Pedro Marques dos Santos por - Dec 5, 2018

Spyro Reignited Trilogy – Análise

Pode, porventura, não ter atingido os mesmos níveis de popularidade alcançados pela outra bem conhecida mascote da PlayStation que se encontra também atualmente sob a alçada da Activision, mas isso não impede que o pequeno dragão Spyro seja capaz de despoletar em muitos jogadores um sentimento nostálgico em relação a uma outra era dos videojogos, uma era que para muitos desses jogadores é indissociável da sua infância. Spyro fez parte de muitas infâncias, a minha incluída.

Como seria expectável depois do sucesso estrondoso, tanto junto da crítica especializada como a nível comercial, de Crash Bandicoot N.Sane Trilogy, não foi preciso esperar muito para ver a gigante editora norte-americana confirmar que os três títulos da série lançados pela Insomniac Games durante o ciclo de vida da PlayStation original também estavam prestes a receber um tratamento semelhante ao aplicado às obras protagonizadas pelo tresloucado marsupial.

Rejuvenescido para uma nova geração de jogadores pela mão do estúdio Toys for Bob, mais conhecido pelo seu trabalho nos títulos Skylanders, Spyro Reignited Trilogy é acima de tudo um recordar de um género que, apesar de algumas propostas recentes, deixou há muito de ter uma presença massiva no mercado. Os denominados Collectathons dominaram em tempos a indústria, mas são agora apenas uma relíquia do passado, uma janela para os primórdios de um meio de entretenimento que se diversificou e maturou com o passar dos anos.

Mantendo-se extremamente fiel aos lançamentos originais, Spyro Reignited Trilogy caracteriza-se essencialmente pelo revitalizar dos seus visuais, deixando para trás os polígonos característicos dos jogos da consola original da Sony em favor de uma apresentação mais moderna, mais capaz de dar um outro colorido, uma outra vida a estas aventuras.

Como é óbvio, as melhorias no departamento gráfico da trilogia são abismais, mas é impressionante como, mesmo assim, o nosso cérebro é capaz de recordar as áreas que já havíamos experienciado na sua forma original. Claramente ajudadas pela assinalável diversidade de cenários que coloca à nossa disposição, pelos diferentes inimigos que vão surgindo como obstáculos no nosso caminho e por uma mascote facilmente reconhecível e de animações faciais vincadas, estas obras apresentam-se mais charmosas que nunca.

Composto por Spyro The Dragon, Spyro 2: Ripto’s Rage e Spyro: Year of the Dragon, nota-se, tal como na trilogia de Crash Bandicoot, uma evolução ao longo dos três títulos. Uma evolução que resulta de uma produtora mais segura de si, da compreensão dos elementos que resultam melhor ou menos bem, de ideias novas que vão surgindo com a experiência acumulada e de uma maior complexidade ou, se preferirem, diversidade que vão dando maior robustez à fórmula original.

Não surpreende por isso que Spyro The Dragon seja o título mais simplista dos três, colocando o ênfase meramente no colecionar de gemas espalhadas pelos muitos e variados cenários à disposição, pelo resgate de dragões aprisionados e perseguições a alta velocidade a ladrões de ovos. Apesar de cada uma das áreas principais do jogo apresentar uma espécie de nível bónus que coloca Spyro em voo permanente para concluir determinados objetivos, o jogo original da trilogia não introduz grandes novidades ao longo da sua campanha, algo que mudará nas duas obras seguintes.

Embora os controlos algo rombos do primeiro jogo, especialmente quando os níveis obrigavam a uma maior precisão, continuam a ser um ponto negativo nos sucessores, tanto Ripto’s Rage como Year of the Dragon aplicam várias novidades à fórmula que alicerça a experiência. O foco no colecionismo continua presente, mas as atividades que realizam para obterem os itens necessários à progressão ganham uma muito importante variedade nestas obras.

Para além de um arco narrativo um pouco mais desenvolvido – com personagens dignas desse nome -, Ripto’s Rage destaca-se pela utilização tanto de minijogos – como por exemplo as partidas de hóquei no gelo -, como também pela implementação de ligeiros puzzles ambientais que envolvem mais do que a mera exploração dos cenários na sua totalidade. Adicionalmente, este título introduz igualmente elementos metroidvania à experiência, dando incentivo aos jogadores para regressar a níveis já concluídos de forma a tirar partido de habilidades entretanto adquiridas para chegar a novas áreas.

Por sua vez, Year of the Dragon tem na introdução de outras personagens jogáveis – personagens com diferentes métodos de locomoção e, obviamente, diferentes habilidades – a sua principal iteração em relação aos antecessores. Não representa uma evolução tão significativa em relação a Ripto’s Rage como este havia sido para com Spyro The Dragon, mas as novas personagens permitem, ainda assim, que a produtora tenha tido a oportunidade de experimentar níveis com desafios diferentes e adaptados às características das mesmas.

Globalmente, e apesar de uma idade já considerável, Spyro Reignited Trilogy apresenta-nos uma trilogia em relação à qual a passagem do tempo não foi tão madrasta quanto isso. Mesmo com controlos pouco precisos em algumas situações, mesmo com alguns picos de dificuldade propensos à frustração e mesmo com uma estranha e incompreensível ausência de legendagem, esta é a uma compilação que vale não só pelo seu valor histórico, como também pela sua qualidade e, como é óbvio, pelo excelente trabalho de revitalização levado a cabo pela Toys for Bob.

veredito

Embora seja um claro resultado da época em que os seus jogos foram originalmente produzidos e lançados no mercado, a trilogia protagonizada pelo dragão Spyro oferece ainda experiências bastante agradáveis de plataformas agora suportadas por visuais apenas possíveis nos dias de hoje.
8 Experiências repletas de charme. Grafismo adaptado de forma inteligente. Controlos algo rombos quando é pedida maior precisão. Alguns picos de dificuldades frustrantes.

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Spyro Reignited Trilogy

para Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, Xbox One

Lançado originalmente:

21 September 2018