The Banner Saga é um dos títulos mais impressionantes que joguei recentemente, apesar da Stoic Studio se ter claramente inspirado em vários géneros para além da estratégia. Lançado, originalmente há quatro anos, os produtores desta obra decidiram que a Nintendo Switch poderia ser uma excelente plataforma para a trilogia Banner Saga. Assim, este ano a consola recebe a trilogia completa.

Esta obra inspirada na mitologia nórdica foi criada por ex-produtores da BioWare e conseguimos ter esta noção na forma como a narrativa nos é entregue. Porém, este jogo tem um tom muito mais melancólico do que uma típica aventura no espaço ou pelas terras de um mundo medieval. A nossa aventura coloca-nos num mundo escandinavo, onde vivem humanos e gigantes cornudos, lado a lado, que foram colocados num crepúsculo contínuo, porque o sol parou indefinitivamente. Sim, estamos num mundo onde a civilização acredita na teoria do geocentrismo. 

A narrativa é o prato principal do jogo. Os deuses morreram, por isso estamos a cargo de uma caravana com destino marcado, mas o mais importante é o caminho que fazemos até esse destino. Há uma enorme jornada que nos separa de duas localizações, uma viagem que nos vai obrigar a tomar decisões difíceis que vão ter efeitos significativos no desenrolar do jogo.

Durante a viagem será necessário ter em consideração vários pontos, para os nossos seguidores não abandonarem a nossa causa. Há momentos em que vão ter que ponderar algumas decisões que poderão ter efeitos inesperados. Poderão ter que investigar, por exemplo, um barulho que alguém do vosso grupo ouviu. Poderá resultar num encontro inesperado com inimigos, um acontecimento banal ou, porventura, na perda de soldados caso estes tenham caído numa armadilha.

Ao jeito de Oregon Trail, vamos ter de tomar decisões conforme a situação na qual a história nos coloca, ou pelo simples seguimento de um qualquer diálogo. O nosso grupo tem de ter a moral em alta para evitar severas baixas. Assim, temos de estar atentos para que nunca nos falte alimento para os dias que se seguem. Porém, para comprar comida, gastamos os mesmos pontos que são utilizados para aumentar o nível das nossas personagens que lutam nas secções de combates por turnos.

Acampar é um dos momentos que temos para ponderar bem as nossas ações, nomeadamente na questão de evoluir personagens. Caso haja uma tenda em que possam treinar, convém utilizá-la para melhorar as nossas habilidades, assim como o nosso conhecimento de certas técnicas de combate, sem que tenhamos perdas de vidas que sejam importantes para o futuro da aventura. É também nos acampamentos que podemos encontrar mercados que tenham itens que melhoram as capacidades físicas e intelectuais dos nossos guerreiros, um fator que vai ter um grande peso caso estejamos a esbanjar o mesmo recurso monetário (utilizado na alimentação e evolução) sem atenção nenhuma.

Também é nos acampamentos que vamos ter a oportunidade de conversar com novas personagens, caso tenhamos parado numa qualquer localização, ou com as que nos acompanham desde o primeiro passo que demos na nossa jornada. O certo é que este é um momento de desenvolvimento e maturação das personalidades do elenco presente e, conforme as respostas que vamos dando, é-nos revelado mais pormenores acerca de certas personagens.

Em The Banner Saga sobreviver com mantimentos e escolhas de diálogo não é, de todo, suficiente. Há uma ameaça que está sempre presente ao longo da nossa jornada. Os Dredge são um exército de criaturas com fortes armaduras que regressaram às terras escandinavas para aniquilar todo e qualquer ser vivo que se cruze com eles. São seres impiedosos, que não nos vão facilitar a vida, sobretudo se a campanha estiver na dificuldade mais elevada. 

Com um sistema de combates por turnos, inspirado em títulos como Final Fantasy Tactics, somos levados para um novo cenário de decisões difíceis para tomar. Podem escolher humanos ou alguns Varl (os gigantes ornamentados com cornos) de diversas classes e habilidades. Todavia, o grande foco do combate irá residir em dois números: os da armadura e os da saúde.

Quando for a vossa vez, podem andar pelo campo de batalha - com a personagem que ganhou a vez - que está dividido numa grelha. Uma vez bem colocados, podem e devem atacar o inimigo com uma habilidade ou com um ataque simples. Devem, sobretudo, escolher onde vão colocar a força do vosso ataque. Se a colocarem na armadura, vão passar um turno sem que o inimigo sofra dano; se a colocarem na saúde do inimigo, vão tirar alguns pontos de saúde para encurtar a estadia do inimigo no palco da batalha. Todavia, é uma boa estratégia retirar primeiro os pontos da armadura em oponentes mais fortes, porque com uma defesa mais baixa os golpes à saúde do adversário vão ser mais devastadores.

As batalhas são bastante difíceis, caso não pretendam sacrificar ninguém em alturas em que já estão a arriscar muito, quando se encontram, por exemplo, cercados ou com a saúde debilitada pelo combate desgastante. As habilidades são também um fator crucial a ter em conta, visto que quando bem utilizadas podem virar o rumo da batalha a vosso favor. Algumas das habilidades podem ter efeitos regenerativos a membros da vossa equipa, como também efeitos ofensivos. Dá bastante jeito ter alguém que consiga afastar oponentes fora do nosso alcance, para o próximo turno assumirmos ações defensivas sem que tenhamos de contar com ataques inesperados.

Batalhar é uma espécie de xadrez digital, que os produtores de videojogos com combates por turnos já aperfeiçoaram em muitos títulos. É o grande elenco de personagens que torna as nossas opções tão diversas para construirmos uma party de vários elementos - não se preocupem, vão poder manter muitos guerreiros em reserva. Leva algum tempo a aprender como mexer as nossas peças do combate, porque o posicionamento, principalmente dos guerreiros que atacam a uma longa distância, é muito importante para os inimigos não nos poderem atingir quando for a vez deles.

Tecnicamente, The Banner Saga é irrepreensível. A direção artística é magnífica, pois exibe paisagens lindíssimas de um inverno que não parece ter fim, personagens que apresentam um forte caráter e traços fantásticos dos pormenarizados desenhos. Só é pena a vocalização não ser constante, pois só é utilizada em situações mais importantes e marcantes da história.

A Nintendo Switch recebeu um dos melhores RPG ocidentais, vindo dos criadores das séries mais emblemáticas da BioWare. Este jogo não poderia ter chegado numa melhor altura, visto o folclore nórdico estar novamente em voga. Por isso, se são fãs de títulos RPG, esta é uma escolha a ter em conta.