Porém, passar por estas faixas constitui um risco à permanência no primeiro lugar. Normalmente, os atalhos estão afastados destas faixas que recarregam a vossa energia, assim como existem perigos que vos obrigam a fazer um desvio maior para não embater neles. É tudo uma questão de equilíbrio e de irem negociando o risco e a velocidade a que queremos correr.

Além de haver só quatro personagens, assim como apenas oito pistas, estas foram mal desenhadas, visto só provocarem frustração, em vez de divertimento. Obviamente que se jogarem com amigos, não terão de passar pela irritação de jogarem contra uma inteligência artificial que vos dá quase uma volta de avanço. São tantos os obstáculos para nos travar que passamos a maior parte do tempo com os Joy-Con a vibrar (a vibração é activada sempre que somos travados por qualquer elemento do jogo).

Graficamente, não oferece nada de particularmente brilhante. Contudo, houve uma preocupação em reproduzir fielmente aquilo que representa a cozinha americana, francesa, japonesa e italiana. Por isso, mais vale reservarem Served! exclusivamente para sessões multijogador. Assim, vão-se divertir muito mais do que a jogar sozinhos. Vão, certamente, continuar a proferir impropérios por esbarrarem contra todos os locais do cenário, mas já não o fazem sozinhos.