Trap Team, como qualquer outro da série Skylanders, alude às crianças e às crianças que os adultos transportam rente ao coração. É nessas duas condições que a saga mais ressoa junto dos jogadores, entretendo os mais novos e entretendo a ideia dos mais velhos serem mais novos, relembrando as manhãs de sábado ociosas. Sim, as manhãs em que os trabalhos de casa já estavam feitos no caderno e que as primeiras horas da nova semana escolar ainda estavam praticamente a dois dias de distância, dois dias que passaram sempre demasiado rapidamente.

A essência de Trap Team é simples, com os processos da sua jogabilidade a serem facilmente assimiláveis por quem tem oito, trinta ou sessenta anos. É um jogo de ação na terceira pessoa com laivos ligeiros de Role Playing Game - levemente, sem nunca deixar os jogadores a equacionarem durante longos minutos qual é o melhor passo seguinte na evolução da sua personagem de eleição.

Conhecida por ser uma série que associa uma enorme porção da sua jogabilidade aos acessórios, é legítimos ficarmos curiosos com o que a produtora vai inventar para o próximo jogo - um ritual durante o hiato entre capítulos. Trap Team não é excepção, ou seja, o ritual é idêntico: colocar figuras de plástico no portal físico e vê-las ganharem vida no ecrã - como num passo mágico, ficamos maravilhados pela simplicidade que o processo transparece, questionando-nos sobre a complexidade tecnológica que o permite.

Esta análise teve como base um Starter Pack da versão PlayStation 3, ou seja, tivemos acesso ao portal Traptanium, duas personagens (Snap Shot e Food Fight) e duas armadilhas, que estão na origem do nome Trap Team. Na prática, isto quer dizer que, além de posicionarem personagens no portal, também podem lançar armadilhas, capturando e jogando com os vilões do jogo.

As armadilhas são pequenos objetos plásticos inseridos na ranhura designada no portal Yacht Club , introduzindo uma nova camada à jogabilidade, porque, depois de defrontarem certas personagens no jogo, podem capturá-las nas armadilhas e, posteriormente, jogarem com elas, revalidando o vosso esforço e habilidade durante as batalhas pretéritas.

Se não são imberbes na série, saberão certamente que cada Skylander está associado a um elemento, como por exemplo a magia, ar, terra, água, etc. Isso está intrinsecamente ligado à progressão pela aventura, com o jogo a relembrar incontáveis vezes que a criatura de determinado elemento é mais eficaz no cenário que acabaram de entrar.

Esta medida é aplicável às armadilhas, ou seja, derrotem um boss pertencente ao elemento água e não poderão apanhá-lo com uma armadilha de erva. É algo que faz sentido segundo a filosofia da série, porém, tem um efeito nefasto em quem tenta chegar ao final do jogo investindo apenas no Starter Pack.

É possível fazer muito no jogo com apenas duas personagens e outras tantas armadilhas, contudo, paira sempre o sentimento de não estarmos a retirar o partido total da aventura, existe sempre uma impotência em explorar todos os recantos dos cenários criados pela produtora e, obviamente, em capturar todas as criaturas a nosso bel-prazer. Praticamente transversal a todas as horas que dediquei a Trap Team está a urgência em ir à loja mais próxima e perguntar se já receberam as criaturas mais convenientes à minha cruzada.

É verdade que este é sempre um sentimento inerente a Skylanders, todavia, agora precisamos de aumentar a coleção de criaturas e de armadilhas. Tive oportunidade de usar Skylanders de jogos pretéritos, como por exemplo Swap Force, mas não preenchem o vazio advindo da impulsão do colecionismo.

Quando um jogo não nos permite chegar a algum ponto ou estado devido à nossa incompetência, sentimos que não somos capazes, somos incompetentes enquanto jogadores; quando sabemos que fizemos tudo bem e que estamos no topo da nossa habilidade, é frustrante saber que não podemos ir ou não podemos fazer porque não investimos mais Euros na nossa coleção.

Antes de regressar à jogabilidade propriamente dita, deixem-me dedicar mais algumas palavras ao fascínio pelo acessório físico - o portal Traptanium. É fascinante para alguém com idade suficiente para ter visto o "Agora Escolha" na RTP, imagino o quanto será encantatório para quem está agora a chegar à idade com que vi Vera Roquette no ecrã da minha televisão.

Além da tecnologia usada no reconhecimento imediato das criaturas, existe agora um sulco no plástico para colocarem as armadilhas e ainda não me cansei de ser surpreendido pela sua coluna, ou melhor, pelas frases que uma criatura apanhada profere pela sua coluna, dando um toque de realismo no meio de tamanha fantasia.

Colocando o espetáculo de luz e cor patrocinado pelos acessórios, a jogabilidade é, como já disse, do domínio dos jogos de ação. Com ataques rápidos e outros mais fortes, existe um quadro de combinações que ajuda à sua diversidade, porém, preparem-se para gastar uma pequena fortuna no contacto com Persephone, a fada alada que vos permite comprar novos movimentos - processo vital para que a repetição não tome conta do vosso espírito mais cedo.

De resto, os puzzles são simples, os minijogos acessíveis, as lutas com os bosses pouco exigentes e a subida de nível da vossa personagem nunca é demasiado tardia, ou seja, se tiverem mais de dez anos, é amplamente aconselhável que experimentem Trap Team na dificuldade mais exigente, ou arriscam que o vosso espírito seja dominado por um aborrecimento emulsionado pelas horas dedicadas ao jogo.

Ainda assim, importa salientar que a melhor maneira de desfrutar do jogo é na companhia de outro jogador de carne e osso. A presença de um amigo ou familiar é exponencial à diversão retirada do título. Mesmo que não seja necessária a sua ajuda para prosseguirmos na campanha principal, há algo reconfortante no cooperativo local que ainda não conseguiu ser replicado no multijogador através das ondas etéreas da Internet.

Os cenários são mais variados que a jogabilidade. Como já mencionei, a análise tem como base a versão PlayStation 3 do jogo, mas mesmo a correr em hardware, Trap Team é uma explosão de cor, luz e de efeitos minimamente apelativos, capazes de nos deixar curiosos para onde o jogo nos vai enviar durante o próximo capítulo, ao longo de quase vinte tomos - ou seja, a longevidade volta a não ser colocada em causa.

Pormenores como os pássaros a esvoaçar, os cursos de água, os efeitos da chuva, enfim, que se diga que o departamento técnico não é o calcanhar de Aquiles de Trap Team. A sonoplastia não está no mesmo patamar, contudo, cumpre com o mínimo exigido e é novamente Flynn que se destaca, levando os jogadores a lembrarem-se de Family Guy sempre que abre a boca, pois é vocalizado por Patrick Warburton, mais conhecido por emprestar a voz a Joe na série televisiva criada por Seth MacFarlane.

Finalmente, a narrativa. Kaos libertou os vilões que estavam encarcerados na prisão Cloudcracker. Como seria de prever, ao jogador compete a tarefa de usar as suas habilidades e armadilhas para prender novamente quem não merece andar em liberdade. Não é um argumento que vá ganhar prémios, nem tão pouco um que prime pela originalidade, contudo, serve o seu propósito: levar quem joga a sentir-se como um herói e a usar as armadilhas, talvez a maior novidade apresentada por Trap Team.

Skylanders: Trap Team não é um mau jogo. Consegue-se sem grandes dificuldades retirar algumas centelhas de diversão, especialmente se jogado na companhia de outro jogador. Contudo, não deixa de ser frustrante que seja preciso um investimento capital significativo para extrair tudo o que tem para oferecer, tal como não deixa de ser um jogo sem grandes desafios para quem tem mais de dez anos.

Ainda assim, é de salutar a forma como a Toys for Bob, jogo após jogo, consegue deixar miúdos e graúdos encantados pela tecnologia associada aos acessórios físicos. O Traptanium de Trap Team mistura a fórmula dos jogos anteriores com a captura de inimigos, é algo mágico ver o hardware a trabalhar em prol do nosso encantamento, nem que seja durante os breves instantes antes de percebermos que devíamos ter comprado mais armadilhas.