Filipe Urriça por - May 6, 2022

Tempest 4000 (Switch) – Análise

Há algo de muito apelativo nos jogos competitivos que colocam os jogadores a lutar pelos lugares cimeiros das tabelas de classificação. Jogar Tempest 4000 é como voltar a um salão de jogos no café mais próximo da nossa terra natal e depositar um bolso cheio de moedas de cinquenta escudos até conseguirmos escrever a nossa identificação com três letras. A obra de Jeff Minter é perfeita para sessões em que várias pessoas jogam à vez, onde o próximo jogador aguarda a sua oportunidade para chegar sempre mais longe do que o outro, no que à pontuação diz respeito.

Tempest 4000 foi originalmente lançado em 2018, mas é sempre bem-vinda uma versão que se possa jogar num sistema a que permita portabilidade como a Nintendo Switch. Ter este jogo numa consola portátil, é quase como ter TxK (analisado para a PlayStation Vita por Pedro Martins) numa plataforma que não se irá desmoronar tão cedo. Com o potencial para dar a audiência que o jogo galês da Llamasoft merece, Tempest 4000 poderá ter aqui um novo fôlego de sucesso, dado que está tão bem desenhado e construído para uma consola como a da casa de Quioto. O jogo faz da simplicidade, dado que se inspira em jogos que vêm do Vectrex e do ZX Spectrum e lhes adiciona um toque moderno, o seu maior trunfo, mesmo com modos de jogo muito limitados. Queremos fazer sempre mais e melhor, mesmo que isto signifique a nossa nave explodir a cada cinco minutos para recomeçarmos tudo de novo.

Este videojogo é um shooter à moda antiga, é tão old school que isto se denomina mais especificamente de tube shooter, um jogo que se poderá muito bem tornar num clássico de culto num futuro próximo. Não há espaço para grandes explicações; há um curto tutorial que vos diz o que têm de fazer para cumprir o vosso objetivo: rebentar as naves inimigas. Neste jogo estamos limitados a um perímetro de um prisma ou de um polígono preenchido por linhas. Estas semirretas formam os caminhos pré-definidos onde os inimigos se vão aproximar da vossa nave com o objetivo de a destruir. Obviamente, quanto mais perto estiverem os inimigos do perímetro oposto que estão a percorrer, mais alta é a probabilidade dos inimigos vos encherem de disparos e serem vocês a explodir em mil linhas coloridas. Por este motivo, Tempest 4000 é um jogo que apela aos vossos reflexos e quanto mais intimidade tiverem com as mecânicas de jogabilidade mais eficiente serão, logo mais pontos acumulam.

Devem sempre evitar jogar com a infame avaria dos comandos da Nintendo Switch, o Joy-Con drift. Contudo, há alguns títulos em que se contorna bem esta situação, mas num título como Tempest 4000, onde temos de estar a mudar de posição constantemente, ter os Joy-Con neste estado é impensável. Ter os Joy-Con com o problema que afeta ambos os analógicos resultará, muito possivelmente, numa experiência frustrante. A solução passa por resolver temporariamente o problema do drift ou utilizar apenas os botões direcionais. O controlo da nave tem muita precisão e como estarmos a percorrer um local geométrico o jogo confere uma certa travagem, linha a linha, à nave. Esta foi uma decisão acertada por parte da produtora, assim temos um controlo ainda maior, porque ter esta sensação de controlo dá-nos a confiança necessária para sermos rápidos na aniquilação dos inimigos que se aproximam cada vez mais rápido e em maior quantidade.

Quem se lembra ou já ouviu falar na consola Vectrex, lançada em 1982 pela General Consumer Electronics, saberá certamente que tinha um grafismo vectorial único. Tempest 4000 replica muito bem este efeito, mas com um toque muito mais moderno e cheio de cores garridas – é quase como se estivéssemos no mundo de Tron. Este jogo é especialmente belo com tão poucos elementos e texturas, além de jogar muito bem com a luminosidade e a coloração, assim como “brinca” com alguns efeitos de distorção para criar mais beleza do que aparenta.

Algo que não se deve ignorar neste jogo em particular, é a música que nos dá enquanto estamos tranquilos a fazer explodir os nossos inimigos em mil pedaços. Tempest 4000 tem uma banda sonora sublime, com uma música que fica quase entre o techno e trance music. Ou seja, fazer mais um nível na obra de Minter é quase como regressar a uma discoteca nos anos noventa. Para um jogo em que é importantíssimo estarmos concentrados, a música ajuda-nos muito neste aspeto.

Embora tenha poucos modos de jogo, só há dois, uma variedade de inimigos reduzida, assim como um grafismo minimalista, Tempest 4000 é fantástico no que faz. Tempest 4000 é uma viagem aos sentimentos e emoções de um tempo onde existia um espaço próprio em todos os cafés para nos divertirmos – conseguir isto é uma enorme conquista por si só, numa altura em que os jogos querem ser mais do que aquilo que foram. Joguem Tempest 4000, não será uma experiência que desperdiçará o vosso tempo.

veredito

Um jogo fenomenal que se pode facilmente afirmar como um dos melhores trabalhos de Jeff Minter. Se gostam de jogos arcade, esta é uma excelente escolha.
9 Visuais vectoriais fascinantes. Jogabilidade simples e deafiante. Controlo preciso. Banda Sonora.

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Tempest 4000

para Nintendo Switch, PC, PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series, Xbox Series X

Desenhado e produzido pelo lendário Jeff Minter, Tempest 4000 é um tube…

Lançado originalmente:

17 de julho, 2018