Skylanders: Swap Force é uma serenata a estes dias que, tão feios de chuva, vento e trovoada, exigem um epicentro que reúna a família toda em redor de algo que não seja outra montra de centro comercial. Esta força jogável está entre os candidatos mais fortes a definir a diversão familiar do século XXI. A Activision achou que estava na hora da série mudar de produtora, portanto, Toys for Bob passa a pretérito e a Vicarious Visions, já conhecida por lidar com as versões iOS, 3DS e Wii U de entradas secundárias na série, é chamada a comandar as versões principais de Swap Force. Ainda que com algumas falhas, a casa nova-iorquina esteve à altura do desafio.

A história não perde grande tempo para demonstrar o que pretende. O vosso objetivo é simples: proteger a vila de Woodburrow dos maléficos intentos de Kaos. Os dezassete capítulos que se seguem colocam o jogador a viajar entre as Ilhas Cloud Break acompanhados por Flynn e Tessa, personagens que estão sempre dispostas a ajudar. Pessoalmente, logo na primeira hora que passei com o jogo, fiquei com a ideia que a sua abertura é uma homage a BioShock Infinite. Não tanto por apresentar cenários com a mesma abordagem gráfica, mas sobretudo pela maneira como me desloquei até Woodburrow, em tudo idêntico à maneira como os carris ligam as várias partes da Columbia suspensa, como ainda se devem lembrar.

O arco narrativo não tem uma profundidade contundente, porém, Swap Force não se presta a isso. Em vez de recorrer à densidade de Joyce ou Proust, estamos perante uma trama que não se escusa a colocar um sorriso no público mais maduro sem nunca alienar os menores de doze anos. Porém, convém mencionar que o seu argumento ligeiro está longe de ser sinónimo de futilidade, pois não se escusa a dar uma boa profundidade a cada uma das personagens principais e a nunca trair o seu propósito: servir de rede ao ponto mais forte da série Skylanders: a sua jogabilidade e maneira como inventivamente dá vida às criaturas colocadas no portal.

Para quem ainda não está familiarizado com a série que se estreou em 2011 com Spyro's Adventure, estamos perante uma obra que aposta tudo numa aventura com grande enfoque no combate em tempo real, numa aproximação mais ligeira aos desígnios de séries como Diablo, Torchlight ou Sacred. Porém, possui algo que nenhum destes exemplos oferece: um portal físico ligado à consola - neste caso à porta USB da PlayStation 3. Podem comprar criaturas físicas nas lojas da especialidade e, quando colocadas no portal, aparecem automaticamente no jogo. Para mim, esta mecânica é tão popular porque funciona em tempo real e de maneira muito intuitiva. Curiosamente, a grande novidade introduzida por Swap Force revoluciona completamente o que acabei de descrever.

Cada Skylander está associado a um elemento, como por exemplo Fogo, Água, Ar, etc. Todavia, com Swap Force - e tal como o nome deixa antever - agora é possível combinar elementos. Como? Desmontando as criaturas pela sua cintura. Divididas em duas partes magneticamente, é extremamente simples desmanchar e combinar os topos e bases das figuras. Swap Force introduz dezasseis novas personagens na série, sendo que existem mais de duzentas e cinquenta combinações possíveis. No meu caso específico, recebi um Starter Pack composto por três Skylanders: Ninja Stealth Elf, Blast Zone e Wash Buckler. Ainda que seja apenas possível desmanchar e combinar dois elementos do trio, a fórmula continua simples e 100% funcional. Em segundos, as minhas combinações que pareciam saídas da Ilha do Dr. Moreau ganhavam vida na televisão, tal e qual estavam no portal.

Além disso, impera mencionar que a qualidade das figuras é excelente, não só sendo extremamente detalhas como muito robustas, o que é um factor importante, pois em muitos casos vão ser manejadas por crianças cujo valor sentimental e monetário são ainda conceitos a serem definidos. Se por um lado são extremamente fáceis de desmontar, não é menos verdade que depois de unidas nunca ameaçam desmanchar-se com um ligeiro toque. Mesmo sacudindo as figuras com alguma veemência, parece que não estão divididas a meio, sendo tão sólidas como as incluídas nos dois primeiros capítulos da série.

Estas mudanças enaltecem a jogabilidade do título. As combinações das habilidades de cada criatura são imensas, aproximando os seus pontos fortes do nosso estilo de jogo. Ainda que o jogo recomende qual é o elemento mais adequado para cada trecho do mapa, poderá sempre prevalecer a nossa vontade. Contra as hordas de inimigos que tendem a ser algo repetitivos, estas nuances na jogabilidades são primordiais para manter a experiência refrescante o mais tempo possível. Além de correr e atacar, Swap Force permite agora aliar o salto às habilidades de cada criatura, ago que ajuda imenso na exploração de todos os recantos da área de jogo, recolhendo assim todos os despojos.

Obviamente, a produtora do jogo quer que os jogadores comprem todas as personagens disponíveis nas prateleiras, obtendo assim o maior lucro possível com cada capítulo lançado, porém, convém desmistificar o facto que afirma ser obrigatório gastar uma fortuna para se chegar a algum lado em Skylanders. É verdade que caso deem azo à vossa veia de colecionador, a experiência poderá deixar a vossa carteira de rastos, contudo, é possível retirar alguma diversão do jogo apenas com o investimento inicial.

Esta mistura de elementos é obrigatória para abrir portais especiais no jogo, assim como aceder a desafios especiais. Depois de várias horas com Swap Force, julgo sinceramente que o maior problema com esta exclusividade de áreas não é o que têm para oferecer - maioritariamente mais despojos para somarem à vossa conta pessoal -; o problema está na curiosidade dos jogadores em quererem saber o que está escondido naquela área, um pouco como os concursos dos anos noventa em que os concorrentes se descabelavam para descobrirem o que estava atrás da "porta número dois". É aborrecido constatar que não temos as combinações necessárias para absorver tudo o que o jogo tem para oferecer e até um pouco frustrante, porém, é um facto que não é preciso investir centenas de Euros para verem os créditos finais do jogo.

Para que a sua jogabilidade não seja um massacre aos botões dos vossos comandos, o jogo encerra em si algumas secções que vos permite espairecer e conhecer novas mecânicas, como por exemplo uma aventura pelos carris de uma mina abandonada a fazer lembrar Indiana Jones. Infelizmente, estas alternativas aos vossos sentidos não estão tão presentes quanto seria desejável e ocasionalmente a jogabilidade baixa de intensidade e oferece laivos de monotonia. Felizmente, isto é muito mais ocasional que frequente.

Além da grande fatia do jogo ocupado pelo modo principal, Swap Force oferece ainda alguns modos secundários que prometem aumentar ainda mais uma longevidade bem conseguida. Depois de desbloquearem os modos Time Attack e Score, o jogo da Vicarious Visions tem ainda para oferecer uma área intitulada Battle Arena. Aqui poderão encontrar modos de sobrevivência como Solo Survival, Team Survival ou Rival Survival e ainda Ring Out. Ainda que não seja de revolucionário, poderão recorrer a esta secção do jogo para algo rápido ou para entreter os mais novos em batalhas competitivas.

O mundo de Swap Force oferece alguns dos melhores cenários da série até aqui. Não só são diversificados, como extremamente apelativos e convidativos a prolongarmos a nossa estadia. Não restam dúvidas: o grafismo do jogo foi pensado para aludir ao público mais jovem, porém, os mais velhos não deixarão de sentir a sua ternura e atenção aos detalhes. Mesmo quando estiverem a explorar zonas escondidas ou dando uso à novidade que vos permite saltar por breve zonas de plataformas, é raro depararmo-nos com algum cenário mais desleixado.

Ainda que a banda sonora não abra nenhum precedente nos jogos de aventuras, é impossível não deixar de mencionar a vocalização do jogo. À cabeça, destaque imediato para o trabalho feito por Patrick Warburton na vocalização da personagem Flynn. Apesar de não ser um estreante na série, Cox, mais conhecido pela personagem Joe em Family Guy.

Associando todos estes pontos mencionados durante a análise, a sensação com que fiquei depois de jogar Skylanders: Swap Force é que estava perante um jogo com o propósito maior de melhorar o dia de quem o experimenta, deixando os jogadores mais alegres do que estavam quando iniciaram a sessão de jogo. A cenografia, a vocalização e o excelente design das personagens - sejam digitais ou as figuras que colocamos no portal - ajudam a dar o mote para um produto que pode ser desfrutado por alguém com trinta ou quarente anos ou ser a estrela de uma festa em que a idade média não ande longe dos dez anos. É certo que oferecer algumas secções menos conseguidas e que as inúmeras áreas vedadas aos Skylanders que temos à nossa disposição podem ser frustrantes, porém, é bom vermos alguém que não tem medo de inovar uma fórmula que já tinha provado ser de sucesso há muito.