Francamente, é nos conceitos mais invulgares que nascem jogos surpreendentes. Podem não ser os jogos que vão arrecadar mais atenção por parte da imprensa, porque é habitual serem produtoras independentes a arriscar em conceitos inovadores, no entanto estes projetos são bastante originais. Sushi Striker: The Way of Sushido é um destes casos, a ideia deste título, que foi lançado para a Nintendo Switch e 3DS, parece estranha mas o resultado é um jogo divertido.

O mundo de Sushi Striker é um Japão escasso em peixe, por isso o Império desta região proíbe o consumo de sushi por parte da população e controla as suas reservas e distribuição. Houve até uma guerra em torno desta iguaria que resultou na sua proibição, tal como o álcool o foi nos anos vinte nos EUA. Nós, enquanto Musashi - coincidência ou não, conheço um restaurante de sushi com este nome -, temos de devolver o prazer do sushi à população que foi impedida de comer esta delícia de origem japonesa.

Vocês juntam-se a um espírito do sushi, um pequeno animal que vos acompanha durante a vossa jornada para fazer com que o povo se recorde das maravilhas que o sushi traz consigo, nomeadamente, a felicidade de uma excelente refeição em família ou num grupo de amigos. Musashi é um (ou uma) Sushi Striker, uma espécie de lutador de características especiais, são estas mesmas propriedades que definem o mundo que nos foi trazido pela Nintendo, que colaborou com a produtora indieszero. É absolutamente incrível pensar como é que alguém poderia lembrar-se de fazer algo tão ridículo, mas que tem todas as mecânicas típicas que esperamos encontrar num bom videojogo.

A essência das batalhas é muito simples: derrotar o adversário, depois de lhe termos arremessado os nossos pratos vazios. À nossa frente está um enorme buffet de sushi que passa por nós num tapete rolante, para nós juntarmos o maior número de pratos possível da mesma cor. E quanto mais pratos da mesma cor conseguirem juntar, maior é a pilha de pratos amealhada e, portanto, ainda mais elevado é o dano causado por vocês quando a louça suja embater no adversário. O jogo resume-se a isto, contudo, é o conjunto de todas as outras mecânicas que torna Sushi Striker um jogo interessante para se jogar. É um grande desafio juntar pratos rapidamente, para que não sejamos nós a sucumbir às investidas do inimigo.

Há muito mais que podem e devem fazer para que saiam vitoriosos mais rapidamente, ou com maior eficiência. Em níveis mais avançados é imperativo perceber com que mecânicas conseguem trabalhar melhor, para que não percam, constantemente, as partidas. Por exemplo, podemos escolher equipamento que vai alterar a aceleração dos tapetes rolantes, podem evoluir os vossos companheiros de combate (os Sushi Sprites), como também podem dificultar a vida do vosso adversário conforme as habilidades dos Sushi Sprites que ativam. São mais de cento e cinquenta batalhas a partir, literalmente, a louça toda. Será por isso, numa determinada altura, necessário fazerem ajustes aos equipamentos e aos Sushi Sprites que levam convosco, para o estilo de jogo estar mais apto ao vosso - seja ele ofensivo, defensivo ou um equilíbrio destes dois.

Os controlos fazem-se através de dois métodos, ou numa combinação destes. Podem usar o analógico juntamente com os botões, ou usar o dedo para deslizar no ecrã tátil da Nintendo Switch. Mas estar completamente dependente do dedo no ecrã para escolher os pratos que querem atirar pode ser um grave erro, porque ao escolher os pratos desta forma, estão a tapar, involutariamente, os próximos pratos que se aproximam. Depender também só do outro método poderá fazer com que sejam mais lentos que o desejado. É conforme o decorrer da batalha que devem averiguar a melhor forma de chegarem à vitória. É pena que os controlos sejam a parte que pode influenciar o jogo negativamente.

Graficamente, estamos perante um jogo cómico, com um humor que está dependente da qualidade da narrativa como também dos visuais. Felizmente, temos aqui um jogo que decidiu seguir o caminho do anime, transformando a obra numa autêntica visual novel, com personagens que se expressam com bastante exagero. Isto favorece o jogo, principalmente depois de uma fatídica batalha que nos exigiu estar atentos aos nossos movimentos e aos dos tapetes rolantes.

São títulos estranhos como Sushi Striker: The Way of Sushido que diversificam o catálogo da Nintendo Switch. É um jogo que se recomenda sobretudo a quem gosta de um bom desafio como de quebra-cabeças. Uma boa adição, principalmente, se tiverem jogos como Picross na vossa lista de aplicações.