Há algo de único e genuíno em Mark of the Ninja e SteamWorld Heist. Ambos foram beber inspiração aos mais nobres títulos dos géneros que representam, contudo fizeram uma alteração genial: colocaram-nos num espaço bidimensional. Como é sabido, o habitat natural dos jogos de ação furtiva e dos títulos de estratégia com combates por turnos é o espaço tridimensional.

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Faz mais sentido para elaborar um plano ou para ver vários pontos de interesse que nos poderão fragilizar. No entanto, Mark of the Ninja conseguiu uma ovação generalizada, tanto de quem o jogou por mero prazer, como também de quem aglomerou os seus sentimentos numa crítica. E agora, acredito plenamente que a obra sueca da Image & Form, SteamWorld Heist, terá o mesmo destino: o sucesso.

A Terra, após uma enorme explosão, ficou completamente estilhaçada deixando à deriva os seus habitantes robóticos: os Cowbots - robôs movidos a vapor. Tranquilos na recuperação de minérios e água restantes dos pedaços do planeta que sobraram, esta sociedade ficou à mercê da ausência de lei e ordem.

Gangues recém-formados pilham tudo e todos à sua passagem, enquanto que os elitistas Royalists - compostos por robôs que usam como fonte de energia o gasóleo - querem impor o seu poder a qualquer custo a todos os outros que não partilhem da mesma tecnologia de combustível fóssil. Enfim, com o caos instalado, vocês - que controlam a Capitã Piper Faraday - terão de liderar a revolução dos Cowbots e defendê-los nestes tempos de adversidade.

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A viagem na vossa nave espacial levar-vos-á a outras aeronaves inimigas - piratas do espaço - para que consigam recolher toda a informação possível para que possam enfrentar os Royalists e levar a revolução a bom porto. Os objetivos vão variar entre eliminar tripulações inteiras, recolher todo o loot espalhado pelas naves que abordam ou até apanhar documentos de informação valiosa que possam interferir com os planos inimigos.

Este título de combates por turnos valoriza substancialmente os grupos que vão formar, com o vasto elenco que se forma pouco a pouco para se juntar à vossa causa. Escolhi combater com o pessoal inicial: Piper Faraday, uma inspiração para a sua tripulação; Gabriel "Seabrass" Stubb, um revoltado contra os Royalists e implacável quando munido de uma caçadeira; e Sally Bolt, uma agricultora com temperamento sensível e que pode iniciar ataques em série quando bem-sucedida. Isto só demonstra que com o evoluir de cada um deles tive sempre à mão soluções para tratar da oposição com "sal grosso" disparado à queima-roupa, à distância ou com recurso a habilidades que aumentava a sua eficiência.

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Uma vez escolhida a distância que querem percorrer, sempre a recorrer à proteção de barris ou barreiras, terão a opção de disparar sobre o inimigo ou de usar um item, caso não tenham usado o sprint para avançar mais algumas casas. Porém, além de conferirem sempre se não são alvos fáceis para a mira do inimigo que está no extremo oposto direito, ainda convém verificar se não haverá mais robôs a surgirem de níveis superiores ou inferiores da nave.

Pois, mesmo que não se encontrem diretamente sob a sua mira, poderão ser alvejados por ricochetes que as suas balas poderão fazer sobre diversas superfícies. Mas claro, quando for a vossa vez terão a mesma oportunidade de os alvejar recorrendo a este método. Pela primeira vez num videojogo tenho prazer em escolher uma arma de longo alcance e ser um verdadeiro sniper. SteamWorld Heist tem um vasto leque de armas de fogo, mas as armas com mira laser são certamente a que mais gosto dão para aniquilar e deixar os inimigos em mil peças espalhadas pelo chão.

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Claro que o uso dessas armas tem a sua desvantagem, não poderão mover-se na vossa vez, mas complementando por outra personagem com um poder de fogo violento e outra com a possibilidade de mover-se por mais casas, têm a situação equilibrada na perfeição. Por exemplo, numa fase onde defrontava um boss, com Faraday tratava desse monstro maior com tiros milimétricos, com Seabrass e Sally ia limpando os outros robôs menores que só estavam a interferir na minha missão.

Com a nave repleta de inimigos que infligiam dano, para além do boss bem complicado, coloquei Sally como uma verdadeira peça de xadrez numa posição avantajada e com a habilidade Mad Dog fui eliminando a concorrência uma a uma até que só restasse a minha equipa e o monstro mecânico. Uma jogada que me poupou muitas dores de cabeça.

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No entanto, a partida não acaba com todos os inimigos desmontados no chão, mas sim com as recompensas recolhidas que terão de ser abertas. Neste último momento de encerramento da batalha que acabou de ocorrer vão estar sempre a ver se há loot que valeu a pena pelo esforço que aplicaram na batalha que findo há pouco tempo. Entre as variadíssimas armas, de muitas categorias, há também o fator de raridade a ter em conta, todavia os vossos olhos vão fica colados nos valores de dano e dano crítico que poderão causar, assim como as suas habilidades secundárias.

Normalmente, tudo o que seja com mira de longo alcance dá-vos uma probabilidade de cinquenta porcento de conseguirem infligirem dano crítico adicional. Poderão ainda recolher botas que vos poderão aumentar o número de casa a avançar, armaduras que vos protegem com mais unidades de saúde - mas que vos vão abrandar pelo seu peso.

No campo técnico a inspiração steampunk, com uns laivos de cyberpunk, é notável com ambientes muito interessantes e personagens com um look fenomenal. Contudo é nos combates que o grafismo com uma direção coerente e o som com efeitos metálicos a embater em as várias superfícies que enaltecem a experiência como um todo. Ainda continua a ser incrível o que é possível atingir com a portátil da Nintendo.

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Com fim de 2015 a chegar, a produtora sueca convence com a sequela de SteamWorld Dig, com mais um título a ser obrigatório - caso gostem deste género - para a Nintendo 3DS. Os combates são bastante divertidos e suficientemente profundos para vos fazer pensar nas várias estratégias que poderão abordar. O vasto elenco de personagens fará com que adiem a estadia de SteamWorld Heist no cartão de memória da consola.