Apesar de ter mostrado desde o anúncio que não estaríamos perante um colosso de grande orçamento e fidelidade gráfica, The Council cativou imediatamente a nossa atenção graças ao seu conceito peculiar. Um título episódico com foco na narrativa ao estilo das obras da Telltale ou de Life is Strange com elementos dignos de um qualquer Role Playing Game. Para além das escolhas de diálogo, o título da Big Bad Wolf prometia moldar a narrativa às características da nossa personagem e do restante elenco.

The Council Ep 1 Imagens Analise

The Mad Ones, título do primeiro capítulo do jogo, é acima de tudo uma prova de conceito, uma demonstração ao jogador de como as suas mecânicas influenciam a vossa interação com as personagens e a progressão da narrativa. Nesse aspeto, The Council arranca decididamente de forma positiva. Perceber como é que esta máquina e todas as suas peças funcionam em uníssono para entregar uma experiência narrativa recheada de diferentes possibilidades é o elemento mais cativante do episódio de estreia.

Isto deve-se ao facto da narrativa e da maioria das personagens não ter ainda tempo para brilhar devidamente. O jogador assume o controlo de Louis de Richet, um membro de uma sociedade secreta convidado para uma das “lendárias festas” de Lord Mortimer na sua ilha privada e com ilustres intervenientes. A sua missão passa por desvendar o desaparecimento da sua mãe, também ela um membro da sociedade secreta e frequente convidada destas festas, nesta mesma ilha onde, ao que tudo indica, ainda se encontrará.

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Ainda assim, desde cedo The Council dá mostras da experiência que pretende oferecer. Primeiro somos forçados a escolher uma das três classes disponíveis: Diplomata, Ocultista e Detetive. Cada uma delas confere diferentes habilidades ao protagonista, contudo, todas as habilidades das restantes classes permanecem disponíveis para serem desbloqueadas mais tarde à medida que a vossa personagem vai evoluindo através da interação com as restantes personagens e o seu nível vai subindo, disponibilizando pontos para serem alocados na árvore de habilidades.

A utilização destas habilidades permite o desbloquear de cenas e linhas de diálogo que de outra forma seriam inacessíveis, o que significa que a motivação para ver o que podiam ter feito de diferente, especialmente nesta fase inicial, está aqui bem presente. As habilidades consomem, no entanto, pontos de esforço, sendo que dependendo da ação em questão, podem consumir mais ou menos pontos. Existem itens para regenerar estes pontos ou para tornar a próxima utilização de habilidade gratuita, mas é sempre importante ter em conta este aspecto, pois significa que nem sempre podem, ou devem, optar por usá-las.

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No final de cada capítulo do episódio, as vossas ações bem sucedidas, falhadas e os caminhos alternativos que não exploraram são destacados no ecrã e recebem os correspondentes pontos de experiência que vos permitirão subir de nível e alocar novos pontos de habilidade. As habilidades podem também elas ser melhoradas de forma a consumirem menos esforço. Dito isto, caberá ao jogador escolher como pretende evoluir o protagonista e, por consequência, abordar determinadas situações.

Seja o consumo de pontos de esforço ou ganhar acesso a habilidades das duas outras classes, esta progressão obriga sempre o jogador a pensar naquilo que poderá vir a precisar no futuro. Isto porque as habilidade podem ser utilizadas não só nos vários diálogos com o restante elenco, mas também durante os inúmeros segmentos de exploração e investigação. The Council, embora de forma indireta, incentiva-nos a demorar o tempo que for necessário antes de progredir, a explorar ao máximo as áreas acessíveis em qualquer momento, recompensando-nos com colecionáveis, itens para ser utilizados e por vezes até descobertas relevantes para a narrativa.

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Isto é especialmente importante porque, tal como qualquer inimigo num RPG, as personagens deste elenco composto por várias figuras históricas do Século XVIII - George Washington, Napoleão Bonaparte, entre outros - têm as suas imunidades e vulnerabilidades a diferentes abordagens, o que nos obriga a moldar a estratégia para conseguir o objetivo pretendido. Em sequências mais importantes, denominadas de Confrontos, a utilização das habilidades corretas é fulcral para o sucesso. Por exemplo, Napoleão é imune a argumentação política, enquanto o padre do vaticano é vulnerável a um interrogatório mais agressivo.

Como já referi, The Mad Ones destaca-se sobretudo pela apresentação dos seus inúmeros sistemas, deixando-nos sempre curiosos para saber como as coisas poderiam ter sido diferentes sempre que a mensagem de “oportunidade falhada” aparece no ecrã devido à ausência de determinada habilidade no nosso arsenal. Infelizmente, no que à narrativa propriamente dita diz respeito, o capítulo de estreia deste título episódico faz pouco para nos investir na vasta maioria das suas personagens. Na verdade, dependendo das vossas decisões e habilidades, poderão nem sequer interagir com algumas delas durante a totalidade das mais de duas horas de duração.

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Os minutos finais abrem o apetite para o que está para vir nos episódios futuros, mas por enquanto, a história e as personagens de The Council têm muito pouco de memoráveis, limitando-se a deixar-nos intrigados e com vontade de ver mais. Outro problema que afeta de alguma forma a imersão na aventura é a modelagem questionável e as animações faciais fracas que temos de suportar. Não estragam por completo a experiência, obviamente, mas tendo em conta que estamos perante uma obra que se foca tanto nas personagens e nas suas interações, este departamento gráfico mais pobre provoca algumas distrações. Ainda assim, os cenários propriamente ditos transportam-nos com sucesso para o período histórico em questão.

Essencialmente, a abertura de The Council mostra-nos um conceito claramente vencedor e que tem tudo para se traduzir numa experiência altamente recompensadora no que à jogabilidade diz respeito. Mesmo assim, a narrativa e as personagens apresentam-se ainda numa fase demasiado embrionária e superficial para se tornarem desde já cativantes, algo que esperamos que mude à medida que novos episódios são lançados.