A produtora desta obra quis fazer “o que o jogo original devia ter sido - um clássico instantâneo”. Obviamente que palavras como estas não foram pensadas antes de serem proferidas pelos criadores de Shaq Fu: A Legend Reborn.
Há quem diga que Shaq Fu, o jogo de 1994 lançado na SNES (e muitos outros sistemas), um jogo de luta que tinha a estrela da NBA, Shaquille O’Neal, como personagem principal, era um clássico de culto. Por isso, fiquei muito intrigado com as declarações dos criadores do jogo, porque se Shaq Fu: A Legend Reborn é realmente o que o original devia ter sido, então não consigo sequer perceber como é que um jogo deste calibre atinge um estatuto de clássico, quando não tem, sequer, argumentos para sê-lo.
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As maiores celebridades do mundo transformaram-se em entidades demoníacas para manter os seus fãs e seguidores apáticos. Shaq Fu, o grande herói do jogo, é um lutador que terá de realizar o seu destino vaticinado por uma profecia que o designa como salvador dos infortúnios do homem. Shaq Fu, caso não fosse evidente pelo seu nome, é um mestre do Kung-fu, um homem que treinou toda a sua vida para concretizar esta antiga profecia.
Este título é um típico jogo de luta onde deslocamos a nossa personagem da esquerda para a direita, até não ser possível continuar mais, ou seja, até chegarem ao boss do nível em que se encontram. Do início ao fim do nível, vão enfrentar inimigos básicos que não vos causarão muitos problemas. Podem dar pontapés, murros e a óbvia combinação de golpes que, quando executada corretamente, permite aplicar dano adicional aos inimigos que vos ousam enfrentar. Façam tudo corretamente, nos timings habituais, para que no final possam dar um golpe tão forte que o pé de Shaq fica incrivelmente grande de forma a poder atingir com bastante força mais do que um inimigo de cada vez.
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O combate é simples e satisfatório... durante os primeiros cinco minutos. Após esse intervalo de tempo, instala-se a repetição no jogo, o que faz com que fiquemos rapidamente aborrecidos. Nem quando o jogo tenta variar o ritmo ou incluir novas formas de combater nos consegue cativar por muito mais tempo. Ainda bem que o jogo é curto ao ponto de não prolongar esta sensação de tédio. Nota-se claramente uma falta de equilíbrio na entrega de conteúdo e a incapacidade para se criar um combate recompensador. É mau presságio para o jogo, quando isto acontece logo no primeiro nível.
O jogo da Big Deez Productions tenta usar a comédia como o seu maior trunfo. Porém, nem a narrativa é apelativa ao ponto de ter a capacidade de nos fazer rir em alguns momentos. Não obstante, é a caricatura de alguns dos inimigos que é mais interessante de observar. Existem representações cómicas de Paris Hilton, do presidente dos Estados Unidos e de Justin Bieber. Por muito que o jogo tenha acertado em gozar com estas celebridades, isto não o torna mais aprazível, uma vez que continua a ser extremamente aborrecido combater estes inimigos com mais personalidade.
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Para um jogo que foi financiado com sucesso numa plataforma de crowdfunding, é triste ver que este é o resultado do meio milhão de dólares que foi angariado. Não há centenas de golpes para aprender, nem milhares de inimigos para enfrentar e muito menos uma inteligência artificial que se adapta à nossa forma de jogar.
Graficamente, a obra está de acordo com o tom humorístico que quer impor, com personagens que são autênticas caricaturas que parecem ter saído de uma banda desenhada cheia de cor. Os efeitos de luz, sobretudo das explosões, também foram bem implementados neste festival do tédio.
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Em suma, Shaq Fu: A Legend Reborn poderia ser muito bem o que o título sugere. Contudo, o produto final teria de ser muito diferente, um jogo com uma comédia mais subtil e com uma jogabilidade mais complexa. Infelizmente, ficamos com uma obra associada a uma estrela do basquetebol norte-americano que não cumpre sequer metade das promessas feitas aos jogadores que se lembram do jogo de culto dos anos noventa.

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