A sueca Image & Form conseguiu repetir, novamente, um ciclo que está no centro da jogabilidade de SteamWorld Dig 2. Esta é uma forma totalmente válida de desenvolver um videojogo. Mas se o ciclo acaba por ser frustrante ou não motivar suficientemente quem joga, as nossas partidas tornam-se aborrecidas e monótonas. A equipa sueca não caiu nessa asneira, o que faz de SteamWorld Dig 2 mais uma obra de valor no portfólio da Image & Form. 

Fiz quase sempre a mesma atividade durante as oito horas que foram necessárias para ver os créditos finais. A atividade que mais se exerce é o de escavar cada vez mais fundo, até encher a nossa mochila de pedras preciosas. Uma vez cheia, sobe-se até à superfície para recolher o dinheiro correspondente dos minérios que acabamos de vender. E inicia-se um novo ciclo, progredir onde quer que a história nos leve e apanhar e vender material que obtemos com as nossas ferramentas. Acaba por ser revigorante continuar este ciclo e melhorar Dorothy com utensílios melhores para as suas expedições subterrâneas.

Imagens Analise SWD2

Dorothy é a personagem principal, determinada em encontrar Rusty, o protagonista do primeiro jogo da produtora escandinava. Estamos num mundo de robôs no velho oeste, robôs que não são um mero monte de peças ou que deviam estar numa sucata a serem reciclados. São personagens que dão vida a uma localização do jogo, que os sensores da Dorothy determinaram como o último local onde Rusty foi avistado. Esta aldeia está a sofrer terramotos de uma origem desconhecida. E como estes abalos têm aumentado em quantidade e intensidade, somos assim incumbidos de descobrir a sua origem e de encontrar uma forma de os parar definitivamente. 

Mas para já, o importante é sabermos o paradeiro de Rusty. Munidos inicialmente com uma picareta básica, vamos fazendo o nosso caminho para baixo. É um caminho que se faz gradualmente, que nós escolhemos por onde ir. Primeiro, o nosso interesse fica virado para o brilho distante das pedras preciosas e minérios que podemos apanhar com a nossa picareta. Mas é necessário regressar à superfície para que a chama do nosso robô consiga emitir luz nos profundezas dos túneis construídos por nós. À medida que progredimos, sentimos outras necessidades, nomeadamente a de ficar mais tempo no espaço subterrâneo. Temos assim de comprar melhorias para Dorothy, principalmente a da fornalha que emita uma luz mais duradoura e uma mochila que consiga carregar ainda mais minérios. 

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Contudo, SteamWorld Dig 2 não é unilateral. A nossa função não se resume a chegar ao ponto mais fundo da mina. A exploração é um ponto fulcral do jogo. Há inimigos que habitam as profundezas rochosas, são inimigos agressivos que nos atacam ao menor sinal que sintam da nossa presença. São inimigos que são parte integral do design do jogo. Podemos e devemos utilizar as suas características para abrir caminho de forma mais eficiente. Alguns deles explodem quando os atiramos contra as rochas, outros enviam espigões contra as rochas que as destroem com a mesma eficiência da nossa picareta. 

Jogar SteamWorld Dig 2 é também um exercício à nossa habilidade em nos deslocar pelas plataformas do jogo ou pelas que nós criamos à força da picareta ou do nosso punho hidráulico. Neste aspeto, esta sequela consegue também ser um excelente jogo de plataformas. Este ênfase é igualmente dado pelas dungeons que estão espalhadas pelas diferentes minas do jogo. 

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Estas servem como um teste à nossa habilidade que fomos melhorando com a utilização das diversas técnicas que nos são disponibilizadas. Isto é incentivado pela quase cinco dezenas de artefactos escondidos pelo mundo do jogo. Estes são trocados por pequenos prémios que nos permitem melhorar o nosso equipamento. São as rodas dentadas, as chamadas Cogs, e estas relíquias que serão uma das formas de descobrir o que o jogo esconde. Se as descobrirmos somos devidamente recompensados. 

O que é certo é que SteamWorld Dig 2 instiga a quem joga esta vontade de passar a pente fino todos os recantos das profundezas das minas. Não descansei enquanto não encontrei uma forma de ir a um determinado local onde estava uma Cog e um artefacto essenciais para a melhoria da minha Dorothy. Recolher tudo obriga a um investimento para lá das dez horas de jogo necessárias à conclusão da campanha principal. Querem as vossas dungeons todas com um visto a verde no mapa? Então façam uma pausa à investigação sobre Rusty - não se vão arrepender. 

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Os visuais do jogos são muito bons para aquilo que é suposto oferecer: uma aventura subterrânea. E por mais improvável que pareça, há bastante diversidade nas localizações que apresenta. Há um local onde predominam os tons esverdeados devido aos poços de ácido; há um sítio onde a cor e os tons de vermelho e laranja existem em abundância, dada a luz emitida pelos rios de lava que lá se encontram. É sempre entusiasmante ganhar acesso a um outro local e ficarmos surpreendidos pela criatividade visual que o jogo oferece. Não será pelos visuais que se vão cansar de SteamWorld Dig 2. 

SteamWorld Dig 2 é um jogo excelente, que acaba por ser difícil de pousar, mesmo quando a Nintendo Switch já deu vários avisos da bateria estar quase descarregada na sua totalidade. Queremos sempre mais dinheiro, mais minérios para enriquecer, descobrir caixas com Cogs, encontrar as relíquias perdidas nas profundezas das minas para ganharmos acesso a folhas com esboços esquemáticos para novos equipamentos. Enfim, este jogo ganha por rumar contra a tendência da geração espontânea e aleatória de níveis para vermos um design brilhante que colabora com as mecânicas e sistemas do jogo. Mais uma excelente entrada para a Nintendo Switch, consola onde tive oportunidade de o jogar.