Desde a sua estreia no PC no início de 2017 e pouco tempo depois na popular consola híbrida da Nintendo, a Switch, Slime-san tornou-se rapidamente uma obra bastante aclamada no seio das comunidades dos fãs de videojogos do género de plataformas. Um jogo exigente, que pede a mestria de todas as suas mecânicas para a chegada ao sucesso e que incentiva depois à melhoria cada vez maior desse grau de mestre através da constante superação do jogador a si próprio.

Slime-san é uma experiência criada e pensada para esses jogadores, aqueles que gostam de levar as suas capacidades até ao limite, aqueles que pretendem colocar os seus nomes ou alcunhas no topo das tabelas de líderes, que não se importam com a repetição de processos resultantes do fracasso frequente se isso significar que estão um tudo-nada mais próximos do sucesso pretendido. Infelizmente, isto significa também que não é um título para os pobres de espírito, para os que sucumbem facilmente à frustração.

A obra da Fabraz não é meiga com o jogador, nem lhe dá grande tempo para se familiarizar com as mecânicas ou ganhar confiança nas suas habilidades. Não foi preciso avançar muito pelo primeiro mundo do jogo - são 5 no total, cada um composto por 20 níveis que por sua vez são compostos por 4 áreas - para começar a sentir fortes dificuldades em progredir a um ritmo respeitável. Slime-san pede precisão, rapidez e raciocínio aos seus jogadores e castiga-os rapidamente quando qualquer um desses elementos falha.

Com uma margem de erro bastante curta, Slime-san é quase sempre impiedoso na forma como encara os tropeções dos jogadores, pedindo-lhes frequentemente que rocem a perfeição para chegarem à “simples” conclusão do nível. Querem apanhar todos os itens opcionais dos níveis e ainda bater o tempo definido pela produtora? Então para isso terão mesmo de se transcender e bater muitas vezes com a cabeça na parede para chegarem à conclusão a 100% do jogo.

Para uns, a fórmula de Slime-san será perfeita, um hino às origens dos videojogos nas arcadas em que muitas moedas eram comidas para se superar a pontuação de amigos e estranhos. Para outros, Slime-san será um poço sem fundo de frustração e irritação que terá muito pouco para oferecer no que à sua conceção de diversão diz respeito. Dito isto, Slime-san não é, nem tenta ser um jogo para todos os que lhe dão uma oportunidade. É uma obra que se mantém sempre fiel à sua identidade e que tem o seu público-alvo muito bem definido.

Na Superslime Edition, Slime-san inclui o jogo original e as três subsequentes expansões entretanto lançadas num total de 200 níveis de plataformas frenéticos, exigentes e de qualidade. Independentemente do nosso grau de habilidade, é impossível não reconhecer a excelência do design de cada um dos níveis, sobretudo na forma como se diferenciam uns dos outros, introduzindo novas mecânicas que tornam cada um deles num novo quebra-cabeça que, antes de ser superado, tem de ser devidamente analisado e testado.

Para além dos níveis existem bónus para desbloquear que podem passar por jogos arcada - que podem ser jogados em multijogador -, arte diferente para as barras laterais que ladeiam a área de jogo e diferentes tipos de Slimes com características distintas que poderão ajudar-vos a superar mais rapidamente alguns níveis. Adicionalmente, o título conta também com algumas personagens com quem podem ter interações que, embora maioritariamente insignificantes, conferem um certo charme à experiência e lhe dão mais vida e cor.

Graficamente, Slime-san opta por um estilo visual retro que, em conjunto com a jogabilidade, nos transporta para as origens desta forma de entretenimento, tempos em que a fidelidade visual estava a anos-luz do realismo e os jogos de plataformas eram de longe o género em maior evidência. Apesar da aparente simplicidade e de uma variedade de cores reduzida, a Fabraz entrega uma obra aprazível esteticamente. Por sua vez, a banda sonora faz o seu trabalho de acompanhar a jogabilidade e o seu ritmo frenético - em que o (re)começo e a morte são quase sempre separados por poucos segundos - de forma competente.

Dentro do género em que se insere, Slime-san claramente uma proposta bastante apetecível e facilmente recomendável aos fãs do género. Aqueles que procuram um título de plataformas mais casual terão obrigatoriamente de procurar noutro lugar, pois não será aqui que o encontrarão. Impiedoso e altamente exigente, o título serve-se dos seus inúmeros e variados níveis para preservar o interesse dos mais dedicados. Aliás, a existência de modos dedicados para speedrunners é uma excelente indicação do tipo de obra que temos em mãos.