Karen não está a ter um dia fácil. Nos momentos iniciais de Super Crush KO, o seu gato é raptado. Os níveis que se seguem levam a protagonista a derrotar incontáveis inimigos enquanto tenta recuperar Chubbz, o seu amigo de quatro patas. É um percurso truculento, mas que permite à Vertex Pop edificar uma aventura com muitos altos e alguns baixos.

Percebemos facilmente que o arco narrativo não é a grande aposta da produtora. Há esporádicas e curtas cenas de animação que vão fazendo a trama avançar enquanto perseguimos quem nos roubou o felino e há também cenas de diálogo. Não esperem grandes desenvolvimentos de caráter até chegarem ao final. A derradeira mensagem que fica carimbada antes dos créditos finais, contudo, merece uma menção. É uma obra que acaba bem, mas que sublinha o amor partilhado enquanto fundição.

O argumento ficar em segundo plano nunca é verdadeiramente um problema porque Super Crush KO vinga pela sua jogabilidade e pelo seu aspecto. Comecemos por mencionar que estamos perante um brawler em duas dimensões onde o deslocamento é feito na horizontal. Não há muito aprender sobre os processos de jogo, contudo, uma vez que há sempre a motivação de chegarem a um rank superior no final de cada missão e no encadeamento de golpes, dominar os níveis do princípio ao fim é efectivamente um desafio.

Pouco depois da jovem alienígena roubar Chubbz, compreenderão que além do deslocamento pelos cenários podem atacar os inimigos corpo-a-corpo, disparar sobre eles e, obviamente, esquivar-se aos seus ataques. Simples, não? Bem, aprenderão também que o truque para as grandes pontuações é encadear estes ataques, que acabam por estar alicerçados em quatro movimentos principais.

Karen pode aplicar o Twister Drill e assim atacar vários inimigos em sucessão. Outro dos ataques é conhecido como Upper Cut e é um ataque vertical. Como a obra insere várias plataformas nos seus cenários, quando tiverem inimigos imediatamente em cima, é a melhor opção que têm. O Ground Shake, como o nome deixa adivinhar, faz com que a protagonista ataque e lance os inimigos pelo ar, deixando-os temporariamente à mercê de uma segunda investida. E há ainda o Air Pop, um ataque rápido no ar.

Separadamente, os ataques vão funcionando. Porém, é quando aprendemos que ataque deve ser usado em cada situação que Super Crush KO se torna verdadeiramente uma obra frenética. A produtora sabia o que estava a fazer, pois não só coloca vários inimigos no ecrã em cada “vaga”, como permite unir estes ataques com os disparos e com as constantes situações em que temos que nos esquivar não apenas das balas disparadas pelos inimigos, como também dos seus ataques físicos e de certos perigos espalhados pelos cenários.

Os diferentes níveis aparecem agrupados, com um boss no final de cada grupo. Como o jogo não é particularmente longo, não são muitos os momentos em que poderão medir forças contra estas criaturas imponentes. Ainda assim, quando estas oportunidades surgem - normalmente os bosses “chamam” alguns dos inimigos corriqueiros para ajudar à festa - deixam-nos colocar em prática tudo aquilo que fomos aprendendo durante os níveis que nos conduziram até estes confrontos.

Esta dança com os inimigos é inegavelmente frenética. Contudo, com o acumular de áreas deixadas para trás, sente-se a falta da introdução de novos designs e de novas mecânicas de ataque. Entre mechs e aliens, os inimigos rebolam pelos cenários, abrem fogo sobre a protagonista, saltam do local onde aparecem, tentando trocar a dinâmica dos confrontos. Mas, tal como com as habilidades que Karen tem ao seu dispor, as maiores novidades surgem na primeira metade de Super Crush KO.

Dois pontos evitam que esta estagnação estrague a experiência: primeiro porque a curta longevidade não permite que haja o reciclar cansativo dos processos. Depois, porque estas bases permitem o tal encadear de golpes, ou seja, na segunda parte estamos investidos em dominar todas as situações, uma vez que estamos familiarizados com o que devemos fazer, chegando mesmo a ter em consideração os tempos que os disparos e o ataque especial precisam para estar novamente operacionais.

Isto não quer dizer, porém, que o jogo é fácil. O número e a dificuldade dos inimigos aumenta, tal como os perigos inseridos nos cenários. Super Crush KO nunca chega a fazer o jogador contemplar atirar a consola ou o teclado contra uma parede, mas oferece alguns momentos em que a nossa habilidade é colocada à prova, o que faz sentido se não nos esquecermos que estamos perante um brawler frenético. Algumas vezes, o medidor de corações vai chegar a zero e isso é perfeitamente normal.

Apesar de a banda sonora poder ser mais variada, o outro aspecto técnico, ou seja, o grafismo é um dos pontos em destaque. As cores pastel dão-lhe um identidade desde o primeiro momento. E com o passar do tempo, ainda que não haja uma grande variedade de cenários, as cores vão mudando para tons mais escuros sem nunca perder esse encanto. Azuis bebé, vários tons de rosa e púrpura, é um departamento que pega em cores fortes e usa-as a seu favor, sem cansar quem joga.

Além do design dos bosses, os inimigos que se vão cruzando no nosso caminho também não se apresentam de forma descurada - sejam criaturas em tons azul, robôs que emitem bolas de fogo encarnado, a Vortex Pop encaixa-as bem no fundo citadino. Esta escolha de texturas sem grande peso ajuda a que não existam abrandamentos técnicos, pelos menos na Nintendo Switch, versão que tive oportunidade de experimentar.

No final de cada nível, ficamos a saber a nossa pontuação base. O tempo que demoramos, o número de continues que usamos, o número de golpes que sofremos, tudo ajuda a apurar a classificação final que podemos carregar e partilhar com o mundo. O número de combinações perfeitas que realizamos está também em montra, revelando-nos o quanto é que ainda podemos melhorar. São dados que podem ser encarados como parte da estatística ou como uma motivação adicional, tudo dependerá de quão competitivo o jogador for.

Super Crush KO podia ser mais longo e podia até ser mais variado. Todavia, a rapidez da ação e o prazer que se retira de melhorar enquanto encadeamos mais e a mais golpes elevam-no. O grafismo dá-lhe um carisma cheio de cor. É um bom jogo e uma obra honesta naquilo que quer oferecer: algumas sessões onde a adrenalina de aniquilar hordas de inimigos lidera a missão para encontrarem e resgatarem o vosso amigo de quatro patas.