A obra independente criada por Edmund McMillen e Tommy Refenes reflete o passado destes produtores enquanto jovens jogadores. Devem ter sido inúmeras as horas a jogar nas suas NES e SNES, as duas consolas onde nasceram e floresceram vários títulos de ação e plataformas. Depois da fama de Super Meat Boy, vieram os problemas pessoais daí resultantes, sobretudo após a exposição mediática exacerbada no documentário Indie Game:The Movie. 

A Team Meat já não é o que era. Após Super Meat Boy, Edmund McMillen continuou a trabalhar em projetos pessoais, porém sem a ajuda de Tommy Refenes na programação, mas com Florian Himsl. Este trabalho deu origem ao que é hoje conhecido como The Binding of Isaac e levou McMillen de regresso ao sucesso. James Id, criador dos vídeos promocionais do jogo mencionado na frase anterior, deu uma mão na programação de outro jogo: Fingered. A Team Meat tentou regressar ao trabalho com a revelação de Mew-Genics,  um jogo que foi posteriormente cancelado.Algo não estava definitivamente bem entre McMillen e Refenes.

Imagens Analise Super Meat Boy Switch

A dupla separou-se e é Tommy Refenes que ficou responsável pela Team Meat, que agora conta com cinco colaboradores num projeto que Refenes sempre quis ver concretizado: Super Meat Boy Forever. Contudo, Super Meat Boy estreia-se na Nintendo Switch com uma funcionalidade com a qual Tommy Refenes esteve a entreter-se na altura do lançamento de Super Meat Boy: o Modo Corrida. 

Esta versão Nintendo Switch é essencialmente a mesma que foi entregue nas consolas PlayStation 4 e PlayStation Vita. Ou seja, sem uma parte fundamental do original que foi lançado na Xbox 360 e no PC: a excelente Banda Sonora de Danny Baranowsky. A composição da música teve de ser entregue a outros compositores. Foi a experiente banda Ridiculon que ficou com esta importante tarefa, sem desiludir, mas sem a pujança dos riffs das cordas das guitarras usadas no original.

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Este título encaixa na perfeição na Nintendo Switch. Como portátil, fazer um ou outro nível é rápido, liga-se e desliga-se sem que tenhamos de nos lembrar onde ficamos na última sessão. O objetivo é claro, enquanto Meat Boy temos de tentar salvar Bandage Girl das mãos do malvado Dr. Fetus. Porém, Meat Boy é, literalmente, um pedaço de carne sem pele, ficando assim exposto ao mundo exterior - a todos os perigos que este apresenta. Corajoso, Meat Boy terá de correr e saltar, muitas vezes com um timing que não oferece muito espaço para erros. Só temos de chegar a Bandage Girl e o nível está terminado.

Há níveis e grandes níveis. O level design de Super Meat Boy é excelente, há sempre uma determinada área que se foca num determinado aspeto do jogo. Devido ao nosso tempo ficar registado nas tabelas de classificação online, temos sempre a tendência em ficar com o botão da corrida pressionado. Contudo, nunca nos podemos esquecer que os nossos saltos também ganham um maior impulso, o que inviabiliza uma estratégia que tenha sido previamente utilizada. 

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Não podemos estar sempre a correr, temos de ver os diversos elementos do jogo e adaptarmo-nos gradualmente. Pois morrer é uma parte essencial do jogo, faz parte da própria estética de Super Meat Boy, sobretudo porque as repetições são uma espécie de relaxante visual onde inúmeras personagens Meat Boy pintam o cenário a vermelho sangue, devido aos nossos grandes falhanços que se transformam num verdadeiro espetáculo, um pequeno prémio pelo nosso esforço.

The Sabbath é um nível genial. As cores estão negras, só o cenário de fundo é que está visivelmente diferente. Estamos a jogar no escuro mas vemos bem a personagem, os inimigos, os perigos que esperam por nós e as plataformas para as quais temos de saltar para atingir o nosso objetivo: a rapariga dos pensos. É lá que se esconde um outro nível igualmente genial: The Bootlicker. 

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Este é uma das muitas warp zones, áreas onde Meat Boy é sugado para uma outra dimensão e outra personagem assume o controlo do jogo. Aqui é Jill que consegue saltar de um modo diferente e sobrevoar graças à sua capa, que nem um autêntico morcego. Super Meat Boy é dos jogos pioneiros em que traz ao seu mundo personagens de realidades diferentes. Neste caso é Jill de Mighty Jill Off, um jogo lançado em 2008 por Anna Anthropy - muitas poucas pessoas devem conhecer, pois nem no Steam se encontra.

Se quiserem jogar Super Meat Boy com uma das dezenas de personagens disponíveis, basta recolherem os pensos de Bandage Girl espalhados pelos vários níveis. Após adquirirem uma certa quantidade, podem usar este item como moeda de troca por Josef (Machinarium), Steve (Minecraft) ou Tim (Braid). São várias formas diferentes de jogar Super Meat Boy; são novas maneiras de descobrir um excelente jogo de plataformas e de conhecer outros que vos venham a despertar a curiosidade como Jill. 

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Ao que ao novo Modo Corrida diz respeito, acho que é uma adição que vai ao encontro à realidade da Nintendo Switch: o multijogador instantâneo.Tirem os Joy-Con de cada lado e podem jogar este modo com o vosso amigo. É um modo competitivo que divide o ecrã a meio e, tal como o próprio nome indica, têm de correr um contra o outro. Nível atrás de nível, quem acabar o conjunto predefinido pelo jogo, consagra-se campeão da partida que está a ser disputada. 

Além de ser bastante entusiasmante ver o vosso adversário a vencer-vos ou a estarem prestes a ser ultrapassados, é bastante divertido. É a isto que o Modo Corrida se resume: é divertido e competitivo ao ponto de podermos tecer algumas estratégias. Apanhem dois pensos e podem saltar um nível que já sabem que vos vai demorar mais tempo que o normal a ultrapassar. Enfim, isto pode romper amizades.

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Super Meat Boy continua tão bom como sempre o foi. Infelizmente, ainda não foi possível renovar a licença das músicas de Baranowsky. É um jogo de plataformas com uma jogabilidade extremamente precisa, com níveis que sublinham com veemência este aspeto tão importante do jogo. O jogo chega bastante tarde à, relativamente, nova consola da Nintendo. Mas este é um jogo que considero um grande clássico dos jogos independentes e se gostam de jogos de ação e plataformas, Super Meat Boy é praticamente obrigatório a adicionar à vossa biblioteca de jogos da vossa Nintendo Switch.