A década de 80 foi uma das mais importantes no que concerne à tecnologia. Diz-se que foi durante estes dez anos que se marcou a transição da era industrial para a era da informação. Nesta última os videojogos ganharam grande relevância, e alguns dos jogos considerados clássicos foram lançados nesta década, como é o caso do canalizador italiano saltitante, Super Mario, que em 1985 protagonizou o seu primeiro videojogo e aos poucos foi sendo reconhecido como um dos ícones dos jogos.

Nesta década, como era de esperar, a capacidade gráfica das consolas era bastante limitada. Os computadores só começaram a ter interfaces gráficas nesta altura e o desenvolvimento de jogos tri-dimensionais ainda estava distante. Aqui os jogos pixelizados eram a regra, e não existia excepção à regra. Mesmo assim, muitos jogos desta altura, apesar de limitados graficamente possuíam conceitos poderosos que marcaram a infância e juventude de uma geração que agora se vê a produzir jogos.

Desta geração a que me refiro fazem parte os produtores de Shovel Knight, que influenciados por jogos da sua juventude, e não tanto pelas limitações técnicas, decidiram fazer Shovel Knight um jogo com uma direção de arte que faz lembrar os anos 80. Este conta a história de um cavaleiro que ao invés de desbravar os seus inimigos com uma espada, fá-lo com mais estilo, com uma pá.

Antes de o jogador entrar na ação, Shovel Knight e a sua companheira, Shield Knight, combatiam juntos enquanto exploravam o mundo à procura de riqueza. Certo dia a dupla decide explorar a Tower of Fate e aí os dois sucumbem à magia negra de um amuleto amaldiçoado. Quando Shovel Knight acorda, a Tower of Fate está selada e não há sinal de Shield Knight, então o cavaleiro entra num período de luto e afasta-se da civilização.

Pouco tempo depois a Enchantress aproveita este tempo para subir ao poder e abre a Tower of Fate, o que leva Shovel Knight a voltar à ação com a missão de recuperar Shield Knight. Para isto o cavaleiro terá que enfrentar a Order of No Quarter, composta por oito membros enviados pela Enchantress para impedir Shovel Knight.

O jogador tem então como tarefa derrotar os oito membros da ordem e depois de descobrir que, afinal, a Enchantress é de facto uma manifestação malévola que se apoderou de Shield Knight, tem de derrotá-la para poder rever a sua companheira. Depois de mais uma batalha com a Enchantress, desta vez já acompanhados pela Shield Knight, conseguimos finalmente derrotar a feiticeira e retirar a maldição que assola o reino.

Graficamente é um jogo que não inova em nenhum campo, mas que traz consigo uma nostalgia que nos relembra de grandes títulos do passado. A inspiração nos jogos da NES é facilmente notada, e o próprio criador do jogo afirmou que este vai buscar muito do que é a Castlevania III: Dracula's Curse, Duck Tales e a série MegaMan. No departamento sonoro há que notar um trabalho bastante bom dos compositores, já que a música e todos os sons do jogo estão muito bem enquadrados e tornam o jogo mais interessante.

As mecânicas de jogo baseiam-se em 3 tipos de ataque, e com estes o jogador não se sente limitado e aprende a usá-los de formas criativas para derrotar os inimigos. O jogo também dispõe de uma economia bastante simples, que permite que o jogador compre itens que o ajudam a cumprir a sua missão. Possui também um estilo muito menos punitivo que os jogos da década de 80, uma vez que este dispõe de pontos onde o progresso é gravado, para que a morte não signifique o fim da paciência do jogador.

No geral é um jogo bastante interessante, que gráfica e sonoramente apela aos fãs do estilo pixelizado do passado. A história não é novidade e com certeza muitos já esperam o "twist" final muito antes dele acontecer, mas por outro lado não se intromete na jogabilidade e assim mantém o jogo divertido. É um passo num caminho já muito caminhado por outras produtoras independentes, mas que mesmo assim consegue ser interessante pelo humor empregue e pela experiência sólida criada.

Versão testada: PC