Desde o seu lançamento no início de 2012, a PlayStation Vita tem sofrido para conseguir atingir os objetivos traçados pela Sony. Isto deve-se em muito a uma aparente falta de exclusivos capazes de seduzirem os jogadores a adquirir a consola. Com estes problemas em mente, a Sony aposta agora numa mudança de rumo para a portátil, que passará a focar-se em pequenos títulos que permitam uma diversão rápida e sem grandes complicações, ao invés dos grandes exclusivos de séries aclamadas pela crítica.

Respeitando essa mesma mudança de rumo, eis que nos chega Table Mini Golf, um título de realidade aumentada produzido pela 4 Door Lemon, responsável por outros jogos do género como Table Football, e pela XDev Studios Europe, estúdio que colaborou na produção de títulos como Buzz e LittleBigPlanet.

Tal como indica o seu título, Table Mini Golf oferece-nos a possibilidade de usufruir de um campo de mini golfe em qualquer superfície plana que tenham à mão, seja esta a vossa secretária, a vossa cama ou até mesmo o próprio chão. Para isso, apenas é preciso que façam uso dos vossos cartões de realidade aumentada para que, a partir de um objecto mundano do quotidiano, possam ver nascer o vosso campo de mini golfe privativo.

Table Mini Golf, como muitos outros jogos deste género, assenta em dois modos de jogo básicos, Jogo Livre e Torneio de Eliminação, existindo ainda um pequeno tutorial para vos ensinar os elementos base da jogabilidade. No modo Jogo Livre, os percursos encontram-se divididos em dois temas distintos: Horror e Pirata. Cada um com um percurso de menor dificuldade e outro para os jogadores que procuram um desafio mais complicado. Para superarem um buraco e desbloquearem o seguinte, têm de obter uma pontuação inferior ou igual ao Par, ou seja, completar o buraco com um número de pancadas inferior ou igual ao do limite pré-estabelecido. Já o modo Torneio de Eliminação coloca o jogador em confronto com quatro adversários, amigos ou controlados pela inteligência artificial, no qual a cada três buracos o jogador com pior pontuação é eliminado.

Apesar da aparente variedade de modos de jogo e percursos disponíveis, quando iniciarem o título pela primeira vez vão descobrir que para disputarem um Torneio de Eliminação, terão de ultrapassar todos os buracos de determinado tema e dificuldade, bem como que para disputarem os percursos do campo de mini golfe pirata terão de superar todos os buracos do tema Horror. Este facto retira alguma liberdade de escolha aos jogadores e torna a experiência demasiado linear.

Table Mini Golf possui também um vasto leque de desafios para cumprir durante os percursos. Estes desafios podem ser globais ou específicos a determinado buraco e obrigam-nos a superar o percurso respeitando determinados requisitos, como obter a pontuação Par de forma consecutiva ou conseguir que a bola percorra um determinado número de metros numa só pancada. Esta pequena implementação confere ao título uma maior longevidade, uma vez que tentar superar todos os desafios que o jogo tem para oferecer pode ser uma tarefa bastante viciante e oferece um incentivo a voltar a buracos já superados.

Ainda assim, aquilo que podia ser o ponto mais forte de Table Mini Golf, acaba também por ser o elemento em que o título apresenta os maiores problemas. Embora possua um número gigantesco de desafios, o jogo apenas nos permite superar um desafio de cada vez. Isto significa que os desafios só podem ser cumpridos sequencialmente, ou seja, podem muito bem vir a ter de cumprir um desafio que envolva uma proeza já conseguida anteriormente, o que se traduz num sentimento de enorme frustração quando somos obrigados a repetir algo que já tínhamos feito.

Cada desafio recompensa-nos com um determinado número de estrelas consoante a sua dificuldade, estrelas essas que nos permitem elevar o nosso nível. Para que a subida de nível não seja uma tarefa inútil e desinteressante, Table Mini Golf tem para consulta uma sala trofeus, na qual estarão expostos os troféus que vos serão atribuídos após atingirem os vários níveis, bem como pela conclusão dos três desafios de cada buraco.

A jogabilidade de Table Mini Golf é simples, mas eficiente. Apontar e controlar a força da pancada é mais do que suficiente para que consigam superar os diversos percursos. Tudo o resto advém da capacidade de saber utilizar o meio que nos rodeia. A pontuação que recebem em cada buraco é definida por diversos parâmetros entre os quais estão a distância percorrida pela bola em cada pancada, uso de objetos para tabela, dificuldade da pancada final e, como é óbvio, o número de pancadas utilizadas. É uma enorme satisfação quando conseguimos desencadear reações em cadeia para conseguir Putts impressionantes e quase impossíveis, ficando bastante claro que existe um elemento de estratégia na base da jogabilidade do título.

Como noutros jogos de realidade aumentada, Table Mini Golf oferece um controlo total sobre o ângulo de visão, permitindo um fácil ajuste da perspetiva em situações de maior aperto. No entanto, o título requer algum espaço de manobra no vosso local de jogo, uma vez que a forma como o analógico controla a direção da pancada adapta-se à posição da personagem, dando origem a situações em que se verão forçados a uma rotação de 180º em relação à vossa posição inicial para conseguir ter uma visão clara e sem obstáculos do buraco.

Outro ponto negativo do título é o facto de existirem apenas três personagens à escolha e da inexistência de opções de personalização para as mesmas. Para além disso, Table Mini Golf não permite criar um perfil de jogador, o que significa que sempre que voltarem a iniciar o jogo terão de voltar a atribuir um nome à personagem que escolheram.

Em termos gráficos, o título da 4 Door Lemon não foge ao estilo habitual de jogos deste tipo, ou seja, não enchem o olho mas são mais do que competentes para a experiência que se pretende. Table Mini Golf oferece cenários diversificados e bastante preenchidos com diversos elementos que vão desde mãos zombies a aranhas, contando também com moinhos, canhões e guilhotinas. Apesar da sua simplicidade gráfica, as animações do jogo são bastante boas com a bola a interagir de forma credível com os diversos objetos que se encontram espalhados pelos percursos.

Por outro lado, a banda sonora de Table Mini Golf não tem grande brilho, limitando-se a preencher o vazio durante o pouco tempo que passarem nos menus. Já os efeitos sonoros, embora sejam interessantes e bem implementados, são por vezes de tal forma repetitivos que podem tornar-se irritantes e uma distração para o jogador, que poderá muito bem optar por desfrutar o jogo sem som.

Em suma, Table Mini Golf é um jogo simples, mas que cumpre quase tudo aquilo a que se propõe oferecer, ou seja, uma diversão fácil e que não consuma muito do tempo do jogador. Embora não cometa erros de maior, Table Mini Golf também não prima pela inovação, preferindo optar por caminhos mais óbvios e seguros. Pelo baixo preço que pede, este pequeno título de realidade aumentada merece sem dúvida a vossa a atenção.