Sem dar mostras de querer abrandar no futuro próximo, a Telltale Games deu início a mais uma série episódica em meados do mês passado. Já muito se disse - e criticou - sobre o modelo de negócio da produtora californiana e sobre a maior inconsistência de qualidade das suas mais recentes ofertas, mas a verdade é que, indiferente a tudo isso, esta continua a carregar prego fundo na esperança de voltar a encontrar a magia que a colocou no mapa e no radar dos jogadores. Depois de Batman, o estúdio alia-se agora à Marvel para tentar capitalizar no sucesso de um dos melhores filmes do seu Universo Cinemático e que viu recentemente a sequela chegar às salas de cinema.
Guardians of the Galaxy: The Telltale Series é o resultado da parceria já há muito anunciada com a gigante das bandas desenhadas e Tangled Up in Blue é o título do primeiro capítulo daquilo que se espera seja mais uma série de qualidade baseada numa propriedade intelectual já bem estabelecida e extremamente popular no panorama atual da indústria do entretenimento. Jogado e terminado o episódio de estreia, percebe-se o tom e o rumo que a produtora quer dar à obra, mas nota-se igualmente que estamos perante uma aventura ainda à procura de encontrar a sua identidade e a apresentar óbvias dores de crescimento.
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Se estão familiarizados com as bandas desenhadas ou se, mais provável, assistiram ao filme do mesmo nome, saberão que Guardians of the Galaxy é um grupo improvável de heróis composto por Groot, uma árvore gigante, Rocket, um guaxinim, Gamora, filha adotiva de Thanos, Drax, “o destruidor”, e liderado por Peter Quill, ou Star-Lord como prefere ser tratado. Sem perder grande tempo com introduções, o episódio lança-nos de forma quase imediata para um confronto com Thanos, um dos principais antagonistas do universo Marvel. É muito por aqui que este capítulo brilha e também por aqui que fica mais susceptível às críticas.
De uma forma geral, Tangled Up in Blue é um episódio bastante morno, o que é desapontante tendo em conta o seu início bastante forte. Na verdade, não demoram muito até entrarem em confronto com Thanos, numa batalha que, utilizando os quick-time events de elevado valor cinemático habituais da produtora, nos deixa momentaneamente assumir o controlo dos cinco elementos desta equipa disfuncional para resultados espetaculares.
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Infelizmente, terminado esse confronto, o ritmo abranda significativamente e não mais consegue recuperar. Percebe-se a intenção, isto é, dar uma oportunidade às personagens para se apresentarem aos jogadores num ambiente mais tranquilo, contudo, não resulta da melhor forma, uma vez que é na interação entre os diferentes membros durante as suas aventuras que Star-Lord e companhia se revelam mais interessantes. Nesses momentos, Guardians of the Galaxy consegue brilhar, mas quando tenta aproximar-se do registo mais emocional e dramático de outras séries os resultados são bem menos favoráveis.
Claramente mais apostada em utilizar o humor como principal trunfo, a sua presença neste primeiro episódio é surpreendentemente reduzida, especialmente se compararmos com aquilo que Tales from the Borderlands nos ofereceu. Não ajuda também que, apesar de uma vocalização sólida, a entrega de algumas linhas de diálogo, nomeadamente as de cariz humorístico, nem sempre resulte e falhe em atingir o objetivo desejado. Ainda assim, o humor aliado à utilização inteligente de música licenciada - destaque para Livin’ Thing de Electric Light Orchestra - conferem-lhe uma identidade muito própria, mesmo que a série ainda pareça algo confusa relativamente ao rumo que pretende dar à aventura e à forma como pretende utilizar as suas personagens.
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No que diz respeito à jogabilidade propriamente dita, Guardians of the Galaxy introduz um par de mecânicas novas à sua fórmula habitual. Para além das escolhas de diálogo e da jogabilidade de apontar e clicar, o título apresenta também áreas que envolvem uma exploração vertical, fazendo assim uso dos rocket boosters de Peter Quill, e dá igualmente ao jogador a oportunidade de ter conversas opcionais com os restantes membros do grupo através de intercomunicadores. Não revoluciona a forma como jogam a obra, mas são adições que diferenciam a série e que podem - e devem - ser utilizadas com maior assiduidade.
Relativamente ao departamento técnico, a nova série não utiliza o estilo visual de outras obras da produtora inspiradas em bandas desenhadas, preferindo oferecer um grafismo mais “limpo” que se fixa num ponto intermédio entre os visuais de The Walking Dead e Game of Thrones, conseguindo assim uma apresentação distinta. No entanto, a sua qualidade não é homogénea. Se os cenários são belos e detalhados, a modelagem das personagens, sobretudo aquelas com aparências humanas, é fraca e francamente pouco inspirada. Os soluços técnicos do costume estão também presentes, mas são mantidos num mínimo aceitável.
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Não é o mais espetacular dos arranques, mas também não é uma partida em falso. Guardians of the Galaxy mostra potencial para ser uma adição positiva ao catálogo da Telltale, mas é preciso que a produtora se apresse a perceber aquilo que melhor resulta e que mais diferencia esta propriedade intelectual. Começar uma nova série é sempre difícil e Tangled Up in Blue sofre com essas dificuldades, contudo, se os futuros episódios trouxerem mais sequências de ação como a que abre este capítulo e um humor mais presente e eficaz, certamente teremos pela frente uma experiência extremamente agradável de se jogar.

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