Não há dúvidas que Mario Kart é o rei deste género muito específico de jogos de corridas e a série a que todos aqueles que tentam a sua sorte no mesmo serão inevitavelmente comparados. A competição à propriedade intelectual da Nintendo tem sido escassa ao longo dos anos, podendo-se mencionar ModNation Racers e LittleBigPlanet Karting como dois exemplos de obras que tentaram apresentar-se como alternativas a Mario e companhia, ainda que sem grande sucesso.

A verdade é que agora, num espaço de poucas semanas, Sonic, eterno rival do canalizador italiano e aquele que mais tem tentado combater a sua hegemonia neste género, e Crash Bandicoot chegam ao mercado com novos esforços para aqueles que não têm uma consola da Nintendo à mão ou que procuram algo diferente nos seus títulos de Karts. Team Sonic Racing é o sucessor de Sonic & All-Stars Racing Transformed, obra que chegou ao mercado em 2012 e foi recebido de forma positiva pelos jogadores e pela crítica especializada.

Com a nova obra assinada pela Sumo Digital, a SEGA procurava capitalizar na fórmula vencedora do antecessor e adicionar-lhe uma forte componente de trabalho em equipa - tal como o próprio nome indicia - para entregar uma experiência de alto valor para serões passados em confronto amigável com amigos em no mesmo sofá ou pela Internet. De certa forma, Team Sonic Racing consegue apresentar-se como um jogo agradável nessas circunstâncias, contudo, acaba por não fazer o suficiente para preservar o interesse após algumas sessões de jogo.

Apesar de ser mecanicamente sólido em praticamente todos os seus departamentos, falta um elemento de espetacularidade nas suas corridas, falta uma maior sensação de velocidade e também um melhor feedback e reação à qualidade das prestações do jogador nas diferentes provas. Estes problemas são claramente mais notórios quando estão a enfrentar a Inteligência Artificial que, graças a um efeito rubber banding demasiado pronunciado, fazem com que quase todas as corridas sejam resolvidas por margens mínimas independentemente da quantidade de vezes que fizeram asneira ao longo das mesmas.

É por isso que, após todas as personagens ficarem disponíveis e as várias pistas se começarem a repetir, o modo Team Adventure se torna aborrecido e desinteressante. Ganhar as corridas raramente é desafiante, as provas de desafio - que podem consistir na passagem por entre determinados pontos de controlo no cenário ou colecionar anéis - carecem em interesse e a história, bem, a história é risível e desnecessária. No fundo, correr contra a IA é uma experiência pobre em momentos de diversão, o que transforma aquele que é o modo mais robusto do título em algo pouco cativante.

Para além deste modo, Team Sonic Racing oferece ainda o modo local, onde podem participar em Grandes Prémios - competições com várias provas -, corridas de exibição e contrarrelógios a solo ou com amigos ao vosso lado, e claro está, o modo multijogador online. Diga-se que, em ambos os casos, existe a possibilidade de realizarem corridas sem a componente de equipa, ou seja, em modo todos contra todos. Como se percebe, a diversidade de opções oferecida pelo jogo não é muita, pelo que a obra faz muito pouco para agarrar aqueles que não têm interesse em lutar pela ascensão na tabela de líderes.

Ainda assim, a proposta da Sumo Digital conta com algumas ideias interessantes na sua jogabilidade que brilhariam mais alto se o pacote que as engloba fosse mais rico. O ênfase no trabalho de equipa, com recompensas para a entrega de itens aos seus aliados, a utilização da trajetória do líder da equipa para obter um boost momentâneo, a oferta de uma aceleração adicional sempre que passam junto a um colega são incentivos à cooperação entre jogadores que sabem que precisam de obter a melhor combinação de resultados para que a sua equipa seja a vencedora, ou seja, não serve de muito um elemento ficar em 1º, se os restantes ficarem nas últimas posições.

Team Sonic Racing diferencia também as várias personagens do universo Sonic em diferentes classes: Speed, Technical e Power. Não é difícil perceber as diferenças entre cada uma delas e a verdade é que abrem possibilidades a diferentes tipos de condução, contudo, existe depois a possibilidade de personalização ajustando determinados elementos do veículo, como o motor ou os pneus, à medida que vão obtendo novas opções através de Mod Pods - sim, Loot Boxes.

Através destas modificações podem ajustar, ainda que nunca de forma excessiva, as características do veículo, trocando um pouco de aceleração por um melhor boost e defesa, ou preferindo uma maior velocidade máxima com sacrifício no controlo da viatura. São alterações mínimas, mas permitem ajustar um pouco a vossa personagem preferida em relação ao vosso estilo de condução. Sem surpresas, podem também personalizar o departamento visual do vosso carro, alterando as cores e o próprio som da buzina.

Mas nada disto é suficiente para afastar a ideia que estamos a jogar algo competente, mas sem grande brilho. O grafismo é sólido e existe alguma variedade de cenários, mas a sua utilização repetida ao longo do modo Team Adventure acaba por lhes retirar rapidamente o fator novidade. Ainda que tenham bifurcações e alguns obstáculos, falta um maior dinamismo às pistas que por sua vez se reflete na falta de entusiasmo nas corridas. A banda sonora faz um bom trabalho em acompanhar a ação, ainda que alguns temas se tornem cansativos.

Essencialmente, Team Sonic Racing é uma obra que não consegue preservar o interesse do jogador a longo prazo, algo que é já passível de comprovar com a dificuldade para participar em partidas online com 12 jogadores de carne e osso. Não é mau, mas não deslumbra em praticamente momento algum, pelo que no final acaba por se afirmar como uma obra com impacto reduzido no mercado.