O Homem-Aranha é sem dúvida uma das personagens de banda desenhada mais icónicas da Marvel e, de uma forma geral, tem conseguido obter um sucesso e reconhecimento semelhante com as suas várias aparições no grande ecrã. No entanto, o seu historial nos videojogos está longe de fazer jus à dimensão e qualidade do herói e do universo que lhes serve de inspiração. As obras jogáveis inspiradas na criação de Stan Lee têm sido, na sua maioria, títulos desinspirados e aborrecidos, produzidos sem a atenção ao detalhe e a paixão que seria necessária para criar um jogo de qualidade e capaz de rivalizar com os principais títulos do seu género. Contrariar esta tendência era a principal missão da produtora Beenox quando iniciou a produção de The Amazing Spider-Man 2 mas, infelizmente, o resultado final é mais daquilo que temos vindo a receber dos jogos baseados nesta licença.

A narrativa de The Amazing Spider-Man 2 tem lugar dois anos após os eventos do título original com Peter Parker ainda à procura de encontrar o responsável pelo homicídio do seu tio. Após este ser encontrado morto às mãos de Carnage Killer, as atenções do super-herói de Nova Iorque são redirecionadas para a nova força policial formada por Harry Osborn, amigo de Peter, e Wilson Fisk, conhecido criminoso, mas sem qualquer tipo de condenação no seu cadastro. Fundada aparentemente com o objetivo de auxiliar a polícia local a reduzir significativamente a criminalidade e a ação de vigilantes como Spider-Man, cedo se percebe que as motivações de Fisk estão longe de serem as mais honestas. Tal como o filme em que se inspira, o título está repleto de vilões, mas o problema é que estes são introduzidos de forma abrupta na história e parecem apenas estar lá para aumentar o número de batalhas com bosses, não sendo minimamente explorados e sem terem qualquer tipo de contribuição para a narrativa geral. Também não ajuda que a escrita seja absolutamente atroz, existindo várias ocasiões em que o protagonista passa de estar constantemente a lançar piadas secas para estar pronto a destruir tudo e todos os que se opuserem a si num espaço de meros segundos.

Se existe algo que as obras mais recentes de Spider-Man têm conseguido aperfeiçoar é a recriação da sensação de liberdade e fluidez de movimentos do super-herói enquanto utiliza as suas teias para navegar pela cidade. Mais uma vez, essa navegação é de longe o aspeto mais bem conseguido do título da Beenox, pois consegue aquilo que é fundamental num jogo deste género, ou seja, fazer-nos sentir como se estivéssemos de facto na pele do Homem-Aranha. Ainda assim, a satisfação de navegar livremente por Nova Iorque poderia ser muito superior se a cidade não estivesse desprovida de qualquer tipo de vida e interesse, conseguindo a proeza de fazer passar Times Square como um dos locais mais banais e calmos do mundo. Ao contrário de alguns jogos anteriores, The Amazing Spider-Man 2 requer que as teias disparadas pelo protagonista fiquem presas a edifícios, evitando que o jogador consiga manter-se a elevadas altitudes utilizando apenas as nuvens como suporte. Para além do "Free-Webbing", Spider-Man possui também a habilidade de Web-Rush que lhe permite abrandar o tempo e salientar pontos específicos do cenário para os quais nos podemos deslocar de forma rápida e precisa.

No que diz respeito ao combate corpo-a-corpo, a sequela mantém-se bastante fiel ao jogo original, o que também significa que mantém as enormes semelhanças com o aclamado combate da série Batman Arkham. Infelizmente, a variedade do mesmo é muito reduzida e acaba por cair rapidamente na monotonia. A mesma das combinações e do pressionar do triângulo quando aparece no ecrã a indicação do sexto sentido do super-herói para contra-atacar resume quase na totalidade a experiência de combate que, embora seja divertida e funcional, não oferece grande resistência à capacidade do jogador. Em determinadas ocasiões, o título permite uma abordagem furtiva aos inimigos e são estes momentos que comprovam que a licença tem bastante potencial se lhe for dedicado o tempo necessário. Infelizmente, em The Amazing Spider-Man 2 estas situações são raras e bastante espaçadas entre si.

Para além da campanha, o título inspirado no filme que chegou recentemente às salas de cinema conta também com um vasto leque de missões secundárias que podem envolver pôr término a pequenos crimes de rua e salvar pessoas de incêndios que contribuem para a nossa reputação de Herói ou de Perigo Público, sendo que escolher não as realizar terá repercussões negativas. A conclusão de um ato heróico é sempre premiada com ridículas reportagens noticiosas de uma frase sobre os nossos feitos. Ainda assim, estas atividades secundárias não são suficientemente interessantes para contribuírem para a extensão do tempo de jogo e a sua influência na nossa reputação acaba por ser absolutamente indiferente, uma vez que independentemente do que fizerem ao longo do jogo, a história terá sempre momentos em que a nossa reputação será destruída.

Apesar de a jogabilidade da sequela não primar pela sua variedade, The Amazing Spider-Man 2 possui um sistema de melhorias bastante simples que permite aumentar as habilidades do nosso super-herói. Conseguir observar o raio de visão dos inimigos através dos nossos "Spider-Senses", aumentar o período de atordoamento dos ataques e uma navegação através das teias mais rápida são algumas das possibilidades que o jogo oferece para melhorar as nossas capacidades. No entanto, a escolha das habilidades a melhorar acaba por ter pouca influência na jogabilidade e o mais provável é que quando chegarem ao final da campanha já tenham desbloqueado e adquirido todas as melhorias possíveis.

Tecnicamente, a obra da Beenox não faz qualquer tipo de esforço para corresponder aos padrões de qualidade dos títulos mais recentes, apresentando gráficos fracos e desinspirados que poderiam perfeitamente ser retirado de uma obra do início da geração passada. Os modelos de personagens são muito fracos e para além de alguns efeitos de luzes não há muito que transmita a ideia que estamos a jogar um título na nova geração. É também incrível que um título que está longe de ser um portento técnico apresente demasiados e longos ecrãs de carregamento. A banda sonora peca pela repetibilidade e nunca consegue oferecer algo de memorável e capaz de apimentar os momentos mais intensos da jogabilidade. Por outro lado, o trabalho de voz é igualmente bastante fraco e apenas contribui para acentuar o nosso desinteresse pela narrativa.

Em suma, The Amazing Spider-Man 2 não é jogo de Spider-Man pelo qual todos desejamos, contentando-se apenas com a manutenção do legado dos títulos medíocres que o antecederam. A navegação pela cidade está mais aprimorada que nunca, o combate, embora pouco variado, é divertido e as poucas sequências de ação furtiva permitem que o título se mantenha como uma oferta acima da média, mas o fraco desempenho do jogo no departamento técnico e a rápida queda na monotonia impedem que o produto final seja algo de verdadeiramente especial. Por enquanto, resta-nos apenas continuar a esperar que uma produtora talentosa tenha a oportunidade de retirar todo o potencial da licença da Marvel.