Os simuladores de jardinagem ou de agricultura têm uma tendência inata de serem fastidiosos para a grande maioria porque, tal como as plantas, requerem inicialmente muito dos jogadores. Story of Seasons, mesmo não sendo um Harvest Moon, é um jogo produzido por uma equipa com o pedigree essencial para este tipo de jogo, pois a Marvelous já tem no seu portfolio uma colaboração com a Natsume que resultou em alguns bons títulos da franquia Harvest Moon. Agora por conta própria, a Marvelous tenta a sua sorte neste exclusivo 3DS.

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Não tem uma base forte na narrativa, mas continua com a apresentação inicial da chegada a uma aldeia remota com uma vaga disponível para mais um agricultor. Antes de serem levados a esta fase terão de construir um pequeno avatar, onde têm o primeiro vislumbre da direção artística para os modelos das personagens: a tradição nipónica do estilo chibi. Depois de uma introdução a todos os métodos basilares da agricultura pela anciã desta pequena comunidade, é hora de pormos mãos à obra na nossa propriedade e aumentá-la significativamente para podermos ter terreno limpo para cultivo, um estábulo e uma casa confortável.

A palavra-chave do jogo é a comunidade e todas as ligações e interações que dela provêm. E é desse pilar que vemos que a Marvelous se quer destacar da Natsume - e da sua franquia Harvest Moon. A inspiração é clara: a série de excelência da Nintendo Animal Crossing. Não podiam ter ido buscar melhor série para implementar certos elementos com a vida de agricultor numa comunidade remota e unida. No entanto, falta aquele vigor que Animal Crossing tem de dar aos jogadores inúmeras tarefas a fazer quando querem e bem lhes apetecer.

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Story of Seasons é lento, demasiado vagaroso para o jogador que quer jogar e não esperar. Um dos grandes fatores que contribuiu para este começo a passo de formiga é haver uma barra de energia para executar tarefas. Em quase três ou quatro dias, não consegui limpar as rochas e árvores que estorvavam no campo de cultivo para poder usar a sachola e tratar a terra para que possa ser semeada.

A barra de energia esgotava-se facilmente e só tinha duas hipóteses: ou esvaziava-a completamente e desmaiava, levando-me ao hospital; ou tinha alguma comida comigo para restabelecer alguma da energia. Porém, dado que era início do jogo, não tinha dinheiro suficiente para comprar comida, não tinha a experiência ou utensílios para preparar refeições; estava condenado à rotina de trabalhar - dormir. Querer captar a atenção dos jogadores desta forma vai afastar automaticamente muito público que não tenha a paciência adequada para este tipo de jogos.

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Os dias passam e forma-se uma bonita quinta, tão bonita quanto a vossa imaginação e o conteúdo do jogo permitir. Podem personalizar a vossa quinta ao vosso bom gosto, também o interior da vossa casa. Mas claro, vocês não vão trabalhar para aquecer, há que fazer dinheiro para adquirir mais itens, mais ferramentas para trabalhar a terra e cuidar dos animais. O dinheiro far-se-á através de vendas a comerciantes que vêm ocasionalmente do estrangeiro. Há que ver a agenda para ver o quê que podemos fazer crescer para no dia de chegada dos comerciantes podermos fazer o máximo de dinheiro.

Mas o dinheiro não é tudo. O sentido de comunidade chega através de trocas de serviços ou de itens encomendados por outros. Para terem um cavalo terão que dar cinco garrafas de leite à agricultora mais exuberante da aldeia, para melhorarem a vossa casa terão de dar uma certa quantidade de pedras e madeiras específicas ao carpinteiro e para poderem ter uma área extra para explorar terão que lutar por ela e fazê-la render o mais possível.

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Conforme se explora a aldeia, conhece-se melhor as caras que fazem parte dela. A cada época, a cada ano que passa, descobrem-se novas camadas de personalidade das personagens que habitam a nossa zona. Não é propriamente um jogo que prima pela sua narrativa, mas houve o cuidado de não estarmos a comunicar com personalidades banais ou sem a parte humana que os define.

Graficamente, este título está longe de ser deslumbrante, mas usa o 3D de forma inteligente para acentuar a estação na qual estamos presentes. Uma das particularidades que poderia ter falhado, mesmo estando num sistema como a 3DS, era o menu, mas felizmente para a experiência do jogador esta parte foi bem pensada.

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Story of Seasons acaba por refletir o que os últimos Harvest Moon nos têm dado: uma experiência lenta e que se arrasta no começo do jogo, mas que revela complexidade e nuances a quem investe no jogo. Esses jogadores já sabem o que esperar e têm certamente a sua cópia encomendada, agora resta cativar um público que normalmente olha com desdém para este tipo de jogos, tal como Animal Crossing conseguiu.