Nota: No momento de escrita desta análise a componente online de Tennis World Tour ainda não se encontrava disponível, pelo que as nossas impressões referem-se apenas ao conteúdo a solo.

Não é segredo nenhum para os seguidores do VideoGamer Portugal que sou um apaixonado pelo Ténis - estou inclusivamente a escrever esta análise enquanto vejo Roland Garros. Não é, por isso, muito surpreendente que tenha algum historial com os simuladores do desporto lançados no passado - Virtua Tennis e Top Spin -, contudo, nunca morri de amores por nenhum deles. Não eram maus jogos, aliás, Top Spin era até bastante competente, mas nenhuma das séries foi verdadeiramente capaz de recriar a magia da modalidade.

Depois de alguns anos de interregno, os veteranos da série Top Spin regressam à carga com Tennis World Tour, uma obra que prometia acabar com o vazio que existia na atual geração de plataformas e retirar proveito da tecnologia mais avançada para uma nova tentativa de criar o melhor simulador possível de Ténis. Esse objetivo é, sem grande margem para dúvidas, conseguido, mas isso está muito longe de ser o suficiente para permitir que o título seja capaz de se apresentar como uma fiel representação do desporto.

Tal como já acontecia com as obras Top Spin, a jogabilidade propriamente dita é, acima de tudo, competente. Com diferentes botões de rosto a permitir diferentes tipos de pancada - chapada, top spin, slice ou lob -, o segredo para o sucesso está na nossa capacidade para nos posicionarmos no melhor local possível para atacar a bola, sendo que quanto melhor for esse posicionamento, maior será a intensidade com que poderão realizar a pancada sem perderem o controlo da mesma.

Infelizmente, os problemas do passado continuam aqui bem presentes. O facto da movimentação e a colocação da bola serem controladas pelo mesmo analógico leva a demasiados momentos em que a personagem se afasta da bola porque o momento de transição entre o controlo da movimento e o controlo da colocação não é totalmente claro. Para além disso, continuamos a ter uma obra pejada de bolas a serem batidas em desequilíbrio e sem os apoios corretos sem reais consequências.

Este é o problema principal de Tennis World Tour - e de todas as obras que lhe antecederam -, ou seja, estamos constantemente a ser relembrados que estamos a jogar um videojogo e não a disputar uma verdadeira partida de Ténis. Jogar contra a inteligência artificial torna isso ainda mais evidente. Qualquer fã do desporto sabe que os erros não forçados - e forçados - são presença assídua em qualquer partida, mas isso é algo que se perde por completo na transição para o virtual.

Se o próprio jogador comete pouquíssimos erros não forçados - até porque raramente o jogo o obriga a tal -, a inteligência artificial apresenta quase sempre uma folha completamente limpa nesse departamento. Realizar winners é também uma tarefa quase impossível, uma vez que o jogo faz questão que o oponente tenha um sexto sentido que lhe permite adivinhar o lado e chegar sempre em esforço às bolas. Aumentar a dificuldade apenas torna isto ainda mais óbvio, sendo que foram raros os winners que senti que fossem merecidos e não apenas resultado da azelhice momentânea da inteligência artificial.

Claro que sentir que não temos qualquer hipótese de chegar a uma bola não daria uma experiência jogável muito interessante, mas o Ténis precisa desses momentos para ser espectacular, da sensação de velocidade, daquele momento em que uma bomba é disparada do nada de uma raquete. Tennis World Tour não tem nada disso. Tem longas e não raras vezes monótonas trocas de bolas e uma ausência completa do elemento espectáculo do desporto.

Não ajuda obviamente que tudo em redor da jogabilidade seja igualmente pobre em transportar a atmosfera de uma partida para um videojogo. O público é absolutamente mudo, os jogadores não têm qualquer tipo de personalidade, os comentários de McEnroe, ou melhor, as cinco linhas verbalizadas pela lenda do Ténis para o jogo são repetidas até ao ponto da exaustão e de começarem a irritar sempre que são proferidas. O grafismo também está longe de ser deslumbrante, mas esse seria o menor dos problemas da obra se tudo o resto tivesse a devida qualidade e polimento.

Tennis World Tour merecia mais. Mais tempo, mais licenças, mais nomes conhecidos da modalidade, mais espectacularidade. O seu modo carreira que, tal como a jogabilidade, faz da fadiga da competição um fator a ter em conta, o que é um conceito interessante mas algo desaproveitado. Levar o nosso jogador pessoal até ao topo do ranking tem o seu apelo, mas o processo para lá chegar é, também, demasiado cansativo e demorado.

Não, Tennis World Tour não é a obra que reinventa a roda e descobre como transportar as melhores qualidades do desporto para um videojogo. Tal como a série à qual se apresenta como sucessor espiritual, é um jogo minimanente sólido no que diz respeito à jogabilidade, mas que não consegue superar os problemas das tentativas anteriores ou sequer envolvê-la por conteúdo rico e entusiasmante.  Ou seja, é mais uma obra que fica aquém em demasiados aspetos fulcrais do desporto.