Pedro Martins por - Mar 8, 2022

Shadow Warrior 3 – Análise

Shadow Warrior 3 não se leva demasiado a sério e quer que os jogadores façam o mesmo. A nova proposta da Flying Wild Hog começa numa toada exagerada e tenta manter o ritmo em crescendo até ao confronto final. A intensidade está bem patente, mas perde o fator novidade na segunda metade.

É um Atirador na Primeira Pessoa rápido em que controlamos o mercenário Lo Wang (Mike Moh). A aventura começa com uma longa tirada que nos apresenta um Wang abatido depois de ter infligindo um enorme dano à civilização com o dragão demoníaco que libertou acidentalmente.

O jogador terá, como seria de esperar, que evitar que o dragão, The Evildoing Dragon, aniquile o que resta da humanidade. Temos a companhia de várias personagens secundárias, incluindo Zilla e Hoji. São personagens que vão entrando e saindo do arco narrativo, que fica na memória pelo sentido de humor raramente eficaz.

As interações entre Wang e a sua equipa parecem claramente inspiradas em Deadpool e em Duke Nukem, todavia, a temporização nem sempre é a melhor, especialmente quando a matéria principal é a brejeirice – incluindo uma piada com fezes bem perto do final. Alguns momentos são inspirados, mas não é um arco narrativo que fica na memória durante muito tempo.

Desde cedo que se adivinha onde é que o jogo nos vai levar e não há uma verdadeira surpresa narrativa. Sim, temos pela frente um confronto contra um boss, mas tudo termina como há muito se esperava, incluindo uma cena que vai buscar Motoko, uma feiticeira que pouco faz pela trama, além de ser o interesse amoroso de Zilla e de introduzir Tanuki, um guaxinim que vai crescendo de importância.

Os melhores momentos de Shadow Warrior 3 dependem da sua jogabilidade e a verdade é que durante a primeira metade o caos coreografado da obra é uma excelente forma de manter o jogador investido. Wang tem uma arma primária, a catana Dragontail, e um alinhamento de armas de fogo que vão sendo progressivamente desbloqueadas. O cerne da jogabilidade está na mistura dos dois estilos de jogo.

Não demora muito tempo para percebermos que o ritmo é definido por arenas consecutivas com cenas de parkour e plataformas intercaladas. Quanto mais tempo dedicarem ao jogo, mais exuberantes são as armas – de um revólver chamado The Outlaw à Shuriken Spitter, uma besta que dispara discos – há um manancial que transforma as primeiras horas numa descarga de adrenalina.

Há armas que atiram um ataque lento, pesado e, consequentemente, mais devastador por disparo, e outras que são ligeiras. Trocar entre ambas, aplicando a que melhor se aplica a cada tipo de inimigo é crucial. E o jogo dá-nos incontáveis inimigos por secção para que este exercício possa ser executado com resultados sempre delineados por uma violência sem reticências.

Os cenários onde os confrontos decorrem têm também itens com os quais podem interagir, como por exemplo barris que explodem ou que congelam momentaneamente os inimigos, espigões mortíferos, interruptores que ativam serras ou que fazem o chão dos cenários abrirem, enfim, adereços que marcam presença para dinamizar ainda mais a jogabilidade.

Este exército de inimigos conta com um alinhamento interessante. Oni Hanma, por exemplo, tem um ataque forte de proximidade. Os Seeking Shokera pairam sobre os cenários num verdadeiro teste à vossa pontaria. Contudo, foram os Mogura Twins que mais detestei – movimentam-se pelo subsolo infligindo dano ao jogador e nem sempre é fácil perceber onde estão. Terão que aproveitar ao máximo os segundos em que saltam e ficam ao vossa alcance.

Um dos processos de jogabilidade mais recompensadores são os ataques finais. Ou seja, Shadow Warrior 3 permite que pressionem dois botões e terminem as vidas dos inimigos de uma forma brutal quando recolherem Finisher Orbs suficientes. É crucial que os calculem bem, porque além de ficarem temporariamente com as armas dos inimigos, podem também receber um reabastecimento da vossa vida. São movimentos que estão ao nível de Mortal Kombat no que à violência visual diz respeito.

O protagonista e as suas armas podem também ser melhoradas durante o jogo. Com diferentes categorias, são ramos onde podem investir cuidadosamente as orbes que vão recolhendo durante a aventura. Além de estarem nos locais mais recônditos do mapa, estas orbes podem também ser desbloqueadas ao concluírem desafios específicos. Por exemplo, matar cem inimigos com a catana, matarem vinte e cinco inimigos com tiros na cabeça dados com a The Outlaw ou recuperarem 5000HP de energia.

Se tudo isto parece divertido, é porque o é. O grande problema é que a Flying Wild Hog não conseguiu incluir processos que renovem tudo o que vão desbloqueando nas primeiras horas. Ou seja, no último terço de Shadow Warrior 3, a jogabilidade continua praticamente inalterada, o que é cansativo se tivermos em consideração que estamos perante os mesmos inimigos, horda após horda.

Lo Wang pode também correr pelas paredes nas zonas devidamente assinaladas e pode usar um gancho em anéis verdes quando o comando aparece no ecrã – o gancho pode também ser aplicado para aproximar os inimigos, por exemplo. São zonas que normalmente servem para quebrar o ritmo frenético do combate, mas que inexplicavelmente apresentam também um momento particularmente frustrante.

Já na reta final do jogo têm que deslizar por uma encosta abaixo. Elevarem-se da plataforma com o duplo salto, usar o gancho, disparar contra o que está a impedir o cenário, tudo parece corriqueiro. Porém, tive que recomeçar o trecho diversas vezes porque Wang morre ao mínimo toque com certas partes do cenário. A frustração chega porque muitos destes toques acontecem sem qualquer aviso, com o jogador a perceber apenas que a personagem faleceu novamente.

O meu tempo com Shadow Warrior 3 decorreu num PC e o grafismo apresenta algumas vistas deslumbrantes, capazes de edificar uma atmosfera que vai do Japão Feudal aos cenários grotescos no final. Este poderio gráfico é também usado para ilustrar as mortes violentas de algumas criaturas que já tinham ficado na memória pelo seu design.

A modelagem das personagens principais também está bem conseguida, algo facilmente percetível nas diversas cenas de vídeo que servem para fazer o argumento avançar. E, não menos importante, as batalhas nunca provocaram problemas com a framerate, mesmo quando o ecrã estava pejado de inimigos, explosões e efeitos.

Finalmente, a sonoplastia tem alguns temas que complementam bem a ação, mas a vocalização não vai emocionar ninguém. É verdade que a qualidade da escrita não ajuda, mas é um elenco que está preso a personalidades ligeiras. Em termos práticos, muitas das interações são marcadas pelo tom de um humor que depende muito das piadas de uma linha.

Quando Shadow Warrior 3 terminou, ficou comigo a adrenalina de descobrir as novas armas e os processos da jogabilidade. Há diversão genuína em coordenar os ataques de proximidade com a catana e o poder bélico que vai sendo melhorado. É pena que as grandes revoluções sejam introduzidas sobretudo na primeira metade, porque a disposição do jogador fica posteriormente marcada primariamente pela repetição.

veredito

Shadow Warrior 3 tem uma primeira metade marcada pela diversão e adrenalina de um combate frenético e cheio de ritmo. É pena que a Flying Wild Hog tenha ficado sem ideias para o que faltava.
7 Combate frenético. Prazer de descobrir as novas habilidades e melhorias. Segunda parte sem grandes novidades. Sentido de humor aposta na piada fácil.

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Shadow Warrior 3

para PC, PlayStation 4, Xbox One
Shadow Warrior 3

Terceira entrada da série de ação frenética.

Lançado originalmente:

1 de março, 2022