Com tantas campanhas de angariação de fundos, seja no Indiegogo ou no Kickstarter, a pedirem quantias astronómicas para poderem criar um jogo, é sempre curioso quando alguém pede apenas sete mil e quinhentos dólares. Foi assim que Daniel DiCicco quis iniciar a sua aventura para poder criar StarDrive em dezembro de 2011, deixando definitivamente a sua carreira de advogado e seguir o seu sonho de criar um videojogo. Mas, do querer ao fazer vai um grande esticão e, em várias instâncias de StarDrive, isto, infelizmente, transparece-se. Porém, não pensem que isto significa que StarDrive é um mau jogo. Longe disso.

Os jogos de estratégia têm uma natureza complexa e, como este título em análise também o é, StarDrive precisa de ser estudado com atenção. Existem uma série de tutoriais básicos e outros mais avançados, mas para isso o jogador terá que de ler bem todas as explicações de cada categoria do jogo. Estas lições são entediantes, pois são apresentadas numa espécie de dipositivos no menu inicial (como se fosse um ficheiro PowerPoint) e, já no jogo propriamente dito, em três vídeos que não vão para além do básico e uma imensidão de textos. O jogo é claramente indicado para veteranos no género, pois não é nada convidativo para iniciantes que queiram expandir o seu império do zero. É gritante a falta de um tutorial integrado no jogo enquanto damos os primeiros passos.

StarDrive não tem nenhum arco narrativo para ser seguido, nem multijogador para uma diversão partilhada com os nossos amigos. A única opção existente é um modo sandbox, em que o objetivo é criar e expandir um império pelos confins do universo. Antes de começar a nossa ascensão militar, política e económica, no espaço sideral, temos de escolher que raça é que iremos controlar entre oito existentes. E é aqui, nesta secção inicial, que começam a planear o vosso jogo. Cada uma das oito raças tem vantagens e desvantagens psicológicas, físicas e socioculturais, mas estas podem ser alteradas a vosso bel-prazer. Têm é de ter sempre a noção que uma escolha diferente transporta sempre as suas consequências. De seguida, terão de definir o tamanho do universo, da dificuldade e do números de fações adversárias irão popular o espaço. Numa linguagem mais simples, isto apenas quer dizer que vão decidir a dificuldade e a longevidade da vossa partida. Depois só têm de clicar em "Engage" para começar o jogo, uma clara referência a Jean-Luc Picard da série Star Trek.

Admito que me perdi completamente ao começar a aventura. Tive que recorrer a guias e vídeos explicativos do jogo para conseguir entender bem todos os processos para que pudesse vingar na conquista do universo. De uma forma simples, apenas têm que criar um império, expandi-lo e eliminar quem ousar se colocar no vosso caminho.

Primeiro, vocês terão um planeta-mãe - e algumas naves - que será a vossa base de operações para produzir os três recursos do jogo: Comida, Produção e Investigação - que vos permitirão criar infantaria, naves e instalações especializadas (desbloqueadas na Árvore de Investigação). As naves terão de ser usadas para procurar novos potenciais planetas para colonização. Estes têm de ser muito bem escolhidos, pois têm um índice de riqueza que devem ter em atenção se querem retirar mais recursos destes e poderem, consequentemente, acelerar o vosso processo de expansão do vosso império. E é aqui que entra em jogo um segundo fator, a diplomacia.

À medida que vão explorando o universo à procura de novos astros habitáveis para a vossa espécie que se cruzarão com os vossos primeiros adversários. Cada um desses sete, ou do número mínimo que vocês impuseram, tem as suas prioridades e objetivos para o bem do seu povo e da sua expansão nas diferentes galáxias do universo. Terão de conversar com eles, saber o que pretendem e só depois, estabelecer ligações pacíficas ou agressivas - consoante a vossa necessidade -, entre eles. No entanto, quando as horas forem passando e o vosso percurso deixar uma marca no mapa, haverão, inevitavelmente, conflitos de interesses, sejam eles políticos ou comerciais. O certo é que, mediante o que vocês já tiverem delineado para o crescimento do vosso império, terão decidir criar laços de amizade, ou então declarar-lhes guerra. Este tipo de situações de tensão entre as várias raças é que dão alento ao jogo, poderão, ou não, alterar os vossos planos caso o que esteja em cima da mesa esteja ao vosso favor. São momentos como este que tornam StarDrive memorável. Tive em mãos uma galáxia inteira nas minhas mãos, mas decidi cedê-la a um aliado para que este me pudesse defender de uma invasão de Draylocks. Uma das minhas melhores decisões. E em troca, além da defesa acordada, ofereceram-me tecnologias que ainda não tinha desenvolvido.

Por último, mas não menos importante, estão os combates. Existem de dois tipos os terrestres que são efetuados por turnos, num espécie de tabuleiro de xadrez e as espaciais, com as aeronaves criadas no vosso estaleiro. Esta é uma das componentes-chave do jogo. A criação de naves pode ser feita ao vosso bom gosto, ou então, caso não querem perder tempo, podem recorrer a modelos pré-carregados. O jogador pode criar, muito aprofundadamente, a parte técnica da nave, onde pode escolher os motores, o equipamento bélico e proteção, entre muitas outras peças que tornarão a vossa aeronave única. As batalhas são sempre defrontadas em tempo real, que podem ser épicas e realmente caóticas. Se quiserem e bem o entenderem, podem assumir o controlo direto de uma nave e controlar o desenrolar das trocas de fogo.

A componente gráfica não é nada de outro mundo, mas serve o seu propósito: dar a sensação de estarmos num espaço vasto onde a palavra de ordem é a exploração. A banda sonora também não será uma das partes do jogo que vos farão recordar StarDrive, no entanto a música de fundo marca bem os traços de personalidade de cada raça do jogo.

A falta de outros modos não se faz sentir em demasia, mas era bom que pudéssemos jogar com outras regras pré-determinadas pela Zero Sum Games, para nos refrescar a experiência. No entanto, este título está aberto à criação de modificações pelos utilizadores, de certo modo parece que o criador entrega a extensão do título aos jogadores, quando ele próprio o podia ter feito.

StarDrive é um bom jogo, mas incrivelmente intimidante para quem nunca jogou um título de estratégia deste género. É imperativo sublinhar, que um guia audiovisual, ou tutorial passo-a-passo no início do jogo, que passasse a pente fino por todas as mecânicas era mais do que necessário. Infelizmente, assim terão de se desenrascar sozinhos por motores de busca e pelo YouTube.