Os títulos de estratégia são normalmente criados para entregar desafio a quem os joga. Já The Battle Cats POP!, não está aqui para dar muito trabalho cognitivo para imaginar qual será a próxima movimentação estratégica para derrotar o inimigo, mas sim humor nonsense. É muito raro encontrar um videojogo deste género que aposta tão pouco no que é e tanto no que quer ser. Provavelmente, nem metade da sua audiência responderá em consonância com a comédia que a produtora nipónica procura oferecer. Agora que chega à Nintendo 3DS por dez euros, quando a versão entregue para Android e iOS é free-to-play, não se percebe como é que vai apelar a quem está a folhear o catálogo da Nintendo eShop. Talvez esta seja a primeira piada que o jogo tenta fazer.

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A história de domínio do planeta Terra por gatos é absurda. Aparentemente, como dominam a Internet com milhões de vídeos e imagens, esta seria uma boa desculpa para introduzir contexto aos eventos seguintes. Mas é a partir de aqui que se percebe que o jogo não é para ser levado a sério, nem mesmo quem escreveu as linhas de texto da introdução quer que o seja. O que é certo, é que uma legião de felinos vai destruir o planeta pelas capitais e cidades mais emblemáticas do mundo, através de batalhas muito simples.

Cada paragem que fazem numa determinada cidade leva-vos para uma nova batalha. Escolhem as tropas que têm disponíveis para a batalha, até um máximo de dez unidades, para passar ao dito confronto na nação onde estão localizados. Aqui está mais um momento de comédia absurda: as próprias tropas ao vosso dispor. Começam com um simples gato, que se transforma no nível dez num gato selvagem com braços musculados. Se acham, que é aqui que para o humor sem sentido, enganam-se bem.

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Um outro gato desbloqueável tem umas pernas bem longas, quase como se se deslocasse em palitos. A sua evolução dá-lhe pernas de mulher sensuais. Há um gato a tomar banho numa banheira, e que dispara contra os inimigos com um revólver, outro veio do período jurássico e usa um osso como arma corpo-a-corpo, ainda como último exemplo temos um gato-vaca - sim leram bem - um gato com corpo de bovino que evolui no seu décimo nível para uma girafa. O lema da PONOS, produtora do título, não é fazer sentido lógico, mas andar exatamente na direção oposta.

A seleção dos felinos que vos vão acompanhar na batalha é feita pelos vários preços que custam para serem produzidos. Não costuma haver uma descrição das suas estatísticas de ataque, defesa ou alcance dos seus disparos, apenas um breve resumo das vantagens que têm sobre determinados tipos de inimigos. Como o dinheiro é ganho com o passar do tempo e com a aniquilação de inimigos, tinha o cuidado de ter gatos de preços diferentes para quando o clímax da batalha chegar poder gastar o dinheiro amealhado em gatos bastante fortes.

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Para que não fiquem com a ideia errada do uso da palavra "clímax", usei-a para definir o número de adversários que caminham para a vossa base que torna a vossa tarefa ligeiramente mais difícil, não uso esta palavra para definir que há de certa forma algum momento entusiasmante em todo o jogo. Aliás, o único motivo pelo qual joguei tantas horas, além de ser para a redação deste texto crítico, foi também pelo apelo de ter acesso a todas as tropas e a todos os poderes que são dados à minha base. Ver o que me podia calhar no nível dez era sempre uma surpresa inesperada, contudo a comédia tanto podia resultar, como não. Infelizmente, o segundo era mais frequente.

Se têm uma obsessão compulsiva pelo atingir de certas conquistas e troféus, The Battle Cats POP! tem um apelo semelhante. Além de poderes a evoluir, há tropas raras a desbloquear, com as mais fortes a exigirem cada vez mais dinheiro, há poderes especiais que só são acessíveis depois de encontrarem determinados tesouros, como também uma vontade insaciável de quer ver onde é que os patamares de absurdez levam esta obra.

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Porém, é impossível não mencionar como é que com dez euros que são pedidos pelo jogo, este continua a comportar-se como as suas versões Android e iOS, ou seja como um jogo free-to-play. Para poderem entrar em cada uma das batalhas há que ter energia para a realizar, o que está representado por uma barra que se vai esvaziando. Caso não tenham nenhuma, ou esperam e só passando um certo tempo ganham novamente a possibilidade de continuar a jogar ou, caso as tenham, enchem novamente a barra de energia com três latas de comida. Existem alguns títulos que usam este modelo de negócio na 3DS, não faz sentido para o jogador ter que gastar tanto dinheiro quando muito possivelmente tem um telemóvel capaz de poder reproduzir o mesmo jogo a custo zero.

O departamento artístico foi muito modesto neste título. Todas as unidades de combate sejam nossas ou dos adversários parecem terem sido desenhadas por crianças a lápis. A maior parte delas são a preto e branco, ocasionalmente vemos uma variante a cores. Contudo é de destacar a criatividade que tiveram para desenhar alguns dos modelos aos quais temos acesso. É sempre surpreendente vermos qual será o próximo felino que irá parar à nossa base militar.

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Este não será um jogo para todos, o melhor será mesmo dirigirem-se para a versão Android ou iOS, já que é gratuita. O combate é desapontante, um dos piores que já vi em jogos de estratégia, entropece a mente. Já o que se destaca, nem sempre funciona: o seu humor nonsense. Por este preço, ou mais cinco euros, existem opções mais facilmente recomendáveis e muito mais apelativas. É complicado ter em mãos um jogo que não faz bem o que devia fazer e o que tenta inovar resulta muito ocasionalmente. Se querem uma boa comédia prefiram investir em The Stanley Parable, terão o vosso dinheiro muito mais valorizado.