Link’s Awakening foi um marco dos videojogos em 1993 e 1999; a obra de excelência da Nintendo volta a sê-lo em 2019. Foi a primeira aventura da série que foi lançada numa consola portátil, porque Zelda pode agradar a todos, seja a jogar em casa ou a caminho do trabalho. Há, por toda a extensão da série, um jogo favorito diferente para vários tipos de jogador.

O remake de The Legend of Zelda: Link’s Awakening, lançado esta semana na Nintendo Switch será, para muitos, um ponto de divergência, porque todos querem um Zelda que seja seu. Tal como Wind Waker é precisamente no estilo gráfico que está o ponto de desacordo. Seja como for, resolver puzzles como antigamente, num jogo Zelda, continua a ser um divertimento como até agora só a Nintendo sabe fazer.

O jogo é um autêntico clássico que ainda não perdeu a sua vivacidade numa plataforma tão moderna como a Nintendo Switch. Todavia, a necessidade de criar conteúdo novo para dar razões que o público mais velho volte a comprar Link’s Awakening foi a Nintendo a dar um passo maior que a perna. Falo, obviamente, das Chamber Dungeons, um modo que nos permite criar masmorras personalizadas, embora esta personalização esteja demasiado limitada.

O que poderia ser uma adição feliz, que só desse valor ao jogo, acaba por ser uma falha - um mero vislumbre do que poderia ser um eventual “Zelda Maker”. O modo Chamber Dungeons é tão limitador que não permite criar as masmorras dos nossos sonhos, aliás, temos é de lutar contra as regras restritas para construir o que queremos. O pior é que se queremos mesmo construir uma dungeon nossa, temos de o fazer com uma das salas que já jogamos na própria aventura.

O modo Chamber Dungeons funciona da seguinte forma: têm de espalhar por uma grelha salas pelas quais já passaram obedecendo sempre a três regras fundamentais. A vossa criação tem de ter um ponto de entrada, uma sala com um tesouro e uma sala onde está o boss. Não podem escolher quais são os itens que estão nos baús de tesouro, nem alterar nada de realmente substancial. O resultado é aborrecido porque estamos a fazer o que já fizemos em outras alturas da história.

As únicas alterações profundas ao design são as limitações que vos são impostas para completar estas criações. A título de exemplo, pode-vos ser pedido para completar o nível sem utilizar a espada, ou só com três corações. Porém, também vos pode ser exigido criar um nível numa grelha mais pequena, com um desenho muito próprio. Todavia, não são estas alterações que nos vão dar alento a regressar junto de Dampé (a personagem com a qual temos de falar para aceder ao Chamber Dungeons).

Felizmente, Chamber Dungeons é um modo facultativo e que vos poderá passar completamente ao lado. Aquilo que define Link’s Awakening continua intacto e com um grafismo muito bem conseguido em todos os aspetos técnicos do jogo: iluminação, texturas e palete de cores utilizada. Este efeito que replica brinquedos de plástico tem um efeito adorável e amoroso em praticamente todo o aspeto do jogo.

Link, o herói da série Zelda, acaba por ser arrastado para as areias douradas de Toronbo Shores em Koholint Island, depois de ter naufragado após um forte temporal em alto mar. Aparentemente, para se salvar e sair da ilha, terá de juntar oito instrumentos musicais de forma a acordar o Wind Fish, que está dentro de um ovo misterioso no cume da montanha Mt. Tamaranch. Isto é o motivo principal para visitar e explorar toda a ilha, de uma ponta à outra.

Ao longo do caminho vão encontrar vários itens que vos vão permitir aceder a locais anteriormente bloqueados. Com a Power Bracelet Link ganha força suficiente para levantar pedras de grandes dimensões, a Roc’s Feather permite-vos saltar por cima de abismos, e com as Pegasus Boots têm acesso a mais um leque de habilidades com a espada e não só. E em certos momentos a Nintendo não se esquece de acenar a várias séries suas, pois aparecem Goombas, Piranha Plant e até Kirby.

A coruja que aparece no jogo, não vos vai deixar perdidos, dando-vos dicas úteis para onde têm de se dirigir. Até há cabines telefónicas para ligarem para Old Man Ulrira, um senhor tímido que só vos fala através do telefone para vos dar algumas dicas para encontrarem o rumo do vosso caminho. E para não terem de andar muito a pé, apesar da paisagem ser lindíssima, há sítios onde se podem teleportar rapidamente para outros, para não terem de perder vida contra inimigos que requerem mais alguma paciência da vossa parte.

Link’s Awakening é moderno, mesmo vinte anos depois de ter sido modernizado para a Gameboy Color. É uma experiência essencial para terem no vosso catálogo. Há tanto desafio que vão acabar por adorar o design das masmorras de Koholint Island e dar-lhes o devido valor. Vão perceber o porquê de criadores de videojogos como Edmund McMillen terem vindo beber inspiração a jogos como The Legend of Zelda: Link’s Awakening.

É um jogo que é agradável de revisitar na Nintendo Switch, apesar do infortúnio que é o modo Chamber Dungeons. Talvez seja esse o próximo passo na série Zelda, sermos nós a criar outros “The Binding of Isaac”. Mesmo sem isto, a aventura principal é imperdível, merece estar no vosso catálogo.