Depois de ter brilhado nos dispositivos móveis, as aventuras e odisseias de Alto fizeram recentemente o seu caminho até ao PC e consolas, recebendo uma nova oportunidade para chegar a uma maior e mais dedicada audiência de jogadores. Ainda assim, importa reconhecer que se trata de uma coleção de obras pensadas para os aparelhos que as receberam inicialmente, ou seja, são experiências que se prestam melhor a múltiplas sessões de jogo de curta duração ao invés de uma única de sessão de várias horas consecutivas.

Tanto o original Alto’s Adventure, como o sucessor Alto’s Odyssey, são obras de qualidade que se destacam pelos seus ciclos de jogabilidade padronizados. São experiências de exigência diminuta, com uma atmosfera relaxante que não pedem mais ao jogador do que aquilo que este estiver disposto a investir nos títulos. Aliás, a existência de um modo Zen, que remove os obstáculos e as referências à pontuação, é um reconhecimento por parte da produtora dessa mais valia do design dos seus jogos.

Apesar de haver objetivos para realizar, personagens jogáveis para desbloquear e bonificadores para adquirir com as moedas recolhidas ao longo de cada passagem pelos cenários, bem como tabelas de líderes para a distância percorrida e pontuação obtida com a acumulação de acrobacias, The Alto Collection é uma experiência agradável e passível de ser desfrutada mesmo que não se foquem no seu sistema de progressão e nos objetivos secundários.

Mesmo que Alto’s Adventure tenha uma diversidade de cenários limitada comparativamente à sequela, a beleza do estilo visual, acompanhada pelo facto de o percurso ser gerado progressivamente, de um dinâmico ciclo dia e noite, e sistema meteorológico, bem como por uma banda sonora atmosférica, faz com que cada toma pelos ambientes proporcionados por cada um destes títulos consiga ser uma experiência prazerosa. Mecanicamente simples, trata-se de um conjunto de jogos acessíveis para qualquer nível de jogador, nunca colocando grandes entraves no seu caminho.

Na sua essência, estamos perante dois Endless Runners que em vez de colocarem a personagem a correr, colocam-na numa prancha de snowboard a percorrer cenários cobertos de neve, no caso de Alto’s Adventure, ou cenários desérticos, no caso de Alto’s Odyssey. A experiência está depois dividida em vários níveis, cada um deles compostos por três objetivos alusivos alusivos a ações que podem realizar, sejam elas mortais, saltos sobre abismos, recolher determinado número de Lamas ou moedas, entre outras. 

A cada dez níveis concluídos, uma nova personagem jogável é desbloqueada, o que oferece uma ligeira alteração à jogabilidade. Maya, por exemplo, é menos veloz que Alto, mas é mais ágil na realização de mortais. Uma vez que a acumulação de truques oferece um bónus momentâneo de velocidade, jogar com Maya significa usar mais truques para manter uma velocidade elevada que permita superar abismos de maiores dimensões e fugir a Elders ou Lémures enraivecidos, de forma a percorrem distâncias superiores e continuarem a aumentar a vossa pontuação.

Os objetivos aumentam de dificuldade a um ritmo suave e é muito provável que vejam, já em níveis avançados, ser-vos pedido para realizarem feitos que já conseguiram obter durante o tempo de jogo que acumularam até então, apenas através da experimentação com as mecânicas de jogo. É também por isso que The Alto Collection se presta melhor a sessões curtas de jogo, já que após algum tempo, o ciclo de jogabilidade acaba por cair num ritmo algo repetitivo.

Isto deve-se também em parte ao facto das obras não introduzirem grandes novidades na jogabilidade à medida que as horas vão passando, o que significa que vão estar a praticar as mesmas ações na primeira hora de jogo que vão realizar três ou quatro horas depois. Alto’s Odyssey reduz um pouco este problema ao apresentar diferentes áreas de jogo que são desbloqueadas após a conclusão de determinados níveis, cada uma delas com uma maior predominância de determinados elementos no cenário, alterando dessa forma a frequência com que algumas ações são realizadas.

Assim, The Alto Collection é uma obra perfeita para plataformas portáteis, capaz de oferecer uma experiência bastante interessante em curtos períodos de tempo. A enormidade de objetivos para realizar, bem como a adição de Troféus/Achievements, dão igualmente motivos mais do que suficientes para regressar com frequência às obras. Pode tornar-se algo cansativo em longas sessões de jogo, especialmente Alto’s Adventure, mas não foi com esse pensamento que os títulos foram construídos. Contudo, uma maior diversidade de mecânicas introduzidas ao longo da experiência seria bem-vinda.