Confuso, mal aproveitado e desapontante. É este o balanço final que se pode fazer de The Council, a peculiar aventura episódica da Big Bad Wolf. Aquilo que poderia ter sido uma muita interessante iteração em relação aos moldes tradicionais do género que teve a fórmula da entretanto defunta Telltale Games como o seu principal elemento caracterizador nos últimos anos, acaba por se revelar demasiado trapalhão e amorfo para conseguir efetivamente impressionar.

Se acompanharam as minhas análises à obra até aqui, já estarão certamente a par daquilo que The Council tem de mais interessante e também saberão o porquê disso estar longe de ser suficiente para disfarçar todas as suas fragilidades. Apresentando-se inicialmente como uma evolução necessária do género de aventura, a verdade é que as mecânicas RPG são efetivamente o ponto alto desta experiência, algo que salta à vista quando o título não se esquece de as utilizar.

Por outro lado, praticamente todos os restantes departamentos da obra ficam aquém. Uma escrita incapaz de aproveitar as personagens históricas que compõem o seu elenco, uma história desconexa e pejada de confusões, com inúmeras linhas de narrativas mal explicadas que fazem com que o tom pretendido de vários momentos saia incrivelmente furado, ao ponto de chegar a parecer uma paródia por vezes, uma vocalização com altos e baixos que não faz grandes favores à narrativa, um grafismo e trabalho de animação fraco, enfim, os problemas são muitos e demasiados óbvios para ignorar.

Dito tudo isto e apesar dos fracos episódios que antecederam o lançamento de Checkmate, o quinto e último episódio do título, a conclusão está longe de ser a catástrofe que alguns poderiam deduzir. Claro que a boa vontade perdida com os sucessivos capítulos de qualidade desapontante e os defeitos que caracterizaram a obra impediriam sempre que o final da aventura de Louis de Richet fosse algo mais do que apenas aceitável, mas ainda assim é de realçar que este é um dos episódios mais seguros de The Council.

Isso deve-se sobretudo ao facto de praticamente todo o capítulo colocar em foco as mecânicas RPG da obra. O mesmo é dizer que Checkmate é um pedaço de conteúdo onde a manipulação domina atenções e praticamente todas as interações passam por converter alguém para o nosso lado da barricada através das opções de diálogo escolhidas que exploram as vulnerabilidades e imunidades entretanto descobertas para cada personagem. Mesmo que a escrita raramente esteja à altura do acontecimento e a vocalização seja incapaz de dar o devido peso a certos momentos, pode dizer-se que este episódio faz o melhor de uma má situação.

Essencialmente, o último episódio de The Council mostra laivos de potencial a espaços, dando-nos alguns vislumbres do que poderia ter sido conseguido com um pouco mais de talento e polimento da aventura. Não faz, como é óbvio, com que este passe a ser um título episódico recomendável, já que os problemas são demasiados para justificar o investimento de tempo e dinheiro. Afinal de contas, estamos perante uma mescla mal-amanhada de figuras históricas e elementos sobrenaturais que faz muito pouco sentido.