No mundo genérico que se tornaram os jogos de sobrevivência, desde que a popularidade de Minecraft explodiu, que não houve esforços em replicar um título que fosse minimamente parecido com Terraria. A obra da Re-Logic tem uma lógica aparentemente diferente por ser bidimensional, mas esta é recheada de muitas surpresas, mesmo que Minecraft consiga entregar outras.

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A Chucklefish viu essa oportunidade de transportar Terraria para o espaço, e fê-lo com muito talento. Os exploradores do espaço vão poder investigar planetas cheio de vida, com uma fauna e flora muito peculiar, assim como um combate muito satisfatório. O convite para explorar o espaço é muito aliciante, por isso fomos ver se este era mais uma deceção ou algo que se tornaria apático a longo-prazo - é a realidade deste género cada vez mais saturado.

Há imensas atividades em torno deste género e Starbound inclui um bom conjunto delas. Recolher materiais para sobreviver é uma forte componente à qual não poderão escapar, agora o que fazem com estes itens já é da vossa responsabilidade, já depende da experiência que querem retirar do jogo. O multi-tool é muito prático para não termos de nos preocupar em fabricar um tipo de ferramenta para cada material que queremos extrair da natureza. É óbvio que podem construir, descobrir receitas raras para refeições que vos preenchem a saúde, armas e equipamento de defesa.

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O chamado crafting é também algo cada vez mais comum e que ultrapassa os jogos de sobrevivência ou roguelikes. Aqui é algo essencial para a transformação do jogo, para que se molde naquilo que querem que Starbound vos ofereça. Se gostam de decorar e contruir, poderão criar novas peças para construir uma mansão num planeta extraterrestre. Se gostam de serem aventureiros à procura de surpresas, vão-se encontrar a fabricar armas e armaduras. Se gostam de levarem o vosso tempo até que possam explorar com calma as profundezas das dungeons vão ciar itens que vos vão facilitar a exploração do planeta em que estão. Enfim, as possibilidades são praticamente ilimitadas, o que na prática garante uma enorme longevidade - algo que à partida este género oferece.

Pessoalmente, o verdadeiro apelo destes jogos sandbox de sobrevivência é procurar o inesperado e ver como é que o jogo reage às nossas ações. Como é um título inspirado em Terraria, a exploração terá uma tendência a ser vertical. E quanto mais para baixo formos, mais dificuldades encontraremos. Explorarem devidamente o jogo e serão recompensados com novos itens, armas ou outro tipo de tesouro que vos dê uma razão para continuar a escavar os mantos rochosos dos planetas que visitam.

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Contudo, explorar por si só não está livre de perigos. Praticamente quase todas as criaturas que se encontram no vasto conjunto de planetas para visitar, existem para vos aniquilar. Todas são extremamente agressivas. Não tenham cuidado a explorar sem a devida iluminação e algo poderá surgir da escuridão que vos elimina em segundos. Há batalhas que serão enfrentadas com bosses que servem um propósito à história do jogo. Aqui a Chucklefish foi estudar os inimigos mais desafiantes da era 8-bit, ou seja, haverá sempre uma rotina do inimigo a descobrir, um conjunto de ações correspondentes às vossas, descubram bem a complexidade do seu comportamento e terão um plano para aniquilar a criatura ou a personagem que vos coloca um entrave ao vosso caminho.

Starbound tem uma narrativa. Uma história que começa num dia em que celebram a vossa formação universitária, contudo esta é interrompida por um ser maléfico que acordou da sua hibernação. É claro que terão de fazer o que está ao vosso alcance para poderem impedir que esta entidade possa destruir o universo, mas tudo será convenientemente feito caso o queiram e ao ritmo que vocês escolherem. A narrativa é composta por um conjunto de quests que terão de resolver. Quando houver um pico de dificuldade bastante elevado para avançarem, é sinal que é tempo de se dedicarem a uma das muitas atividades disponíveis para vocês. Afinal este é um jogo sandbox, o conteúdo é bastante vasto.

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Graficamente, a obra da Chucklefish é bastante sólida, com o recurso a um pixel art muito decente. Acho esta escolha a mais apropriada para um título deste género, que vos coloca a retirar blocos e a criar outros. Há uma coesão num mundo que não fica transformado em algo estranho à custa da vossa ferramenta polivalente. As cores também são provenientes de uma rica palete, dão vida às inúmeras criaturas com as quais se vão cruzar.

O som é consistente em passar a mensagem que estamos num mundo estranho. Estamos num mundo, ou em vários, onde a música e os efeitos sonoros conferem bem a surpresa que podemos encontrar na próxima passagem que podemos encontrar no bloco minado à nossa frente. Seja um tesouro, um inimigo ou algo que está para além do nosso alcance cognitivo, o que sai pelas colunas reflete bem o que é transmitido visualmente.

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Se gostam de Terraria, foram dececionados por algum título que não cumpra a sua promessa de um espaço encantador, ou se estão a fazer um compasso de espera por Terraria Otherworld, então Starbound é um bom recreio para criarem novas aventuras. E este jogo tem as bases online para um bom multijogador e as mecânicas necessárias para que igualem os números de tempo passado com o vosso jogo de sobrevivência favorito.