Os jogos de tabuleiro são um excelente veículo de socialização: todos os intervenientes divertem-se independentemente da sua idade ou contacto prévio com jogos deste tipo. No domínio dos videojogos há uma série da Nintendo que consegue replicar a mesma experiência e diversão oferecidas num jogo de tabuleiro. Devem, muito provavelmente, conhecer Mario Party, uma série que celebra vinte anos com a chegada de Super Mario Party à Nintendo Switch. 

Mario Party não foi feito só para ganharem, porque este é um jogo onde tem de gerir um oscilar de emoções - que passam por vitórias inesperadas e por perdas injustas. Super Mario Party mantém estes altos e baixos de sentimentos e adapta-o perfeitamente à realidade da Nintendo Switch, aproveitando as suas potencialidades. Não é por acaso que são oitenta os novos minijogos desta nova entrada no catálogo da Switch. 

Apesar da série estar presente em duas décadas de consolas Nintendo, este novo título inova o suficiente sem perder a familiaridade que tem associada. Dada as características da consola, faz todo o sentido que este party game de excelência esteja na sucessora da Wii U, o que não se percebe foi o porquê de ter demorado tanto tempo a chegar ao mercado, visto conseguir pôr em evidência o que de melhor a Nintendo Switch consegue fazer: multijogador instantâneo. 

Uma particularidade da Nintendo Switch que não foi aproveitada em Super Mario Party, tem está relacionada com o slogan que a casa de Quioto colou na consola: “Jogar onde, como e quando quiseres”. A questão do advérbio interrogativo “como” foi posta de parte por uma simples razão. Assim todos os jogadores estão em pé de igualdade, porque todos jogam da mesma forma. São obrigados a jogar com os Joy-Con removidos da consola e cada um deles (seja o esquerdo ou o direito) por um jogador. Não há outra forma de jogar, a única escolha que podem tomar é onde querem ver a ação a passar: na televisão ou no ecrã táctil. 

Super Mario Party regressa às origens, onde permite que quatro jogadores joguem em simultâneo e que avancem pelo tabuleiro interativo separadamente - e não em conjunto, como já aconteceu em títulos anteriores. Como já é apanágio da série, o objetivo principal é recolher o maior número de estrelas possível. Contudo, o que importa é amealhar estrelas, não a forma como são adquiridas. Se assim o entenderem, não precisam de olhar a meios para atingirem os vossos fins. 

São pequenos os detalhes que foram adicionados à fórmula base do jogo, mas são suficientemente significativos para melhorar o jogo. Todas as personagens progridem pelo mapa com um dado normal ou com um especial, todavia este pode trazer desvantagens mesmo com a possibilidade de prémios aliciantes. Para andar mais algumas casas, para além daquelas que foram designadas pelo dado, têm de juntar aliados tal como se fez em Mario Party: Star Rush. Uma mecânica bem-vinda que adiciona um elemento estratégico às partidas.

Jogar o modo clássico é fantástico, ótimo para romper, temporariamente, amizades. Porém, este modo pode revelar-se demasiado cansativo se forem castigados sucessivamente por receberem menos estrelas do que os outros na atribuição aleatória final de cada partida. É por isso que River Survival é um uma excelente adição aos modos de jogo que temos disponíveis. Este modo cooperativo coloca quatro jogadores a percorrer fortes correntes fluviais numa pequena embarcação, onde cada jogador passa a usar o seu Joy-Con como se fosse um remo. 

River Survival é um modo que reforça a cooperação num jogo tipicamente competitivo. Remem em conjunto e coordenados, como uma autêntica equipa de canoagem, para irem onde pretendem. O principal objetivo é cortarem a meta, mas convém adicionarem tempo ao contador visto este estar limitado. Este tempo adicional é recolhido após terminarem os minijogos que são ativados depois de terem tocado num balão. Este é um excelente modo para vincar amizades, em vez de as quebrar na competitividade. Foi, definitivamente, o modo onde mais me diverti.

Obviamente que os jogos de ritmo também marcam presença. E se escolherem Sound Stage vão poder verificar o elevado grau de precisão e sensibilidade que têm os Joy-Con. Nem todos os jogos refletem bem a tecnologia que neles está imbutida, felizmente a maioria deles são bons jogos que não vão provocar frustração, mas sim mais um momento de soltar gargalhadas. O que é bom, é que introduzem uma certa variedade à jogabilidade dos minijogos mais tradicionais. Não é por acaso que o jogo só permite jogar com os Joy-Con, pois a jogabilidade está totalmente centrada nas suas capacidades.

Visualmente, não há nada de novo a mencionar que já não tenham visto em outros jogos da série Super Mario. O grafismo continua limpo e coerente com aquilo que foi visionado para o Reino Cogumelo. Mas, no fundo, se gostam de um bom party game, este título vai satisfazer-vos a sensação de ausência. Não faltará conteúdo em boa quantidade para divertir-vos em inúmeras sessões de jogo.