É difícil de entender a decisão dos produtores que decidem criar mais um jogo de sobrevivência, com tantos do mesmo género a saturar o mercado. Por isso, esta proposta de labor independente, The Flame in the Flood, tinha muito para provar para se afirmar como uma opção válida e refrescante num género abordado tanto por pequenas, como por grandes produtoras. 

Este jogo em particular, não envolve zombies, mas oferece uma visão diferente do habitual apocalipse na Terra. Em vez de uma seca extrema, houve um autêntico dilúvio. Assim, a nossa personagem foi obrigada a percorrer o rio que se formou de um ponta à outra, à procura de esperança ao fim do caminho. Com a ajuda do seu amigo de quatro patas terá de enfrentar a fustigação impiedosa da Natureza. O importante é sobreviver dia após dia sem que a fome, a sede ou o frio nos vença.

Imagens Analise Flame Flood

Descer o rio é um imperativo, para baixo é o caminho. Infelizmente para a nossa personagem, esta possui uma débil jangada que sofre bastante cada vez que se esbarra contra os rochedos e ilhéus que se formaram com a subida da água. Por isso, a nossa primeira ação de sobrevivência passa por atracar nas diferentes docas que foram montadas, para que a protagonista possa assim procurar mantimentos, descansar, comer e beber água para se manter hidratada. Convém também recuperar algumas horas de sono em habitações abandonadas. Durmam ao relento, ao pé de uma fogueira e a chuva tratará de vos acordar e baixar a temperatura do vosso corpo quando estiverem com a roupa completamente encharcada. 

Infelizmente, a forma como podemos resolver os nossos problemas não é bem traduzida nas mecânicas do jogo. Numa situação real acredito que fosse bem mais difícil aguentar o que a nossa protagonista enfrenta, mas em videojogo deveriam ter refletido melhor o equilíbrio das nossas hipóteses de morrer e sobreviver. A primeira hipótese é bem mais fácil atingir, basta fazê-la morrer de fome ou sede. Sobreviver implica uma extrema avaliação da nossa situação atual e aquela para a qual nos queremos dirigir. 

Imagens Analise Flame Flood

Tudo porque o inventário da nossa mochila - também podemos usar o saco que o cão transporta e a nossa jangada - é muito limitado. É de extrema urgência saber com o quê que nos temos de reabastecer. Porém, se a nossa jangada sofrer demasiados danos, temos de encontrar um posto mecânico para a reparar. Se isto significa termos de deitar fora comida e itens que nos mantenham saudáveis para apanhar madeira e parafusos, então é bom que não tenhamos o azar de encontrar criaturas noturnas como os lobos. Estes têm toda a legitimidade de lutar pela vida tal como nós. 

Umas táticas levar-vos-ão mais longe, ou seja, para zonas mais afastadas, outras, por causa de um azar ou de um risco que não foi bem calculado na equação, fará com que a vossa sepultura venha a ser perto do início da partida. Temos de ser engenhosos e usar tudo o que está ao nosso alcance de posto em posto. Tentar perceber que tipos de produtos é que poderão criar com a mecânica de crafting é uma técnica que vos salvará a vida por diversas vezes. Contudo, é algo que tem de ser aprendido nas primeiras sessões. Não têm à vossa disposição uma ementa de peças ou alimentos que possam criar - a não ser que a frustração vos leve a consultar os inúmeros guias que já se encontram nos vários cantos da Internet.

Imagens Analise Flame Flood

No campo técnico, The Flame in the Flood comporta-se muito bem, sobretudo no que à música diz respeito. Visualmente, o jogo depende muito da iluminação, pois inclui um ciclo do dia para a noite que funciona na perfeição. A tensão estava lá nas minhas aventuras noturnas e a preocupação diminuía quando o sol levantava-se. A banda sonora escolhida indica perfeitamente onde é que está a alma de The Flame on the Flood, possuindo faixas de música folk e alt-country compostas por Chuck Ragan, The Camaraderie, The Fearless Kin, entre muitos outros. The Flame in the Flood quer nos presentear com uma catástrofe que ocorreu perto de um dos grande rios a sul dos Estados Unidos. Com esta música, é para lá que somos levados e perdidos, por um caminho feito pela água que agora rodeia a nossa protagonista.

Imagens Analise Flame Flood

Esta obra foi produzida em Boston por veteranos de séries como BioShock, Halo, Guitar Hero e Rock Band que agora dedicam-se a depender deles próprios com The Flame in the Flood e outros projetos que estejam em desenvolvimento. Infelizmente, acaba por mergulhar a pique nas mecânicas de sobrevivência sem lhes dar tempo de amadurecerem. Se as mecânicas conseguissem estar em harmonia com o que nos é apresentado, o jogo seria, certamente, aprazível. Assim, somos deixados a sobreviver, sem muito por onde nos virarmos. Deste modo, se há alguma chama neste jogo, essa extinguiu-se com a enchente de mecânicas desequilibradas, contudo, insistam nesta aventura e poderão até encontrar alguns momentos genuinamente bons.