Nós, enquanto seres humanos, estamos constantemente a ser assolados por um desejo de querer sempre mais e mais de tudo aquilo que já possuímos, mesmo que não seja um bem de primeira necessidade. Super Motherload brinca com esta ideia desde o seu início até ao final da sua campanha e fá-lo de tal forma que o mais provável é que nem se apercebam desse facto durante o tempo que passarem com ele. No entanto, nem mesmo após desvendar esta mensagem escondida nas mecânicas e conceito do jogo consigo encontrar razões que possam desculpar o sentimento de repetição que vão inevitalmente acabar por sentir.

Antes de iniciar a análise propriamente dita, recomendo a todos os interessados neste título a experimentarem o jogo original, Motherload, que pode ser facilmente encontrado após uma rápida pesquisa no vosso motor de busca. O jogo é gratuito, mas mais importante que isso é o facto de vos dar uma ideia bastante precisa daquilo que podem esperar do título já disponível para PlayStation 3 e PlayStation 4 e que chegará no próximo ano ao PC.

Super Motherload é um jogo de exploração mineira em que assumimos o controlo de um trabalhador independente contratado pela empresa Solarus Corporation para explorar o solo de Marte em busca de recursos valiosos para a vida na Terra. O objetivo é bastante simples: conseguir o maior número de recursos para depois vender à empresa, permitindo assim fazer crescer a nossa conta bancária. Mas aquilo que parece ser apenas mais uma simples missão de exploração de recursos, rapidamente se revela um trabalho diferente de todos os outros e que representa na perfeição a ganância do ser humano.

À medida que vamos escavando profundidades cada vez maiores, o nosso intercomunicador, que geralmente apenas serve para receber mensagens que nos ensina as mecânicas do jogo, é constantemente ativado por mensagens provenientes de outros trabalhadores que parecem indiciar conspirações relacionadas com a Solarus Corporation. Muitas das personagens que nos vão contactando ao longo da experiência revelam sinais óbvios de insanidade, causadas pelos largos períodos de exploração a que estiveram expostos, sendo que existem inclusivamente referências a uma entidade que parece habitar nas profundezas do solo de Marte. Apesar de a história interromper por várias vezes a jogabilidade, esta acaba por não ser muito mais que uma simples distração que tenta motivar o jogador a tentar chegar cada vez mais longe no solo do nosso planeta vizinho e comprovar a existência da entidade. Destaque para o facto de quase todas as falas serem vocalizadas.

O solo de Marte é um mundo extremamente rico e por ele estão espalhados centenas de rubis, diamantes, ouro, platina, ferro, bronze e até mesmo fósseis, sendo que estes últimos são vendidos por valores exorbitantes devido à sua raridade. É importante salientar que o mundo de Super Motherload é diferente sempre que o jogam, uma vez que é construído à medida que o jogador vai avançando, ou seja, não existem localizações de minerais pré-estabelecidas antes de iniciarem a vossa aventura. Para além disso, encontra-se dividido em várias secções, cada uma delas com a sua própria estação onde se poderão restabelecer. Estas estações permitem voltar a encher o tanque de combustível da escavadora, pois sem ele é impossível escavar seja o que for, reparar a nossa máquina de quaisquer danos que possamos ter sofrido durante a exploração do solo, vender os recursos e adquirir diversas melhorias e ferramentas para facilitar o nosso trabalho, entre as quais estão a possibilidade de aumentar o espaço para carga, aumentar a velocidade de movimento, aumentar o tanque de combustível e adquirir bombas para abrir caminho aparentemente intransponíveis.

Em determinados momentos do jogo, somos confrontados com objetivos mais específicos como encontrar certos materiais que nos forçam verdadeiramente a explorar ao máximo toda a àrea que nos rodeia para os encontrar, oferecendo uma breve variação na rotina que rapidamente marca neste título. Os elementos de puzzles estão também bastante presentes em Super Motherload, já que por diversas vezes darão por vocês a tentar definir o melhor caminho para chegar àquele recurso valioso rodeado de objetos capazes de danificar a nossa escavadora e outros que são simplesmente impenetráveis, sendo necessário compreender qual a bomba mais adequada e saber onde a utilizar. É nestes momentos que a obra de XGen Studios é particularmente interessante e consegue desafiar verdadeiramente a capacidade do jogador.

O principal de Super Motherload é o facto de a sua jogabilidade ser extremamente simples e, acima de tudo, repetitiva. Para perder alguns minutos em determinadas situações, este jogo é uma opção bastante válida, mas para sessões de jogo mais alargadas torna-se simplesmente cansativo. Escavar, recolher recursos até atingir a capacidade máxima de carga ou até o combustível acabar, voltar a estação e repetir os mesmos passos vezes sem conta até chegarem à estação seguinte não é o conceito mais interessante para perder várias horas em frente ao televisor. O jogo conta ainda com um modo cooperativo local para até quatro jogadores, mas este acaba por tornar-se caótico com a partilha de um só ecrã e de difícil gestão, uma vez que todo o combustível é partilhado pelos jogadores envolvidos.

No que diz respeito ao departamento técnico, Super Motherload está longe de ser um título particularmente impressionante, contando com um estilo visual bonito, mas longe de retirar o máximo proveito da PlayStation 4, plataforma onde foi analisado. Os seus cenários estão repletos de recursos brilhantes, mas durante toda a experiência o único fator que muda é a cor de fundo do solo. A sua banda sonora é bastante interessante e adequada ao estilo de exploração presente no jogo, embora acabe por ser um pouco repetitiva. Por último, destaque para as vozes que dão vida às personagens que integram a história, já que fazem um excelente trabalho em tornar todo o tom do jogo mais autêntico e a tensão palpável.

Assim sendo, o mais recente título da XGen Studios, que foi também um título de lançamento da nova consola caseira da Sony, é um jogo interessante, mas que peca pela sua jogabilidade simples e repetitiva que tornam a experiência cansativa. No entanto, se gostaram do título original e pretendem algo para vos ocupar o tempo enquanto esperam por outros jogos, então este jogo é sem dúvida uma opção a ter em conta, embora o seu preço não seja o mais convidativo.