A Rain Games cometeu um dos pecados capitais dos jogos com quebra-cabeças: ser fácil saber o que fazer para a resolução de um problema, mas demasiado difícil na sua execução. Não quero com isto dizer que os videojogos, nomeadamente os que requerem usar o nosso raciocínio, devem ser fáceis, mas sim sem complicações. Ou seja, imaginem que tinham de fazer um Sudoku mas que tinham um tempo muito limitado para completar uma linha. Não seria impossível chegar ao resultado, mas exige uma capacidade de resposta demasiado rápida da vossa parte que vos frustraria a vossa tentativa de chegar a solução. Teslagrad é um belo jogo de plataformas, com boas ideias implementadas que nunca vos irá saturar; infelizmente o seu calcanhar de Aquiles é a forma como temos de ultrapassar o seus obstáculos.

Teslagrad é a estreia do estúdio norueguês - Rain Games - no mundo dos videojogos, depois de deixar em pausa um projeto que estava em marcha antes deste título de plataformas. Cientes de que hoje em dia os jogadores gastam mais tempo a contemplar sequências de vídeo do que propriamente a jogar, a produtora optou por se livrar de todos estes elementos narrativos e decidiu servir aos jogadores uma forma narrativa fluída, sem nunca vos obrigar a parar o vosso jogo para terem de perceber a história de Teslagrad. Para isto ser atingido, os designers pintaram o cenário pejado de detalhes que vos darão uma imagem clara dos acontecimentos no mundo de Teslagrad. E se acharem que estes pormenores não forem suficientes, podem sempre assistir a um espetáculo de marionetas que vos explicará melhor o que aconteceu e qual será o vosso papel no jogo.

Cedo vão aperceber-se que vivem numa região assolada por um regime totalitário, onde os guardas, assim que nos virem fora da nossa residência, desatarão a correr atrás de vocês para obedecerem à lei agora em vigor. Na vossa fuga chegarão a um castelo em ruínas, recheado de segredos dos feiticeiros que lá viviam. Como já devem ter suspeitado, o jogo foi buscar inspiração à sua temática, como também ao nome do jogo, ao engenheiro eletrotécnico Nikola Tesla. Aqui, tal como Tesla, os feiticeiros desenvolveram estudos e artefactos dentro das disciplinas de eletromagnetismo e polaridade, agora deixados para serem recuperados por nós na torre dos escombros do castelo. Nesta aventura terão de encontrar passagens com a manipulação das polaridades positivas e negativas, representadas a vermelho e azul, assim como dirigirem-se às várias plataformas com ouso deste campo da Física.

As mecânicas de jogo são bastante interessantes e fáceis de usarem. Porém, quando chega a altura devida de resolver os puzzles apresentados, Teslagrad tropeça nos seus próprios objetivos. Como já o afirmei no início da análise, o título de estreia da produtora norueguesa cometeu um erro crasso dos jogos com quebra-cabeças: ser extremamente exigente no momento de dar resposta aos problemas. Um dos exemplos mais frustrantes com que me deparei foi num sala em que tinha de atravessar raios elétricos que se deslocavam num determinado espaço e tinha de chegar a uma determinado ponto usando uma das habilidades. No entanto, mesmo que a solução pareça fácil, não o é. Tinha de utilizar a habilidade "blink" - semelhante à usada em Dishonored - para atravessar os raios, mas para o fazer tinha de o fazer com um timing perfeito. Um milésimo de segundo antes, ou depois, e estava esturricado. E é aqui que aprendem que com a dificuldade imposta, ainda têm de gerir muito bem as vossas decisões, pois não têm nenhuma barra de energia ou vida. Um salto mal avaliado, ou uma habilidade usada com a mais pequena falha e morrem. Ressuscitam num piscar de olhos no início da sala em que se encontravam, em algumas ocasiões achei justo, mas em salas maiores ou no confronto de bosses sentia sempre um impedimento de injustiça por uma falha mínima que tinha cometido.

Outro ponto negativo que ainda tenho a destacar é, visto ser um jogo avanço e retrocesso na exploração do castelo, o mapa não nos permitir ser examinado na totalidade. Se olharem para o mapa, só vos permitirá ver onde estão e as salas vizinhas. Portanto, terão carregar bastantes vezes na tecla que abre o mapa e andarem aos solavancos até conseguirem decorar bocados do mapa que não estão a ser exibidos.

Teslagrad é uma autêntica obra de arte para ser explorada. Esta pequena produtora fez do estilo artístico deste título de plataformas um dos seus pontos fortes. Cada vez que parava para observar as paisagens severas de pedra, aos jardins de uma estufa enorme, ou até aos vitrais da catedral, ficava nos pensamentos a imaginar os limites do meu ecrã como se fossem uma moldura de uma pintura de um museu. A música ressoa uma qualidade divina em todas as suas notas. A composição da banda sonora ficou a cargo da banda Bear and Cat, formada por Jørn Lavoll e Linn Kathrin Taklo, que entregou músicas memoráveis.

Este título de plataformas irá, inevitavelmente, causar frustração por ser tão exigente e imperdoável nas nossas falhas, por mais pequenas que sejam. No entanto, se as superarem depois de fazerem algumas pausas entre as dificuldades que os obstáculos vos vão propondo, poderão admirar um mundo belo e faixas inolvidáveis. A jogabilidade, quando tem o equilíbrio adequado entre a sua resolução e execução, também brilha ao lado dos outros componentes do jogo. Infelizmente, esta última não ocorre tanto quanto esperado.